31 de dezembro de 2012

As não-resoluções de ano novo da Isaura

1- Não vou acordar cedo. 
Dessa forma, posso continuar apertando o botão soneca do celular e perdendo a hora de sair para o trabalho.

2- Não vou cortar o cabelo.
O corte super curto de 2012 é válido por 3 anos.

3- Não vou ficar brava com o pessoal que divide apartamento comigo por causa do barulho de madrugada.
Se eles não precisam de oito horas de sono durante a noite, eu também não preciso.

4- Não vou comprar mais livros até ler todos daS minhaS estanteS.
Onde coloquei o cartão de débito?

5- Não vou ficar zangada quando as pessoas perguntarem sobre meu casamento.
Tá marcado para o dia 29 de fevereiro de 2013, anotem em suas agendas por favor!

6- Não vou ficar com preguiça de estudar espanhol em casa.
Yo hablo, tu hablas, ¿Voy hablar más?

7- Não vou fazer resoluções de ano novo.
Tá valendo as não-resoluções.

8- Não vou seguir minhas não-resoluções de ano novo.
Usando a psicologia reversa.
 

Alguém tem alguma resolução ou não-resolução para 2013? Compartilhem comigo e vocês NÃO vão concorrer a prêmios. 
Depois não digam que não avisei.

FELIZ NOVO ANO, ou talvez não!!!

27 de dezembro de 2012

Amor à primeira vista?

Eu NÃO acredito em amor à primeira vista! Não acredito!
Talvez seja melhor dizer que nunca aconteceu comigo e por isso acho muito difícil que realmente aconteça.
Não sei, talvez eu esteja equivocada. Ryan disse que desde a primeira vez em que viu Molly ele sabia que ela seria especial pra ele. Especial como?
É desse tipo de amor à primeira vista que acho difícil de acreditar. Duas pessoas que nunca se viram antes se "conectam" instantaneamente e sabem que vão viver algo... especial ou diferente, ou as duas coisas.
Sim, existiu alguma coisa naquele primeiro momento em que Ryan e Molly se viram. Mas pra mim não foi nada mais que hormônios. 

Rá, Ryan, e como você explica o que aconteceu depois? Você e Molly apenas amigos por dois anos, e em nenhum momento você lembrou que deveria terminar com sua namorada que estava esperando por você lá no Mississipi? Quer dizer, você se sentiu atraído pela Molly, mas resolveu que era "melhor um pássaro na mão do que dois voando"? 
Bom, não me surpreende que toda aquela falta de comunicação por causa de uma mentira resultou na separação por tantos anos. VOCÊ BEIJOU OUTRA ENQUANTO AINDA TINHA UMA NAMORADA!
Desculpe, sou horrível para não atirar pedras.

Molly, é sua vez. Você ficou bem apagadinha, quase sem sal mesmo. Sim, entendo que Ryan tinha uma namorada, mesmo assim você deveria... Oh, claro, claro, quem sou eu pra falar sobre isso, né? Eu ia dizer que você deveria ter falado dos seus sentimentos pra ele o quanto antes, MAS quem sou eu pra dar esse conselho, né? Eu que carreguei uma paixonite durante TODO o Ensino Médio. Eu que tive outra paixonite durante a faculdade. Eu que já me apaixonei pelo melhor amigo.
Tá, já entendi, você não disse nada porque manter a amizade era mais importante do que qualquer outra coisa, e você não sabia que ele sentia o mesmo por você.
Chega, não vou dizer mais nada sobre o assunto.

Olha, no fim das contas quase engasguei com a rapidez do Ryan no final. Sério, sem ironias, desejo que vocês estejam bem hoje. E posso falar algo? Como protagonistas vocês são ótimos coadjuvantes.

Ah, a livraria que dá título ao livro! Fiquei completamente apaixonada pelas descrições do lugar e fiquei muito triste com tudo que aconteceu com Charlie, Donna e os livros. Todos aqueles livros... que tristeza! Charlie, você quase me matou do coração naquela cena da nevasca.
Pelo menos posso agradecer ao Ryan e ao facebook por ter começado a te ajudar. Ei, eu sei que é roça às vezes, mas se a gente perde a esperança, a gente perde 90% da batalha sendo travada.

No mais, na minha escala de "amor-à-primeira-lida", um bom tá de bom tamanho para um livro pequeno e rápido. Não precisa guardar ressentimento, foi bom te conhecer, te ler, mas... não, não rola cinco estrelinhas e nem coraçãozinho de favorito.
Feliz Natal atrasado!




Título: The Bridge*
Autora: Karen Kingsbury
Editora: Howard Books
Ano: 2012
Páginas: 258
Meu Skoob
Comprar: Amazon / ChristianBook







*Recebi este ebook gratuitamente através do programa NetGalley.

14 de dezembro de 2012

O que eu não sabia (e/ou ignorava)

Que sou INTEIRA e não uma metade esperando a outra metade me completar.
Que minha felicidade e segurança só podem vir de Deus e não de um homem.
Que amar de verdade leva tempo e não é apenas um sentimento.
Que paixão é boa, mas que não mantém um relacionamento.
Que devo observar as atitudes de um homem e não suas palavras.
Que vou me machucar mesmo que eu siga todas as regras.
Que sou humana e falha e que o "príncipe encantado" é tão humano e falho quanto eu.
Que "felizes para sempre" é uma escolha que faço todos os dias, mesmo quando quero desistir.
Que nossos pais pais realmente sabem mais do que nós, eles já tiveram a experiência.
Que nem sempre quem diz "eu te amo" realmente sabe o que isso significa.
Que se eu pudesse, apagaria os meus erros e recomeçaria minha vida.
Que como não posso voltar no tempo só me resta aprender e consertar.
Que arrependimentos sempre fazem parte da caminhada.
Que esperar vale a pena.
Que posso ter uma segunda chance.
Que devo sempre ser grata pelo que já tenho.
Que não devo me amargurar porque alguém me machucou.
Que devo pedir perdão genuinamente por algo que fiz e machucou alguém.
Que nem sempre posso ter a última palavra.
Que sou MUITO amada mesmo que eu nunca me case.
Que sou abençoada mesmo que nunca tenha filhos.
Que sou realizada mesmo que não exerça uma profissão.
Que o mundo continua girando enquanto tenho que colocar os pedaços do meu coração no lugar.
Que não posso depender dos outros para ser feliz.
Que minha beleza não se encontra na imagem que vejo no espelho.
Que não, muito obrigada, não quero ser adolescente outra vez!

