29 de julho de 2008

Primeiros momentos em New Jersey [editado]

Nosso ônibus nos deixou em Clark - NJ onde nossas respectivas famílias foram nos apanhar. No meu caso foi o meu host. Mais despedidas...
Meu host já foi falando um monte de coisa, muita, muita informação. Falou sobre os caminhos, as lojas, etc... Sinceridade? De toda informação daquele dia, a única coisa que não esqueci foi como chegar na escola dos meninos, e isso porque era relativamente perto.
O primeiro "susto" foi que o host me entregou a chave do carro assim que chegamos em casa e disse que era só pra eu deixar minhas coisas que íamos sair.
Primeira vez dirigindo carro grande e automático, deu o maior nervosismo no começo, mas me saí bem no fim das contas.
À noite, a host chegou, jantamos juntos e no dia seguinte (sábado) ela saiu comigo. Fomos para diferentes lugares que também não aprendi de primeira.
No domingo arrisquei sair sozinha, achei uma igreja e consegui voltar pra casa sem me perder.

Vivi bons 5 meses em NJ (pra mim foram bons apesar dos pesares)... Mas isso é conteúdo pra uma próxima postagem.
Até mais!

22 de julho de 2008

EU TENHO UM SONHO [editado]

Abro um parênteses aqui para copiar um texto que acho muito lindo e nunca tinha tido a oportunidade de ler na íntegra...


EU TENHO UM SONHO
Discurso de Martin Luther King (28/08/1963)

