28 de agosto de 2010

Seis anos depois (Para meu pai - in memoriam)

                                Meus pais em 2000. Convento das Mercês em São Luís, MA. Comemoração
                                          do "Brasil 500 anos".

 

A dor realmente ameniza com o passar do tempo, você volta a sorrir, a ter esperança, a fazer planos, mas fica sempre faltando um pedaço que nada nem ninguém completa. Aquele vazio permanece com você não importa se você vai para muito muito longe tentando encontrar respostas, ou até mesmo tentando se encontrar. Sua vida se divide em duas partes: Antes e Depois da tragédia. Você guarda sua caixinha de lembranças tão avidamente como se fosse um tesouro valioso. Com o passar do tempo talvez você não consiga mais lembrar o som da voz (não se culpe por isso), mas você ainda sente o cheiro, você lembra uma piada, uma expressão, uma frase dita por aquela pessoa que você amava. Ah e você sonha... No início os sonhos são voltados a negação da realidade: "Houve um terrível engano", e você sonha que aquela pessoa vai entrar pela porta da frente como sempre seguindo a rotina da vida. Depois os sonhos se tornam menos densos e dolorosos, talvez você até pare de acordar chorando no meio da noite. 
Seis anos depois eu ainda sonho, e nos meus sonhos eu o abraço e sinto o cheiro característico da pele queimada pelo sol, eu o abraço e sinto a textura da sua pele, eu o abraço e choro porque dentro de mim (mesmo sonhando) eu sei que não é real.

Pensei em listar as coisas que foram tiradas de mim pela morte do meu pai, mas seria injusto porque eu teria que listar as coisas que foram tiradas do meus irmãos e principalmente da minha mãe, e mesmo que a lista coincidisse em algum ponto não estaria jamais completa.

Creio que nunca falei diretamente sobre isso aqui no blog. Sobre o que aconteceu com nossa família, sobre meu pai. Perdão por exorcizar meus fantasmas através das lágrimas e da escrita (e tenho que pedir perdão pra minha mãe por fazê-la chorar com essa leitura).

Duas coisas me fizeram criar esse post:
A primeira, um texto que a Cíntia do Free to be me postou há um tempo atrás:
"Mas a lição mais forte (e talvez mais dura) é a de que não podemos esperar que as coisas dêem certo pra sermos felizes, pra termos a paz. A paz que excede todo o entendimento é aquela paz que vivenciamos quando não temos motivos pra isso. Quando tudo parece dar errado, sabemos que há alguém maior olhando por nós, se preocupando conosco.
Nem sempre a justiça humana cumpre o seu papel da maneira que esperamos. O final de uma história não implica, necessariamente, em todos os bons vivendo felizes para sempre e todos os maus sendo condenados. Mas a justiça divina será feita no momento certo." (Clique aqui para ler o texto na íntegra).

A segunda razão foi a seguinte reportagem:
Réu é condenado a 74 anos de prisão em Viana.
Em julgamentos realizados nos dias 20, 21 e 22 de julho, o réu Adailton Freitas dos Santos foi condenado a 74 anos de prisão pela prática de dois homicídios e três tentativas de homicídio. Os júris foram presididos pelo titular da Vara, juiz Mário Márcio de Almeida Sousa.
No primeiro júri (dia 20), pesavam contra o réu as acusações de homicídio contra Magno Pereira dos Santos e tentativa de homicídio contra João Raimundo Ribeiro Serra e José Antonio Ferreira.
De acordo com o processo, os crimes teriam ocorrido em 17 de outubro de 2004, por volta das 18 horas, por ocasião de uma festa realizada no Bairro Piçarreira, quando o denunciado teria topado em uma garrafa de cachaça de Magno, iniciando-se aí uma discussão entre ambos e que culminaria com os tiros disparados por Adailton. Os disparos atingiram em cheio Magno, que veio a falecer, e acertaram ainda João Raimundo e José Antonio.
As penas pelos crimes imputadas a Adailton totalizaram 42 anos de reclusão, sendo 22 anos pelo homicídio e 20 anos pelas tentativas de homicídio (dez anos para cada uma).

Campana - No segundo júri, (21), Adailton respondeu pela tentativa de homicídio contra o agente de polícia Alípio Gomes. Segundo a denúncia, o crime teria ocorrido momentos depois dos crimes pelos quais o acusado respondeu no dia 20.De acordo com o processo, por volta das 18h30 do mesmo dia (17 de outubro de 2004), Alípio fazia campana próximo à casa do acusado, quando teria abordado uma pessoa que julgava ser Adailton, momento em que o mesmo apareceu e se aproximou do policial, que deu voz de prisão ao réu.
Ainda de acordo com a denúncia, na ocasião o policial derrubou o acusado no chão, virando-o de costas e tomando a arma que o mesmo portava. Ao algemar uma das mãos de Adailton, Alípio teria sido surpreendido pelo réu, que retomou a arma e atingiu o policial no peito, matando-o.
A pena atribuída ao acusado pelo crime foi de vinte e cinco anos.

Espingarda - No terceiro júri a que foi submetido, Adailton foi condenado a dezesseis anos de reclusão pelo crime de tentativa de homicídio contra Denivaldo Amorim Viegas. Segundo a denúncia, o crime teria ocorrido no dia 22 de outubro de 2003, por volta das 17:00 horas, quando a vítima-se na cozinha de sua residência (Viana), em companhia de três mulheres.
Ainda de acordo com a denúncia, na ocasião o acusado teria arrombado a porta com um chute, entrando na casa e, sem nenhum tipo de discussão, disparou um tiro de espingarda à queima roupa, atingindo o peito de vítima, matando-a.
(Assessoria de Comunicação da CGJ) Fonte: O Imparcial Online


Existem ainda muitos porquês, para quês e comos. Talvez teremos as respostas aqui na Terra. Talvez só quando chegarmos no Céu. Talvez nunca. Faço minhas as palavras da música do Catedral:
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