E Min, vocês acabaram porque nem deveriam ter começado. Bem simples.



Título: Why We Broke Up (Por isso a gente acabou)
Autor: Daniel Handler
Ano: 2011
Páginas: 354
Meu Skoob





LEIA TAMBÉM:
Por isso a gente acabou - Free To Be Me

27 de novembro de 2012

The n°1 Ladies' Detective Agency, de Alexander McCall Smith

Às vezes, você senta para ver TV à cabo e passa mais tempo pulando de canal em canal, vendo pedaços disso e daquilo, do que realmente assistindo algo do início ao fim. Até que de repente, uma série prende sua atenção. Você lê as informações e fica pensando: Nossa, algo diferente. Quero ver.

Quando eu vi essa série pela primeira vez (acho que em 2009) na HBO, fiquei... mesmerizada. Que história bonita! 
(Infelizmente só teve uma temporada e foi cancelada. Shame on you, HBO!)


O que eu não sabia na época é que era baseada em uma série de livros homônimos. E imediatamente eles entraram para minha lista de Vou Ler.
Oi, DL 2012, não desisti de você não!

 


Título: The n°1 Ladies' Detective Agency
Editora: Anchor
Em português: Agência n°1 de Mulheres Detetives
Companhia das Letras
Autor: Alexander McCall Smith
Ano: 2002
Lançamento: 1998
Páginas: 235




Localizada na pequena Gaborone, em Botsuana, a Agência n°1 de Mulheres Detetives é dirigida pela obstinada e encantadora Preciosa Ramotswe. Seu lema é ajudar as pessoas a resolver os mistérios em suas vidas.
Entre uma xícara e outra de chá de rooibos, uma erva nativa, ela começa por se ocupar de casos usuais, como os de vigaristas em geral e de mulheres desconfiadas dos maridos. Certo dia, porém, depara com um caso espinhoso relacionado ao desaparecimento de uma criança.
Tendo as colinas azuis do deserto de Kalahari como paisagem cotidiana, Preciosa Ramotswe contraria o pessimismo sobre a viabilidade do seu negócio e, com humor e sensibilidade, transforma sua agência de detetives numa empresa de investigação da alma humana. 

Preciosa Ramotswe, ou Mma Ramotswe, é o tipo de mulher que não tem medo da vida ou do que é lançado em seu caminho. Ela é perspicaz e inteligente, e cheia de um humor ótimo para encarar as pequenas coisas do cotidiano como prisão de ventre (uma das partes mais hilárias da história) e o excesso de peso.
O enredo tem a característica da prosa africana (dos que já li): fragmentos, discurso direto, um pouco de História do continente etc. Pode demorar lá no começo quando o narrador está apresentando as personagens e você fica meio que "cadê a ação?"

Mma Ramotswe tinha uma agência de detetives na África, ao pé do Monte Kgale. Estes eram seus bens: uma pequena van branca, duas mesas, duas cadeiras, um telefone e uma máquina de escrever velha. E tinha a chaleira, na qual Mma Ramotswe - a única mulher detetive em Botsuana - fazia chá de rooibos. E três xícaras - uma para ela mesma, uma para sua secretária e uma para o cliente. O que mais uma agência de detetives realmente precisa? Agências de detetives dependem da intuição e inteligência humanas, ambas coisas Mma Ramotswe tinha em abundância. Nenhum inventário jamais conteria essas coisas, claro. (tradução livre)

Não tem como não rir de alguns casos que passam para ela, ou de suas ações investigativas, todas baseadas no livro que ela lê como treinamento. Mas também tem a parte séria, sobre a política, sobre corrupção, sobre coisas das quais você gostaria que seu país fosse liberto, ou sobre a própria dor que Preciosa Ramotswe carrega consigo.
Todos nós temos sonhos que outras pessoas não conseguem ver e acham que estamos perdendo tempo. Todos nós temos arrependimentos, cicatrizes profundas em nossa alma que nunca vão desaparecer. Todos nós temos o nosso lado maluco e livre. Todos nós temos nossas perdas e tristezas.
Eu e você temos sempre a escolha de  nos tornarmos amargos e morrermos ainda vivos, ou podemos fazer como Ramotswe, não desistir e seguir em frente com bom humor mesmo que você sofra de prisão de ventre.

Você tem suas cicatrizes e seus sinais
(...)
Você tem seus segredos
Você tem seus arrependimentos
Querida, todos nós temos.
(Betty - Brooke Fraser)

Alexander McCall Smith nasceu na Rodésia (atual Zimbábue) na África, mas é de descendência escocesa.

Quase esqueci, minha citação preferida no livro:

Mma Ramotswe não queria que a África mudasse. Ela não queria que seu povo se tornasse como os outros, desalmados, egoístas, esquecidos do que significa ser  um africano, ou pior ainda, envergonhados da África. Ela não seria nada, exceto uma africana, nunca, mesmo que alguém chegasse para ela e dissesse: "Aqui está um comprimido (...). Tome e ele vai te transformar em uma americana." Ela diria não. Nunca. Não, obrigada. (tradução livre, p. 215)

Até a próxima leitura!