"Eu estou contente em unir-me com vocês no dia que entrará para a história como a maior demonstração pela liberdade na história de nossa nação. Cem anos atrás, um grande americano, na qual estamos sob sua simbólica sombra, assinou a Proclamação de Emancipação. Esse importante decreto veio como um grande farol de esperança para milhões de escravos negros que tinham murchados nas chamas da injustiça. Ele veio como uma alvorada para terminar a longa noite de seus cativeiros. Mas cem anos depois, o Negro ainda não é livre. Cem anos depois, a vida do Negro ainda é tristemente inválida pelas algemas da segregação e as cadeias de discriminação. Cem anos depois, o Negro vive em uma ilha só de pobreza no meio de um vasto oceano de prosperidade material. Cem anos depois, o Negro ainda adoece nos cantos da sociedade americana e se encontram exilados em sua própria terra. Assim, nós viemos aqui hoje para dramatizar sua vergonhosa condição. De certo modo, nós viemos à capital de nossa nação para trocar um cheque. Quando os arquitetos de nossa república escreveram as magníficas palavras da Constituição e a Declaração da Independência, eles estavam assinando uma nota promissória para a qual todo americano seria seu herdeiro. Esta nota era uma promessa que todos os homens, sim, os homens negros, como também os homens brancos, teriam garantidos os direitos inalienáveis de vida, liberdade e a busca da felicidade. Hoje é óbvio que aquela América não apresentou esta nota promissória. Em vez de honrar esta obrigação sagrada, a América deu para o povo negro um cheque sem fundo, um cheque que voltou marcado com "fundos insuficientes". Mas nós nos recusamos a acreditar que o banco da justiça é falível. Nós nos recusamos a acreditar que há capitais insuficientes de oportunidade nesta nação. Assim nós viemos trocar este cheque, um cheque que nos dará o direito de reclamar as riquezas de liberdade e a segurança da justiça. Nós também viemos para recordar à América dessa cruel urgência. Este não é o momento para descansar no luxo refrescante ou tomar o remédio tranqüilizante do gradualismo. Agora é o tempo para transformar em realidade as promessas de democracia. Agora é o tempo para subir do vale das trevas da segregação ao caminho iluminado pelo sol da justiça racial. Agora é o tempo para erguer nossa nação das areias movediças da injustiça racial para a pedra sólida da fraternidade. Agora é o tempo para fazer da justiça uma realidade para todos os filhos de Deus. Seria fatal para a nação negligenciar a urgência desse momento. Este verão sufocante do legítimo descontentamento dos Negros não passará até termos um renovador outono de liberdade e igualdade. Este ano de 1963 não é um fim, mas um começo. Esses que esperam que o Negro agora estará contente, terão um violento despertar se a nação votar aos negócios de sempre.Mas há algo que eu tenho que dizer ao meu povo que se dirige ao portal que conduz ao palácio da justiça. No processo de conquistar nosso legítimo direito, nós não devemos ser culpados de ações de injustiças. Não vamos satisfazer nossa sede de liberdade bebendo da xícara da amargura e do ódio. Nós sempre temos que conduzir nossa luta num alto nível de dignidade e disciplina. Nós não devemos permitir que nosso criativo protesto se degenere em violência física. Novamente e novamente nós temos que subir às majestosas alturas da reunião da força física com a força de alma. Nossa nova e maravilhosa combatividade mostrou à comunidade negra que não devemos ter uma desconfiança para com todas as pessoas brancas, para muitos de nossos irmãos brancos, como comprovamos pela presença deles aqui hoje, vieram entender que o destino deles é amarrado ao nosso destino. Eles vieram perceber que a liberdade deles é ligada indissoluvelmente a nossa liberdade. Nós não podemos caminhar só. E como nós caminhamos, nós temos que fazer a promessa que nós sempre marcharemos à frente. Nós não podemos retroceder. Há esses que estão perguntando para os devotos dos direitos civis, "Quando vocês estarão satisfeitos?" Nós nunca estaremos satisfeitos enquanto o Negro for vítima dos horrores indizíveis da brutalidade policial. Nós nunca estaremos satisfeitos enquanto nossos corpos, pesados com a fadiga da viagem, não poderem ter hospedagem nos motéis das estradas e os hotéis das cidades. Nós não estaremos satisfeitos enquanto um Negro não puder votar no Mississipi e um Negro em Nova Iorque acreditar que ele não tem motivo para votar. Não, não, nós não estamos satisfeitos e nós não estaremos satisfeitos até que a justiça e a retidão rolem abaixo como águas de uma poderosa correnteza. Eu não esqueci que alguns de você vieram até aqui após grandes testes e sofrimentos. Alguns de você vieram recentemente de celas estreitas das prisões. Alguns de vocês vieram de áreas onde sua busca pela liberdade lhe deixaram marcas pelas tempestades das perseguições e pelos ventos de brutalidade policial. Você são o veteranos do sofrimento. Continuem trabalhando com a fé que sofrimento imerecido é redentor. Voltem para o Mississippi, voltem para o Alabama, voltem para a Carolina do Sul, voltem para a Geórgia, voltem para Louisiana, voltem para as ruas sujas e guetos de nossas cidades do norte, sabendo que de alguma maneira esta situação pode e será mudada. Não se deixe caiar no vale de desespero. Eu digo a você hoje, meus amigos, que embora nós enfrentemos as dificuldades de hoje e amanhã.
Eu ainda tenho um sonho. É um sonho profundamente enraizado no sonho americano.
Eu tenho um sonho que um dia esta nação se levantará e viverá o verdadeiro significado de sua crença - nós celebraremos estas verdades e elas serão claras para todos, que os homens são criados iguais.
Eu tenho um sonho que um dia nas colinas vermelhas da Geórgia os filhos dos descendentes de escravos e os filhos dos desdentes dos donos de escravos poderão se sentar junto à mesa da fraternidade.
Eu tenho um sonho que um dia, até mesmo no estado de Mississippi, um estado que transpira com o calor da injustiça, que transpira com o calor de opressão, será transformado em um oásis de liberdade e justiça.
Eu tenho um sonho que minhas quatro pequenas crianças vão um dia viver em uma nação onde elas não serão julgadas pela cor da pele, mas pelo conteúdo de seu caráter.
Eu tenho um sonho hoje! Eu tenho um sonho que um dia, no Alabama, com seus racistas malignos, com seu governador que tem os lábios gotejando palavras de intervenção e negação; nesse justo dia no Alabama meninos negros e meninas negras poderão unir as mãos com meninos brancos e meninas brancas como irmãs e irmãos.
Eu tenho um sonho hoje! Eu tenho um sonho que um dia todo vale será exaltado, e todas as colinas e montanhas virão abaixo, os lugares ásperos serão aplainados e os lugares tortuosos serão endireitados e a glória do Senhor será revelada e toda a carne estará junta. Esta é nossa esperança. Esta é a fé com que regressarei para o Sul. Com esta fé nós poderemos cortar da montanha do desespero uma pedra de esperança. Com esta fé nós poderemos transformar as discórdias estridentes de nossa nação em uma bela sinfonia de fraternidade. Com esta fé nós poderemos trabalhar juntos, rezar juntos, lutar juntos, para ir encarcerar juntos, defender liberdade juntos, e quem sabe nós seremos um dia livre. Este será o dia, este será o dia quando todas as crianças de Deus poderão cantar com um novo significado. "Meu país, doce terra de liberdade, eu te canto. Terra onde meus pais morreram, terra do orgulho dos peregrinos, De qualquer lado da montanha, ouço o sino da liberdade!" E se a América é uma grande nação, isto tem que se tornar verdadeiro. E assim ouvirei o sino da liberdade no extraordinário topo da montanha de New Hampshire.
Ouvirei o sino da liberdade nas poderosas montanhas poderosas de Nova York.
Ouvirei o sino da liberdade nos engrandecidos Alleghenies da Pennsylvania.
Ouvirei o sino da liberdade nas montanhas cobertas de neve Rockies do Colorado.
Ouvirei o sino da liberdade nas ladeiras curvas da Califórnia. Mas não é só isso.
Ouvirei o sino da liberdade na Montanha de Pedra da Geórgia.
Ouvirei o sino da liberdade na Montanha de Vigilância do Tennessee.
Ouvirei o sino da liberdade em todas as colinas do Mississipi.
Em todas as montanhas, ouviu o sino da liberdade.
E quando isto acontecer, quando nós permitimos o sino da liberdade soar, quando nós deixarmos ele soar em toda moradia e todo vilarejo, em todo estado e em toda cidade, nós poderemos acelerar aquele dia quando todas as crianças de Deus, homens pretos e homens brancos, judeus e gentios, protestantes e católicos, poderão unir mãos e cantar nas palavras do velho espiritual negro:
"Livre afinal, livre afinal.
Agradeço ao Deus todo-poderoso, nós somos livres afinal."

