9 de maio de 2011

Desafio Literário 2011 (Maio): "The Long Road Home"

LIVRO-REPORTAGEM


Título: The Long Road Home
Autora: Martha Raddatz
Editora: Berkley
Ano: 2007
Páginas: 338




A Divisão da Primeira Cavalaria sofreu um ataque surpresa na cidade de Sadr (Iraque) em 04 de Abril de 2004, agora conhecido como "Black Sunday". Há mais de sete mil milhas de distância, as famílias esperaram por notícias durante terríveis quarenta e oito horas - esperando pelo pior. A correspondente-chefe da ABC News para a Casa Branca, Martha Raddatz compartilha uma história notável de heroísmo, esperança e dor.



No dia 22 de Abril de 2010, eu entrei na Livraria Borders para usar o banheiro, e acabei saindo com 2 livros que estavam por menos de 5 dólares cada. Este foi um deles. Por que eu o comprei? Acho que foi curiosidade de ler algo sobre uma guerra "estranha" e controversa. 

O Longo Caminho Para Casa (que até onde pesquisei ainda não foi lançado no Brasil), revolve em volta do evento ocorrido no dia 04 de Abril de 2004, quando o pelotão americano liderado pelo Tenente Shane Aguero foi emboscado em um beco na cidade de Sadr pela milícia liderada por Moqtada Al-Sadr. O que parecia um caso isolado de insurgentes revelou-se um ataque premeditado e bem executado. O resultado foi várias mortes de ambos os lados.


O livro apresenta os envolvidos na batalha e suas respectivas famílias, trazendo um pequeno histórico de alguns, principalmente dos soldados falecidos. Algo que chamou minha atenção é que de acordo com a história narrada, o exército americano tinha o objetivo de manter a paz e reconstruir as cidades, eles não estavam "preparados" para uma guerra como alguns afirmaram, tanto que percebemos isso quando outros pelotões são chamados para intervir e resgatar o pelotão que foi emboscado por causa dos veículos sem segurança que eles utilizaram.
Na página 287 quando um dos soldados feridos questiona o Major General Peter Chiarelli sobre não terem trazidos todos os tanques necessários para Sadr, o General não pode responder porque 
"a resposta era complicada. Naquele tempo os oficiais do Pentágono tinham pensado que a guerra estava acabando; enviar todos os tanques da Divisão da Primeira Cavalaria, eles decidiram, daria a mensagem errada para os iraquianos - a mensagem de que os americanos estavam ali para ocupar (...)"
Todos estão conseguindo ler nas entrelinhas o jogo político de poder? Porque a impressão que tive foi essa, naquela época os soldados acreditavam que estavam ali com uma missão diferente da que se tornou mais tarde.
"Esses homens e mulheres tinham vindo para o Iraque pensando que seriam parte de uma missão de reconstrução e tinham sido enviados de volta para casa em um caixão drapeado com a bandeira." (p. 309)

Se assim como eu, você começou a imaginar filmes como O Reino & Estado de Guerra, é alguma coisa como isso, mas muito pior quando no decorrer da leitura você se conscientiza de que tudo ali descrito é real, aconteceu de verdade com pessoas de carne e osso assim como eu e você. Pais, maridos e filhos que nunca vão voltar para casa.
"Não importava quão cuidadosamente ou humanamente os militares tentavam conduzir essas visitas; no fim as notícias eram a mesma. Seu marido ou seu pai ou se filho tinham sido mortos." (p. 271)

A autora não poupa detalhes e nem enfeita, ela descreve e informa tudo da maneira mais direta possível. Mesmo assim não é um livro fácil de ler, principalmente se você detesta o conteúdo, porque há muitas pessoas envolvidas e fica difícil distinguir quem é quem. Além disso, há descrições das crianças usadas nos ataques, como por exemplo um menino que jogou uma bomba caseira em um dos Humvees do exército americano, e as crianças e mulheres que foram colocadas na frente da troca de fogo entre militantes e americanos. Não tem quem agüente essas partes sem sofrer ou chorar.
O Apêndice traz o que aconteceu com alguns soldados sobreviventes e algumas viúvas após esse período.


Depois desse Domingo em Abril as coisas pioraram muito.
"(...)Por todo o país [Iraque], enfrentando um novo inimigo, os Estados Unidos logo se encontrou de novo e de novo na mesma posição que o pelotão de Aguero no beco da cidade de Sadr: emboscado, despreparado, sangrando e sozinho. Chiarelli tinha trazido seus soldados da Primeira Cavalaria para o Iraque com a perspectiva de uma missão de reconstrução e estabilização, uma pela qual eles seriam bem-vindos pelos iraquianos. Em vez disso, eles foram forçados a lutar uma guerra pela qual seus treinamentos combativos não se aplicavam. Após o Vietnam, os militares americanos haviam votado nunca empreender uma guerra contra-insurgente de novo - na verdade haviam praticamente parado de se preparar para a possibilidade. (...)" (p. 311)


Sabe o que eu gostaria de ter oportunidade? De ler algo (verdadeiro) sobre o lado de lá, o lado iraquiano. O que tudo aquilo significou (e significa para eles). Saber suas opiniões e visões, etc etc etc. Acho que é no mínimo justo antes de expressar uma opinião pessoal (e acalorada) sobre o assunto.

 Para terminar, lembrei de uma música do Casting Crowns que foi composta quando um soldado que era da mesma igreja que a banda foi morto no Afeganistão.



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