21 de novembro de 2012

Blogagem Coletiva Antiestupro



MARCAS
Olhou ao redor à procura de um refúgio, de um alívio e não encontrou. 
O que estava mesmo fazendo ali? Por que viera até aquele lugar?
Sentada à sua frente, uma senhora com o rosto machucado olhou para ela. Havia uma espécie de cumplicidade dolorosa naquele olhar. Desviou os olhos para as próprias mãos que retorciam-se nervosamente.
Seu corpo inteiro ainda dolorido e machucado fazia com que seu desconforto piorasse naquele banco duro e frio.  
Duro e frio como agora estava seu coração.
Por que estava ali?
Sua alma angustiada gritava. 
Teve medo. Mais medo do que antes. Acreditariam nela? O que diria a eles? O que fariam? O que aconteceria depois?
Fechou os olhos.
A dor que a impulsionara estava ali bem dentro dela. E o medo por perto, rondando e ameaçando como uma serpente pronta a atacar.
A dor, o medo e as lágrimas.
Queria sair correndo dali. Não estava suportando mais. Queria fugir, esconder-se de tudo e de todos, principalmente da vergonha marcada em seu corpo. Como conseguiria?
Aquela dor dentro dela, perseguindo-a. 
Por mais longe que fosse, a dor permaneceria, e por mais distante, o medo sempre a espreitaria com seus olhos vorazes e impiedosos.
Mas por que viera até ali?
O medo perguntando, querendo uma oportunidade para fazê-la retroceder. E seu corpo de mulher ainda menina dilacerado implorando-lhe que fosse forte, que fosse até o fim.
E a dor…
O que tinha feito de errado?
O medo aproximando-se…
A culpa estaria em si própria?
O medo aproximando-se…
Seu erro foi amar? Amar com suas forças, com sua vida, com todo seu coração e sua alma? 
Ela acreditou no amor dele. Acreditou que estava segura em seus braços e que com ele jamais se machucaria.
Porém, o cheiro um dia amado, agora estava em seu corpo enojando-a. As mãos antes cheias de carinho, agora só lembravam a dor. A boca dele, o corpo dele contra o seu, forçando-a.
Sua tentativa. Sua luta. Sua derrota.
O corpo dele sobre o seu, destruindo-a, depositando dentro dela a dor dilacerante sem se importar com suas lágrimas, seus apelos desesperados, seus sonhos, sua vida, seu amor.
Machucada. Humilhada. Profanada. Violada.
Desejou a morte daquela dor que resistiu, que persistiu, que a marcou com suas brasas. 
As marcas de sua condição como mulher. As marcas do estigma. As marcas da vergonha. As marcas da humilhação sofrida. As marcas da violência.
“Maria dos Santos.”
A dor que a levou até ali não a faria voltar atrás.
Abriu os olhos ao som de seu nome e encaminhou-se à funcionária que o pronunciara. A mulher pediu que ela falasse. O medo a olhou e ela vacilou. 
Não sabia como dizer. A funcionária olhou dentro de seus olhos encorajando-a.
Ela respirou fundo enquanto, dentro de si, tentou juntar os pedaços de sua alma estilhaçada. 
O medo afastou-se lentamente.
Maria denunciou.
AMG. São Luís, abril de 2004.

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Esse post faz parte da Blogagem Coletiva "Vá se arrumar que hoje vou lhe usar". No dia 25 de novembro, Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra a Mulher, haverá um post de fechamento, com todos os links que participaram. Ainda dá tempo. Participe e divulgue.

Read more: http://www.comtudooquesou.com/#ixzz2CuRZaMsm
Este post faz parte da Blogagem Coletiva Antiestupro "Vá se arrumar que hoje vou lhe usar" promovido pelo Com tudo o que sou. No dia 25 de novembro, Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra a Mulher, haverá um post de fechamento com todos os links que participaram. Participe e divulgue!
Esse post faz parte da Blogagem Coletiva "Vá se arrumar que hoje vou lhe usar". No dia 25 de novembro, Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra a Mulher, haverá um post de fechamento, com todos os links que participaram. Ainda dá tempo. Participe e divulgue.

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Esse post faz parte da Blogagem Coletiva "Vá se arrumar que hoje vou lhe usar". No dia 25 de novembro, Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra a Mulher, haverá um post de fechamento, com todos os links que participaram. Ainda dá tempo. Participe e divulgue.

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19 de novembro de 2012

Hello 2.9!

Daquela viagem
Começo agora a me lembrar
Enquanto eu via
O que eu tinha que deixar
Você tocou o meu ombro e se apresentou

(...)
Ah, saudade você sempre chega
Quando eu já te esqueci
Ah, saudade em breve eu retornarei
E você vai sumir

(Saudade - Sandy Leah)

Que ando em uma semicrise [?] não é mais novidade. Os números na minha data de nascimento não parecem fazer sentido. Foi-se o tempo em que eu era quase sempre a mais nova em grupo de amigos e colegas. Hoje em dia, se duvidar, sou a mais ve... aaaaaaah ...lha.
É estranho porque dentro de mim, aqui na minha cabeça, continuo me sentido como quando eu tinha 20, não 21, 22 é melhor.
Eu ia escrever sobre "quem essa que me olha no espelho", mas esse post mudou radicalmente (antes de ser escrito) por causa de algo que... eu não estava esperando.

Eu AMO fazer surpresas paras as pessoas. Gosto de organizar, de checar os detalhes, de inventar a desculpa e tal. Mas o mais legal mesmo é a cara da pessoa quando finalmente percebe o que está acontecendo. Poder observar em primeira mão a reação da pessoa é o máximo.

Não tive muitas surpresas na vida porque sou naturalmente desconfiada, e geralmente eu descobria as coisas. Mas dessa vez, talvez porque meus reflexos estejam ficando mais lentos por causa das dores nas costas e nas pernas, sei lá, nem por um momento eu imaginei que minha família se juntaria a alguns dos meus amigos e me fariam desidratar com uma homenagem em vídeo no estilo "Arquivo Confidencial" do Faustão.

Então, pronto, "caiu" no Youtube, agora vocês vão saber alguns dos meus segredos, apelidos, e bainha de facão coisas que marcaram esses 28, cof cof, anos de vida. E vão confirmar que ser chorona é hereditário, né?
E gente, eu já disse que amei a surpresa? AMEI A SURPRESA! Amo vocês e pode até não parecer, mas sim, morro de saudade de vocês!!!
Meu agradecimento especial à minha mãe e Maya pela organizacão. Agora preciso de muita água de coco, viu?

PARTE 1

PARTE 2



8 de novembro de 2012

Vale a pena ouvir #3

Ela já é aquela de 30 (33 na verdade!). Quem não lembra daquela menina de 20 e poucos anos, tocando seu piano, toda tímida, quase sem maquiagem e cantando Don't Know Why?
Desde Come Away With Me, eu sou uma fã contida e discreta da Norah Jones. Sim, sou melancólica e amo essas músicas que posso colocar de fundo quando estou fazendo alguma coisa, ou fazendo nada. E gente, assim como eu, a Norah disse uma vez que ela preferia ficar em casa do que ir para festas e por isso, às vezes, ela se sentia uma jovem senhora. [mega blast sorrisão]
Por isso economizei todos os meus centavinhos de professora e fui nas Americanas comprar o Feels Like Home depois. Já o Not Too Late só fui ouvir com calma quando eu já tinha defendido monografia, me formado e viajado; praticamente um ano depois do lançamento.