Fonte: colaboração de Hernani Francisco da Silva, da Missão Quilombos
Martin Luther King - 15/01/1929
Leia um resumo da vida de King

EM TREINAMENTO [editado]

Ao chegar na universidade, a temperatura estava -7 C. A sensação era como estar dentro de um congelador gigantesco (nesse caso o congelador sendo o próprio planeta), até respirar tornou-se doloroso porque a cada inspiração o ar parecia zilhões de facas afiadas.
Quando chegamos já estava perto da hora do jantar. Fui para o quarto que me deram, deixei minhas coisas e fui com as outras meninas para o refeitório.
Já tinha várias meninas dos mais variados lugares do mundo. Minhas companheiras de quarto eram 1 alemã e 1 do Panamá (esqueci como se escreve quem nasce lá).
O treinamento foi realmente intensivo. Só parávamos para as refeições e a noite era uma luta para conseguir um computador do tempo do ronca.
E tomar banho com aquele frio??? Tínhamos que acordar super cedo porque os horários eram bem rígidos.
Passou tão rápido que quando percebi já era o da 24/01, dia do nosso tour em New York City.
Fiquei super contente porque minha host family pagou o passeio pra mim ($30 pra economizar hehehehe), achei muito legal da parte deles, mas mesmo assim estava muito preocupada. Sabe quando tudo parece bom demais pra ser verdade?

CONSELHO: Pra quem quer vir ou está vindo, sempre, SEMPRE é bom manter os pés no chão e cabeça no lugar. Não idealize nada porque a REALIDADE por melhor que seja, não é nenhuma maravilha e muito menos um mar de rosas.

NEW YORK [editado]

OK! Sei que o blog está MUITO desatualizado, mas infelizmente ainda não tenho meu próprio computador e tenho que usar o micro da família, e quem me conhece sabe que não consigo me sentir à vontade usando as coisas dos outros, principalmente eletrônicos e afins. (mas tenho que usar às vezes, né? Fazer o quê?)
Bom, após apresentar minhas desculpas, tenho que continuar descrevendo minha experiência como au pair (já que este é o objtivo do blog afinal).

Vamos ver se minha memória ainda está boa...
Ao desembarcar em NYC no dia 21 de janeiro de 2008 (não lembro a hora, só sei que era uma segunda-feira), fui recepcionada por um golfão de ar gelado. Pensei que era ar-condicionado do aeroporto porque o sol estava brilhando lá fora e até aquele momento eu não sabia que era possível fazer frio com um sol lindão no céu (tanta coisa pra aprender ainda!)
Ao chegarmos na área de desembarque do LaGuardia, encontramos as outras 2 meninas que tinham pego o vôo certo.
Ficamos por lá esperando a pessoa da agência que ia nos apanhar. Esperamos, esperamos, esperamos tanto que deu tempo de mais meninas chegarem, até que chegou o motorista horas mais tarde. Àquela altura meu almoço tinha sido água e 1 pacote de amendoim com passas misturado com um monte de "bugingangas" coloridas.
Quando saimos do aeroporto para o estacionamento estava frio, tão frio que começou a sair fumaça do nariz. Eu comecei a rir comigo mesma porque já tinha visto aquilo acontecer antes há muito tempo quando eu ainda era criança e morava em São Paulo, e claro que sempre via em filmes também. Então olhei ao meu redor e me conscientizei: Eu não estava assistindo 1 filme. EU estava em Nova York.
Foi inesquecível!
Depois que arrastamos nossas malas até o estacionamento, entramos na van e fomos levadas para St John`s University na região de Long Island onde seria nosso treinamento ...