29 de abril de 2011

Desafio Literário 2011 (Abril): "The Handmaid's Tale"

FICÇÃO CIENTÍFICA




Título: The handmaid's tale
Título em português: O Conto da Aia
Autora: Margaret Atwood
Editora: Anchor Books / Random House
Ano: 1985
Páginas: 311
Edição lida: 1998





A história de O Conto da Aia passa-se num futuro muito próximo e tem como cenário uma república onde não existem mais jornais, revistas, livros nem filmes - tudo fora queimado. As universidades foram extintas. Também já não há advogados, porque ninguém tem direito a defesa. Os cidadãos considerados criminosos são fuzilados e pendurados mortos no muro, em praça pública, para servir de exemplo enquanto seus corpos apodrecem à vista de todos. Nesse Estado teocrático e totalitário, as mulheres são as vítimas preferenciais, anuladas por uma opressão sem precedentes. O nome dessa república é Gileade, mas já foi Estados Unidos da América. As mulheres de Gileade não têm direitos. Elas são divididas em categorias, cada qual com uma função muito específica no Estado - há as Esposas, as Marthas, as Salvadoras etc. À pobre Offred coube a categoria de Aia, o que significa pertencer ao governo e existir unicamente para procriar. Offred tem 33 anos. Antes, quando seu país ainda se chamava Estados Unidos, ela era casada e tinha uma filha. Mas o novo regime declarou adúlteros todos os segundos casamentos, assim como as uniões realizadas fora da religião oficial do Estado. Era o caso de Offred. Por isso, sua filha lhe foi tomada e doada para adoção, e ela foi tornada aia, sem nunca mais ter notícias de sua família. É uma realidade terrível, mas o ser humano é capaz de se adaptar a tudo. Com esta história, Margaret Atwood leva o leitor a refletir sobre liberdade, direitos civis, poder, a fragilidade do mundo tal qual o conhecemos, o futuro e, principalmente, o presente. (Fonte: Skoob)


Já escrevi e reescrevi essa resenha várias vezes... na minha cabeça. E agora que preciso das palavras nas pontas dos dedos, elas simplesmente sumiram e me deixaram na mão... A sinopse diz tudo...
Preciso que vocês me perdoem porque essa vai ser a pior resenha que já fiz... esse mês hahahaha.
Chega de blá blá e vamos aos fatos: A verdade é que esse livro me deu o que chamamos em inglês de creeps (arrepios). Será que todas as mulheres que já leram ou estão lendo esse livro sentiram o mesmo? 
A história é narrada pela aia Offred cujo nome verdadeiro é mencionado, mas não revelado no livro (existe uma grande diferença entre mencionar e revelar, tem que ler pra entender). Por ser um livro em primeira pessoa muitas coisas, e eu repito, muitas coisas mesmo vão ficar confusas e sem respostas. 

NÃO tem respostas!!! Sabe o babado que nos deixa curiosos até hoje se a Capitú traiu ou não Bentinho? Pois é, o livro me deixou com essa sensação no final. Essa é a desvantagem de um narrador-personagem, não dá pra saber o que os outros estão pensando e aprontando. MAS tudo indica que foi proposital, afinal as "Notas Históricas" no final do livro não me deixam mentir.

A forma de escrita da autora me lembrou muito a prosa intimista da Clarice Lispector, mais precisamente de Perto do Coração Selvagem, mas apenas uma semelhança longínqua que me levou a uma quase-depressão-vou-me-atirar-do-meio-fio.

Claramente conseguimos fazer um paralelo entre a forma como as mulheres são tratadas na sociedade distópica do livro e em algumas sociedades atuais (especificamente algumas sociedades mulçumanas onde mulheres ainda são apenas objetos e não possuem direitos). ENTRETANTO eu consigo ir mais além e afirmar que é possível traçar uma analogia mais profunda com o tratamento dispensado às mulheres nas sociedades machistas espalhadas pela face da Terra. Além dos indivíduos machistas que oprimem e tiram a liberdade de "suas" mulheres apenas para provar quem é que manda e no pior dos casos se tornam homicidas.
 
Outro ponto que quero comentar é sobre a sociedade ser "religiosa", e aí lá vai a velha e tradicional discussão sobre a submissão feminina sob a visão bíblica. Não vou entrar no mérito da questão aqui, só quero destacar que no livro os personagens opressores se utilizam de textos bíblicos descontextualizados e incompletos para oprimir e tirar a liberdade dos que discordam. Afinal não foi à toa que os livros (a Bíblia inclusive), a leitura e a escrita foram banidos (só para as mulheres é claro). Tá soando como a Idade Média? Bem-vindo ao clube!

Gostei do livro apesar da temática ter me deixado com dores na alma (foi mal, estou no meu período dramático). Provavelmente vou ler de novo, mas da próxima vez será mais lentamente e não correndo para cumprir a agenda do DL.

Não achei um trailler legendado do filme, mas gostei desse aqui por causa da música que colocaram (que eu não sei de quem é): O CONTO DA AIA
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