Porém com The Fall, eu meio que me senti perdida. Ela veio com um som um tanto mais "pop" e cabelo curto que me deixou confusa. E aquela letra de Young Blood que eu não entendo e nem adianta traduzir que não faz sentido nenhum? O que aconteceu, Norah?
Com o tempo superei a estranheza e me apaixonei por aquele jeito de mandar o carinha lá tomar um bom banho e voltar pra mamãezinha em Tell Your Mama. E sim, consegui ouvir o CD todo até cansar.
Amo a sutileza de músicas que falam da dor de perder um amor sem querer morrer e implorar. Talvez por eu ter sido muito dramática durante um período da minha vida, hoje eu gosto das entrelinhas e da volta por cima sem descer do salto. Escândalo pra quê?
Ah, de acordo com a fofoca oficial, esse foi o primeiro CD que saiu depois que o namoro de 7 anos dela com aquele carinha que tocava baixo e também era produtor nos três primeiros CD's acabou. Por que não pode ser fácil, né colega?
Mesmo assim, senti (e ainda sinto) falta do sarcasmo de My Dear Country.

E 2012 trouxe ...Little Broken Hearts

11- Miriam



Assim que saiu o single Happy Pills eu comentei que até a Norah tinha se rendido a essas músicas de dor de cotovelo do momento e que eu não botava muita fé nisso não.
Mas eu ouvi o CD inteiro e, fala sério, que músicas são essas, mulher?
Ela fez com que músicas sobre perda de um amor, traição, relacionamentos que não dão certo, etc, ficassem tão boas que dá até dor na consciência. Ou vai me dizer que uma música sobre um assassinato era pra ser tão legal assim? 

Agora, eu não sou do tipo ciumenta
Nunca fui do tipo que mata
Mas você sabe que eu sei o que você fez
Então não lute
(...)
Quando você estava se divertindo
Na minha grande e bonita casa
Você pensou duas vezes?
(Miriam)

Se puderem vejam o vídeo dessa música acima e reparem naquele olhar da Norah. O mesmo olhar pode ser visto no vídeo de Happy Pills, que é uma música sobre dar a volta por cima e se livrar de um relacionamento que só te leva pra baixo e te faz sofrer. Amei o filmezinho!

Nunca disse que seríamos amigos
Tentando me manter longe de você
Porque você é notícia ruim, ruim.
(...) 
Você quebrou todas as regras
Não vou ser mais a idiota pra você, meu querido (*-*)


Ela canta até sobre ser "trocada" por uma mulher mais nova (deveria ter uma sobre ser trocada por uma mulher mais velha também hehehe)

Ela tem 22
E ela está te amando
E você nunca vai saber o quanto isso me deixa triste
Isso te faz feliz?
(...)
Você vai só jogar fora
Cada palavra que eu disser
Você pode jogar fora.
Ela te faz feliz? 
Eu gostaria de te ver feliz.
(She's 22)

Dá para colocar mais esse CD no play automático e ouví-lo tomando um chocolate quente enquanto a chuva cai lá fora. Para quem está com calor, tome caldo de cana geladinho.
Apenas lembrem que músicas também contêm altas doses de ficção e aproveitem!
Quem mais gosta dela?

5 de novembro de 2012

Quinto bimestre (e penúltimo?) de 2012 - leituras

Nem dá pra acreditar que só faltam mais DOIS meses para o ano acabar! Sério!
De qualquer forma, esses foram os livros do bimestre que fizeram a minha fila de "vou ler" andar lentamente :-p


3 de novembro de 2012

Blogagem Coletiva: "Minha Jornada... Até Agora" - Presentes


Tenho que dizer que AMEI cada texto que fez parte da festa de aniversário por aqui. Adorei a criatividade de vocês que puderam participar com textos tão legais. Teve homenagem a Carlos Drummond de Andrade, teve uma jornada da criação (de um blog), teve jornada descrita com substantivos, teve keep calm and... escreva um post para a blogagem coletiva, e teve jornada de descoberta sobre o tempo que vai e não volta.

Claro, um blog com "memórias" no nome não poderia deixar de celebrar a vida, as lembranças, aquilo que nos faz ser quem somos. E mesmo quando as coisas não aconteceram exatamente como você e eu planejamos, keep calm, não entre em pânico, não podemos deixar de sonhar e continuar essa caminhada de crescimento e amadurecimento (cof, cof).

Não sei se foi coincidência, mas nessa festa de CINCO anos, com CINCO presentes para sortear, CINCO pessoas participaram e essas CINCO pessoas vão ganhar presente \o/
Sei que nem todo mundo gosta do Random, mas vou utilizá-lo para sortear os presentes na ordem em que eles aparecem nesse post AQUI. Ou seja, o primeiro número leva o CD; o segundo e o terceiro um exemplar do livro cada; o quarto e o quinto os "vale-livros".
E o seu número é aquele que aparece no link da sua postagem AQUI.
Combinado?

E os ganhadores foram...







Interrompemos nossa programação por causa de falha técnica em nosso sistema...







Brincadeirinha... Não fiquei sem energia não, apesar de que, eu contei pra vocês as "desaventuras" desses dias de pós furacão "Sêndy"? Não? 






Nossa! É uma longa história, nem sei por onde começo.






Pelo começo? Claro, por que não pensei nisso antes?










Não resisti!












TCHARAM!!!




Por favor, enviem ou confirmem seus endereços pelo email liline.gomes@hotmail.com o mais rápido possível. 
Felipe e Tânia, além do endereço, vocês devem escolher o livro que vocês querem no site betterworldbooks.com (valor de até $5). Enviem o link no mesmo email.
Se vocês quiserem trocar seus respectivos presentes, conversem entre si e me avisem ANTES que eu confirme o envio, certo? ;-)

PARABÉNS!!! E muito obrigada por participarem comigo desses cinco anos de caminhada.

30 de outubro de 2012

Blogagem Coletiva: "Minha Jornada... Até Agora" - Links

O dia chegou! Parabéns para meu bebê e para todos nós que fazemos parte dessa família pequenininha, mas bem aconchegante, onde sempre cabe mais um e mais um e um mais.
Prontos? É hora de mostrar o que a amiga inspiração andou sussurrando.
Antes de começar, atenção:

1- No primeiro campo coloquem seu nome seguido pelo nome do seu blog;
Ex: Aline Gomes - Caminho de Memórias.
2- O campo de email é apenas para identificação, não será exposto aqui;
3- O terceiro campo é para o link da POSTAGEM. Links incorretos (incluindo links que apenas indiquem seu blog e não o post) NÃO serão considerados para o sorteio.

Super fácil, né?
Preparar! Apontar! Fogo!

