1 de agosto de 2011

Entrevista I

É com grande prazer que anunciamos a primeira...

CM: No livro When the Hurt Runs Deep, autora Kay Arthur afirma: "O fato de que um indivíduo tira a própria vida não destina a pessoa ao inferno. O destino eterno de uma pessoa é determinado por como ele respondeu à oferta de salvação em Jesus Cristo durante sua vida, não se ele tirou ou não sua própria vida." (Tradução livre, p.113).
Em seguida ela diz que algumas pessoas se matam por desejarem estar logo na presença de Deus, mas que eles se esquecem que terão que se apresentar diante dEle para prestar contas.
"Ao tirarem suas próprias vidas, eles contradizem a suficiência de Sua graça e a verdade de Suas promessas. Suicídio não é uma forma valorosa para um filho de Deus morrer, em fato, é vergonhoso." (Tradução livre, p. 114).

O texto bíblico utilizado pela autora é João 10: 24-30, ênfase no versículo 29: "Meu pai mas deu (...) e ninguém pode arrebatá-las da mão do meu Pai", sendo que nem mesmo a pessoa que comete suicídio pode perder a salvação se ela pertencer a Deus.
COMENTE.


Rev. João D'Eça: Antes de responder as perguntas propriamente ditas, queira me permitir comentar o texto bíblico citado de João 10: 24-30.
1 – O texto não fala de suicídio ou morte física, mas o principal tema do texto é a doutrina bíblico-reformada da Eleição. Eleição é a doutrina que ensina que Deus, na sua soberania e misericórdia, antes da fundação do mundo, baseado tão somente no seu infinito amor, escolheu aqueles que seriam salvos, permitindo que os demais continuassem no seu caminho de perdição.
- No versículo 26, vemos Jesus dizer aos seus interlocutores: “Mas vós não credes, porque não sois das minhas ovelhas.” Dai entendemos que aqueles incrédulos, que morrem na sua incredulidade, não pertencem a Deus, “não fazem parte do conjunto de suas ovelhas”.
- No versículo 27, Jesus diz: “As minhas ovelhas ouvem a minha voz; (a pregação da Palavra) eu as conheço, e elas me seguem. Quem é de Deus ouve a Palavra de Deus.
- No versículo 28, Jesus enfatiza o tema do seu discurso, (Vida Eterna), ele diz: “Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão. E no versículo 29, “Aquilo que o Pai  me deu é maior do que tudo; e da mão do Pai ninguém pode arrebatar.” Ou seja, os eleitos são eleitos pra sempre. Os salvos em Cristo são salvos pra sempre. Não importa a forma como foram mortas. Ninguém os arrebatará das mãos de Deus.
- Em Romanos 8:35, diz: “Quem nos separará do amor de Cristo? Será a tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada?” E nos versículos 38 e 39, arremata: “Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus que está em Cristo Jesus, nosso Senhor.

Concluindo essa primeira parte, Jesus nos ensina em João 10 24-30, que nada poderá nos arrancar das mãos de Deus. Se fosse possível, nosso Deus seria um Deus incapaz, sem poder, onde aquele que conseguisse nos arrancar das suas mãos, seria muito mais forte que ele.

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No que se refere às questões do livro e o comentário da autora, segundo todos os especialistas que tenho estudado sobre o assunto SUICÍDIO, dizem que a prática do suicídio é a mais egoísta e vingativa possível, ou seja, não é uma atitude nobre, o que está por trás do suicídio, é o EGOISMO humano exacerbado, a não ser que seja um caso de patologia psíquica, mas até ai é possível controlar com o uso de medicamentos específicos.
- O suicídio é resultado do pecado humano e suicidar-se é pecado, e como tal, tem a sua merecida punição. Não há nobreza no suicídio.
- Provérbios 4: 23 diz:
“Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida.”
- Mateus 12: 34 diz: “... Porque a boca fala do que está cheio o coração.”
-Todo o pecado tem origem no coração humano. A dinâmica do coração desde a queda é uma dinâmica idolátrica. As pessoas são influenciadas maleficamente de dentro do seu coração, vide os textos acima.
- Toda forma de pecado tem origem no amor absoluto do “EU”. Ao invés de amar a Deus sobre todas as coisas, o maior problema do homem, depois da queda, é que ele passou a “amar a si próprio” acima de todas as coisas. O homem caído idolatricamente ama a si mesmo em busca da sua satisfação plena. Ocorre que o “EU” não pode fornecer essa satisfação plena, então ele busca satisfação nos ídolos menores como, beleza, poder, dinheiro, etc. Esses ídolos menores são descartáveis, caso não alcancem o objetivo do “EU”, então é imediatamente substituído ou deslocado.
- Nesse sentido é que o SUICÍDIO é EGOÍSTA. A pessoa que se mata via de regra, está querendo atingir ao outro. Por exemplo, o fato de não ter coragem ou não poder matar alguém, matando-se, quer atingir aquele a quem queria ferir, ou seja, a motivação é pecaminosa, é egoísta.
- Um outro exemplo é quando as pessoas não querem enfrentar uma situação que elas próprias criaram e que se reverteu de alguma forma contra si. Não agüentando as conseqüências dos seus atos e não querendo enfrentar a vergonha de passar por aquilo, dão cabo da sua própria vida. Novamente aqui, a motivação é EGOÍSTA.

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CM: Já teve alguma experiência desse tipo? Se sim, como lidou? Se não, como lidaria? Qual tipo de preparo os pastores e líderes têm nesse sentido?
Rev. João D'Eça: Sim já passei por situações dessas no meu ministério, mas o aconselhamento reverteu a situação.
O preparo dos pastores, via de regra, é adequado, porém daqueles que se preparam em um Seminário idôneo, ou os que buscam esse preparo numa escola séria para que seu ministério seja melhor exercido.
No entanto, com a proliferação dos ministérios neo-pentecostais, onde a maioria dos pastores ou não tem o preparo adequado, ou julgam que esse preparo não é necessário, vemos a proliferação de crentes neurotizados, escravizados por problemas mentais que poderiam ser sarados, mas por causa da falta de preparo e de ser mais fácil atribuir as coisas ao Diabo (Não que ele não seja responsável em muitos casos!), as pessoas não tem sido tratadas adequadamente, à partir de uma abordagem bíblico-referente.


Agora queremos saber dos leitores, como sua igreja e/ou família tem lidado com esse tema. Você já teve alguma experiência desse tipo? Gostaria de compartilhar conosco? Deixe sua resposta nos comentários. 
O Caminho de Memórias agradece à disponibilidade do Rev. João que nos atendeu prontamente. Muito obrigada!





Rev. João d’Eça tem 44 anos, é Bacharel em Teologia pelo SCEN – Seminário Cristão Evangélico do Norte, em São Luís-MA e Mestrando em Teologia (Habilitação em História da Teologia), pelo Centro de Pós-Graduação Andrew Jumper da Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo-SP.
Pastor da Igreja Presbiteriana Betsaida em São Luís-MA.
Casado há 21 anos, pai de um filho de 18 anos.

Ele pode ser contactado através de seu Blog Rev. João D'Eça.
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