29 de outubro de 2012

Caso isso aconteça...

À essa altura não é mais surpresa pra ninguém que a irmã gêmea da Irene é tipo a Raquel de Mulheres de Areia, "o cão chupando manga no asfalto quente de meio-dia", e ainda tem nome de cantora brasileira e devassa
Tinha que ser nos dias de celebração do aniversário do blog, né Sandy?
A cidade parou de novo, não devemos sair de casa, devemos ter nossa bolsa de emergência pronta, etc, etc; mas o mais chato é que o risco de ficarmos sem energia elétrica e internet é imenso (tão grande, que em algumas áreas a companhia elétrica vai desligar apenas para garantir).

Caso isso aconteça, e eu não possa "comparecer", o mais importante é que nossa blogagem coletiva para amanhã está confirmada!!! Já programei o post para que vocês possam adicionar seus textos.
Com ou sem energia, vamos celebrar esses 5 anos e 2 furacões!!! Isso não é para qualquer um! 
Então espero todo mundo aqui amanhã (comigo ou "sem migo") e não esqueçam seus chapeuzinhos de festa e textos ótimos sobre nossa jornada... até agora.


É AMANHÃ!!!

13 de outubro de 2012

Blogagem Coletiva: "Minha Jornada... Até Agora"

Há mais de CINCO anos atrás eu não imaginava ter um blog. Por um simples motivo, blog para mim nada mais era do que um diário virtual (e é!) e não fazia sentido já que eu mantinha diário desde os 12 anos. Mas o que fazia bem menos sentido era, por que cargas d'água eu iria colocar meus segredos e sentimentos na internet pra muitas pessoas lerem? 
Eu sempre fui de trancar e esconder meus diários para que ninguém lesse, e não é à toa já que, quando meus irmãos leram "por acidente" a lista dos meninos que eu já tinha gostado, descobriram o nome do vizinho que brincava com a gente e se acabaram de rir --'
Ah, memórias! Elas são boas, nos fazem rir, nos fazem chorar, nos fazem ter a maior crise de vergonha alheia e por aí vai.
E vocês? De vez em quando se deparam com essas memórias direto do túnel do tempo?

Foi pensando nisso, que decidi fazer uma promoção de aniversário com blogagem coletiva.
Quem quer participar?


A proposta é bem simples:
Para participar, basta postar no dia 30 de outubro um texto em qualquer formato (poesia, conto, crônica, dissertação etc) cujo título, baseado no último CD da BarlowGirl, seja "Minha Jornada... Até Agora". O importante é que esteja dentro do tema proposto, como você vai escrever é por sua conta.

Mas, Aline, não tenho blog, e quero participar.
Para quem não tem blog, é só me enviar o texto por email devidamente assinado ANTES do dia 30 de outubro para que você também tenha chance de participar do sorteio.

Sorteio?
Sim, no dia 30 cada autor vai postar o link para seu texto aqui no Caminho de Memórias. Todos os links válidos estarão concorrendo a presentes que serão sorteados entre os dias 31 de outubro & 01 de novembro.

Presentes:
Um CD BarlowGirl "Our Journey... So Far" original;
Dois exemplares do livro "Tesouro Compartilhado";
Dois "vale-livros" de $5 cada para ser usado no BetterWorldBooks (livros usados).

ATENÇÃO: Todas as postagens devem ser disponibilizadas até 23:59h do dia 30. Não esqueça! Venha comemorar comigo e meu fio de cabelo branco!

Hum, bom, qualquer dúvida vocês já sabem, é só gritar (estou com a impressão de que esqueci alguma coisa...).

7 de outubro de 2012

Outubro

Outubro.
É a data em que o blog "nasceu". 
E gente, nasceu na doida sem nenhum planejamento prévio.

Outubro.
É um mês conturbado. 
O dia da dor ofusca as outras datas legais, como o meu dia das crianças, por exemplo.

Outubro.
Cinco, CINCO anos de blog.
Oito anos sem meu pai.
E uma jornada inacabada.

Outubro.
Mais um livro em que participei é lançado.
O sonho tão antigo parece cada vez mais próximo.

Outubro.
Obrigada por fazerem parte desse caminho longo, interessante, tortuoso e cheio de aventuras.
Vamos celebrar esse aniversário juntos?
Quem quer presente?
Aguardem!

3 de outubro de 2012

Não é o blog errado

Vocês estão no lugar certo. E talvez alguém diga "bem vinda de volta". 
Para aqueles mais neuróticos, não morri.
Muita correria nesses dias pós-verão. Alguns dos meus clientes voltaram das férias deles cheios de frescura e exigências. Os intervalos que eu tinha antes (e por isso conseguia ler muitos livros rapidamente) não existem mais. 
Enfim...
 Estive pesquisando vários layouts até que encontrei este que de certa forma simboliza o que o Caminho de Memórias significa para mim. Por enquanto está funcionando, apesar da casa ainda estar um pouco bagunçada. Algumas coisinhas precisam ser retiradas e outras acrescentadas. E tudo isso porque...
Alguém sabe o que acontece no fim desse mês?

16 de setembro de 2012

Not this Time, de Vicki Hinze

Não mesmo.
Um livro de suspense e ação tem que fazer o leitor se sentir dentro da história, de preferência, do começo ao fim. Certo, sei que é pedir demais, mas quando o autor consegue fazer uma vez (Deadly Ties), a gente sempre espera que aconteça de novo.
Porém, aqui as coisas foram bem... mornas.


 Título: Not this Time*
Autora: Vicki Hinze
Editora: Waterbrook Multnomah
Ano: 2012
Páginas: 336


Small town scandal. International terrorist attack. Who among them is the traitor?
 
Sara and Beth have built a multi-million dollar business together, but their once solid friendship is now strained. Beth is leery of Sara’s husband, and when he is kidnapped, authorities consider Beth their prime suspect.
Then, their small town of Seagrove Village is rocked by an act of terrorism, and Beth doesn’t know who to trust. Someone she knows is linked to the attack, but who? Is there a connection to Crossroads Crisis Center? In the midst of the confusion and fear, Beth finds herself attracted to a man from her past. She knows she shouldn’t fall in love with him, but she can’t resist or even explain their bond. As her world unravels around her, she wonders, is it possible to be beyond redemption?



O primeiro capítulo começa muito bem. O detetive Jeff está atrasado para uma cerimônia de casamento. Quando ele entra no salão, TODOS estão no chão. Desmaiados? Mortos? O que aconteceu?
A partir daí a história segue o rumo da Beth e sua melhor amiga Sara e todos os segredos e coisas sinistras que as rodeiam. Sendo que alguém do grupo de amigos e moradores da cidade é um Judas.

#1: A sinopse dá uma ideia falsa sobre o enredo. Beth não é acusada do sequestro de Robert, o detetive Jeff apenas quer confirmar a inocência dela. Fiquei esperando pelo momento em que ela seria acusada e tudo, mas não.
#2: Sara tem um grande papel na história porque afinal, ela sabe de muito mais coisas do que ela deixa transparecer. E não dá pra entender muito bem qual é a dela no início.
#3: Será que a autora "esqueceu" do falso Thomas? Ele é o gancho para o próximo livro da série? Vai ter outro livro? Se sim, por que o epílogo fecha as coisas? O falso Thomas é o Jackal? E o Jackal é alguém do vilarejo assim como Raven? Hã? Hã?

Para quem gosta do estilo da Dee Henderson, Vicki Hinze não fica atrás, mesmo assim eu REALMENTE gostei muito mais do livro anterior, foi mais adrenalizante.



*Recebi este livro gratuitamente da WaterBrook Multnomah Publishing Group para esta resenha.

8 de setembro de 2012

400 anos de São Luís


Descendo tuas ladeiras escuto o batuque
E meu coração batendo no peito
E nas ruas estreitas feitas de pedra
Meus pés me embalam ao som do vento

Meu coração batendo no peito
Encontra beleza nos azulejos
Nas ruas de pedra e nas tuas ladeiras
Minha ilha querida que muito quero.
(AMG, 08 de setembro de 2012)

Eu queria escrever muito mais do que esse pseudopoema. Eu queria que a força do meu desejo e pensamento pudessem alcançar a minha cidade e transformá-la.
Eu queria que todos os corruptos e bigodudos fossem retirados do seu caminho. Eu queria que ela pudesse ser livre de verdade. Livre do jugo, da dor, da violência, da fome, da miséria, da mentira e da falsidade.
Eu queria, e vou continuar querendo, o melhor para a minha cidade.

E mesmo que os sabiás não cantem mais nas suas palmeiras.
E mesmo que as flores de seus campos murchem para sempre.
E mesmo que os passarinhos cessem seu gorjeiar.
E mesmo que nosso céu não tenha mais estrelas e luar.
E mesmo que nossas estrelas não possam mais brilhar.
E mesmo que nossos bosques percam a vida.
E mesmo que nossa vida não tenha mais amores.
Eu nunca vou vou deixar de te amar e de pedir a Deus que não permita que eu morra sem que volte para lá, sem que eu aviste as palmeiras, os casarões e o teu mar.

6 de setembro de 2012

Quarto bimestre de 2012: eu li?

Primeiro eu tive uma ressaca literária que durou pouco mais de uma semana, eu não conseguia ler quase nada a não ser o jornal; em seguida tive uma depressãozinha que me fez ler um livro atrás do outro.
Alguém me entende?
Então vamos às leituras de julho e agosto:


4 de setembro de 2012

E aí?

O povo fala que agosto é o mês do desgosto só porque rima, né?
Bom, então vamos aos fatos: sabe o acampamento do NaNoWriMo
Aquela maldita palavra me atropelou e fugiu de cena sem prestar socorro. Bom pra mim que agora vou processar. A palavra? QUASE! Eu quase consegui, se não fosse pelo QUASE.
Com um pouco mais de 35 mil palavras eu encerrei o mês de agosto. E a culpa é toda minha. Além de desorganizada, eu sou procrastinadora de mão cheia u.u (que coisa feia, dona Aline). Mas ei, eu participei e já entendi como é que funciona o negócio, novembro já está na fila de desembarque. E escrever em inglês não é tão legal quanto parece.
Bom, mas Marisa vai ter esperar um pouquinho porque a Mel quer toda a minha atenção agora. Afinal, esse livro 1 tem que sair antes dos meus 30 anos!

Obrigada pela força e torcida!

29 de agosto de 2012

Running for my Life, de Lopez Lomong

 Quando o difícil se torna impossível



Título: Running for my Life*
Autor: Lopez Lomong
Editora: Thomas Nelson
Ano: 2012
Páginas: 240


A inspiradora história real de Lopez Lomong, um menino perdido sudanês que realizou seu sonho de se tornar um cidadão americano e um atleta olímpico.

Ele foi sequestrado. Ele apanhou. E quase foi forçado a tornar-se um menino-soldado em seu país natal assolado pela guerra, o Sudão. Mas ele escapou à noite, correu por três dias e chegou a um campo de refugiados no Quênia. Ele nunca teve um par de sapatos. Ele nunca teve uma caneta ou papel e fazia suas atividades escolares na poeira com os dedos. Sua infância foi a luta diária de um órfão, e todos os dias ele corria dezoito milhas ao redor do campo apenas para jogar futebol.
Nem em seus maiores sonhos, Lopez Lomong podia imaginar que a Nike seria um dia seu patrocinador oficial, que ele se formaria na faculdade e que ele representaria seu novo lar e carregaria a bandeira americana nas Olimpíadas.
Running for My Life é a pungente história de perda, superação, triunfo e redenção de Lopez Lomong. É a uma-só-vez-na-vida história de um garoto sudanês que se tornou um cidadão americano e atleta olímpico. Sua vida é uma imagem poderosa do fato de que podemos superar, que o que parece longe do nosso alcance pode estar perto se acreditarmos e somente tentarmos.
Uma história de fé e uma história que captura o melhor da humanidade, Running for My Life vai prender seu coração e inspirar esperança nos que escutarem em todo lugar.


Felipe escreveu sobre viver na ignorância e ele tem um ponto válido, mas será que isso é realmente possível? Viver na mais completa e absoluta ignorância?
Creio que nessa era em que as informações simplesmente voam virtualmente em questão de segundos, é algo ABSOLUTAMENTE impossível. A não ser que eu cancele a internet e jogue a TV no lixo (o povo aqui joga TV boa no lixo). Mas outros passos são necessários para efetuar essa façanha: é melhor que eu não trabalhe com outras pessoas senão sempre tem alguém para fofocar sobre: 1) A celebridade que acabou de se divorciar; 2) A roupa que a amiga da tia da vizinha da Fulana estava usando na festa de casamento do filho da irmã do sobrinho da cunhada do Beltrano; 3) Quantas mortes apareceram no Bandeira 2 (ainda existe?) de manhã cedo; 4) Quantos quilos o Cicrano perdeu utilizando Herbalife; e 5) Quem ganhou o campeonato de porrinha na rua de baixo (ou de cima).

Meu ponto é esse mesmo: Informação, informação e mais informação. O filtro do meu antivírus mental não aguenta o excesso de dados e começa a falhar. Eu começo a falhar e falar asneira. Eu não sinto mais nada porque não posso fazer nada pelas crianças desnutridas do sertão nordestino e das favelas.
Falhei como ser humano e decido me mudar para a ilha do Náufrago e fazer companhia para o Wilson, tadinho, ele é que é feliz e não sabe.

Aí eu me deparo com um livro com uma biografia escrita em um estilo bem simples, mas com uma história que me fez pensar (sim, pelo menos ainda temos a liberdade de fazer isso). E pronto, simplesmente não dá mesmo pra viver sem saber o que está acontecendo ao meu redor e do outro lado do mundo.
De repente aquele vestido e sapatos novos que vi na loja não parecem mais tão importantes.
O fato de eu estar comendo frango pela vigésima vez na mesma semana deixa de incomodar.
De repente não consigo mais deixar aquele restinho de arroz e feijão no prato sem me sentir culpada.
Minha cabeça se enche de imagens.
Imagens de crianças vivendo com racionamento de alimentos e água em um campo de refugiados do Quênia.
Imagens da felicidade que o lixo semanal proporciona porque é a única forma que eles tem de comer algo diferente, aproveitando os restos de outras pessoas.
De repente aquele sonho de ter uma casa e uma carro parece nada comparado com o sonho de uma criança africana.
O sonho de retornar para sua família da qual ele foi sequestrado. O sonho de estudar em uma escola de verdade e ter um caderno e lápis para não escrever mais no chão de terra. O sonho de ter uma bola de futebol.

Quer dizer, na vida de Lomong o que já era difícil se tornou impossível e ele poderia muito bem ter se tornado um revoltado, amargurado, cheio de ódio. Ele poderia ter se tornando apático e sem vida. Ele poderia ter feito qualquer outra coisa, menos sonhar. Diante de suas circunstâncias, sonhar foi tudo que lhe restou.
A história de Lopez Lomong é a de muitas outras crianças no Sudão, na Ruanda, em todo lugar. A diferença se fez no momento em que uma oportunidade apareceu e ele a aproveitou. Contra todas as probabilidades, Lomong não apenas encontrou um lar, mas fez de seu passatempo a sua porta de entrada no esporte e consequentemente em sua carreira e mudança de vida. 
Infelizmente, a oportunidade que Lomong teve não aparece o tempo todo para todos. Mas nem por isso eu deixei de me perguntar: O que estou fazendo com as oportunidades que aparecem para mim? Talvez a minha oportunidade não é a de me tornar uma atleta, ou cidadã americana, ou ter um salário estratosférico; mesmo assim, o que tenho feito com as minhas oportunidades? E vocês?

E agora que tenho visto, sou responsável.
Fé sem obras é morta.


*Recebi esse livro gratuitamente através do Programa BookSneeze®  especificamente para esta resenha.

27 de agosto de 2012

Thinner (A Maldição do Cigano)

TERROR / HORROR / SOBRENATURAL




Título: Thinner
Autor: Stephen King escrevendo como Richard Bachman
Editora: Penguin
Lançamento: 1984
Edição lida: 2009


When an old gypsy man curses Billy Halleck for sideswiping his daughter, six weeks later he's ninety-three pounds lighter. Now Billy is terrified. And desperate enough for one last gamble... that will lead him to a nightmare showdown with the forces of evil melting his flesh away.


[Gente, não desisti do NaNoWriMo, mas depois do post sem noção da Isaura eu tinha que vir aqui. Ignorem essa maluca!]

Esse livro não me assustou. Me deixou preocupada como iria acabar sim, mas susto mesmo eu não tive.
É tão diferente ler os livros do King sob um olhar adulto agora. Definitivamente vou reler os meus preferidos da adolescência e checar se vou sentir a mesma coisa (provavelmente não).
Para quem já é acostumado com a narrativa do Stephen King não vai achar tanta diferença assim: suspense psicológico super forte misturado com sobrenatural.

Se há algo que Thinner vem confirmar (e pra entender a tradução do título para o português) é a má reputação dos ciganos ao redor do mundo. Não sei se tudo que falam é realmente verdadeiro, mas nunca vi ninguém falando bem de ciganos, a não ser na novela da Glória Perez, Explode Coração. Ah, e tem aquele filme super triste e cheio de bobiça com o Johnny Depp e a Christina Ricci, The Man Who Cried (Por que Choram os Homens).
O certo é que o povo diz um monte de coisa (ruim) sobre os ciganos, especialmente para assustar crianças.

Claro que Bill, um americano branco de classe média alta, não seria diferente. E para não se sentir culpado pelo acidente, ele culpa os ciganos por terem vindo para sua cidade, ele culpa a cigana idosa por não ter atravessado na faixa de pedestres, ele culpa sua esposa por [CENSURADO]. Com isso, sua maior raiva acaba sendo direcionada aos que estavam envolvidos na situação, mesmo que indiretamente.
O ciclo de ação-consequência-ação se forma, enquanto isso Bill não sabe o que fazer com o peso que ele está perdendo sem fazer nenhum tipo de dieta. Lentamente.

Como a história acaba? Bill vai conseguir reverter a maldição do cigano?

O final é bem naquele estilo "kinguiano", termina no meio de uma ação e você fica com cara de O.o.

Até a próxima leitura (ou tema)

25 de agosto de 2012

Dicas de beleza da Isaura #1

Ela está ali desesperada, arrancando os cabelos na frente do computador. Pior é quando ela começa a falar sozinha. Alguma coisa sobre apenas alguns dias e não estar conseguindo alcançar a cota de palavras.
Daí ela grita comigo e com quem estiver por perto
Agora ela está repetindo 33 mil, 33 mil.
Saí de perto, ficou me chantageando e agora me ameaçando para que eu escreva algo no blog, para que seus leitores não se sintam abandonados.
Na hora de ficar curtindo com a minha cara ela não lembra disso.

Escolhi meu assunto mais "despreferido" de todos os tempos: Dicas de beleza.

ROSTO: Lave com água e sabão todos os dias. (sabão de coco é neutro, mas serve qualquer um em pedra [ou sabonete]. Só não vão lavar a cara com sabão em pó e depois me processar).

CABELO: Cabelo que dá trabalho é só mandar cortar. Melhor ainda, raspa logo e pronto. Você vai economizar MUITO dinheiro.

PELE: Para hidratar é só usar óleo de peroba mamona ou qualquer outro tipo de óleo vegetal. Até o de cozinha serve.

Depois me digam os resultados, viu?

Assinado: ISAURA

17 de agosto de 2012

Long Lankin, de Lindsey Barraclough

TERROR / HORROR / SOBRENATURAL




Título: Long Lankin
Autora: Lindsey Barraclough [como pronuncia?]
Editora: Random House
Ano: 2011
Páginas: 455 [Oo]


 Beware of Long Lankin, that lives in the moss. . . .When Cora and her younger sister, Mimi, are sent to stay with their elderly aunt in the isolated village of Byers Guerdon, they receive a less than warm welcome. Auntie Ida is eccentric and rigid, and the girls are desperate to go back to London. But what they don't know is that their aunt's life was devastated the last time two young sisters were at Guerdon Hall, and she is determined to protect her nieces from an evil that has lain hidden for years. Along with Roger and Peter, two village boys, Cora must uncover the horrifying truth that has held Bryers Guerdon in its dark grip for centuries -- before it's too late for little Mimi. Riveting and intensely atmospheric, this stunning debut will hold readers in its spell long after the last page is turned.

É, geralmente eu fico vários dias pensando sobre os livros de terror que leio (quando leio), mas nesse caso eu já estava era cansada de tão, tão longo que Long Lankin é. Tá certo que algumas partes são imprescindíveis, mas certas coisas não adicionaram nada à história, como por exemplo quando eles estão tomando sorvete. Nada acontece por causa daquele momento, a não ser que Cora estivesse pensando em como era legal ter uma família "normal".

Agora, pegue uma cidade do interior da Inglaterra em 1958, uma casa isolada em uma colina, uma igreja semi-abandonada, um cemitério e superstições. Adicione crianças como protagonistas e, voilá, você tem o enredo de Long Lankin.
E para aqueles que acham que é apenas no Brasil que as histórias e canções infantis são assustadoras, a cantiga sobre Long Lankin (versões encontradas na Escócia, Inglaterra e Estados Unidos) prova o contrário. É tão aterrorizante para as crianças quanto a Cuca, o Saci e o boi da cara preta.
As versões variam, mas é sobre o assassinato de uma mulher e seu filho bebê, cometido por um homem, ou um demônio, ou um monstro.
No livro a autora decidiu ficar com a versão de que Lankin era um homem muito alto que sofria de lepra, e após cometer o assassinato do bebê com a ajuda da ama do mesmo, considerada uma bruxa, ele foi enforcado depois que a bruxa-ama foi queimada na fogueira. Um padre decide dar um enterro "decente" a Lankin, mas acaba lhe proporcionando a imortalidade sem saber. Com isso, ao longo das décadas, Lankin precisa de crianças pequenas para continuar sobrevivendo.

Cora precisa salvar sua irmãzinha Mimi, já que Lankin começou a caçá-la. O problema é que ela não faz ideia do que realmente está acontecendo e sua tia que sabe a verdade não parece muito disposta a esclarecer nada.  
Será que Mimi vai se tornar mais uma das muitas vítimas de Long Lankin ou Cora vai descobrir a verdade a tempo de salvá-la?

"Meu senhor disse à minha senhora ao montar em seu cavalo
'Tenha cuidado com Long Lankin que vive no musgo'
(...)
Que todas as portas sejam trancadas e todas as janelas parafusadas
E não deixe nem mesmo um buraco para um rato passar
(...)
Vamos afinetá-lo, vamos alfinetá-lo por todo o corpo com uma agulha
(...)
Então ele o alfinetou, ele o alfinetou por todo o corpo com uma agulha
E a ama segurou a bacia para que o sangue caísse dentro
(...)
Aqui tem sangue na cozinha, aqui tem sangue no corredor
Aqui tem sangue nas escadas onde minha senhora caiu."
(Tradução livre de trecho da canção)

Eu hein, prefiro o boi da cara preta, me assusta bem menos que isso aí. 
E vocês, já ouviram falar sobre Lankin? Qual canção infantil assustadora vocês costumavam cantar e/ou ouvir?

Até a próxima leitura!

11 de agosto de 2012

As Pequenas Coisas*

Simplicidade.
Gosto dessa palavra, do seu significado e do que ela representa. Porém, a simplicidade corre risco de extinção, talvez não dos dicionários, mas definitivamente das nossas vidas.
Viver em nosso século, é viver no mundo da correria, do instantâneo e do descartável.
“Não tenho tempo”, é o que mais sai de nossos lábios.
Viver em Nova York – assim como em qualquer outra cidade grande do mundo – nos transforma porque estamos sempre correndo.
Correndo de casa para o trabalho, do trabalho para casa. Correndo contra o relógio. Correndo (e empurrando) para pegar o metrô. Correndo, correndo, correndo sem tempo.
Sem mencionar o mal humor que apossa-se de nós já nas primeiras horas da manhã, entre tantas outras coisas.

Mas, um dia, entre tantas faces desconhecidas que vejo na minha correria diária, a dela me chamou a atenção, me fez olhar pela segunda vez.
Ela, uma desconhecida esperando por um táxi. Eu, uma estranha que se aproximou.
As lágrimas que caíam dos olhos daquela jovem me prenderam e tive que fazer a pergunta rasa, “Você está bem?”
Surpresa e honestidade em sua resposta, “Não.”
De repente, meus braços estavam ao redor dela. Um abraço rápido e silencioso, porém verdadeiro.
O que eu poderia ter dito?
Nada. Eu não a conhecia e não fazia ideia de qual seria o problema.
O que eu tinha a oferecer?
Apenas um abraço simples (talvez insignificante para alguns), uma coisa pequena.
Agora éramos duas desconhecidas surpresas por causa do que tinha acabado de acontecer.
“Eu realmente estou tendo um dia ruim.” Ela disse, enxugando as lágrimas. “De onde te conheço?”
Eu sorri, “Eu nunca te vi antes.”
Mais surpresa em seu rosto, “Você parece tão familiar.”
Um táxi finalmente parou e ela agradeceu. Eu disse que Deus a abençoasse. Depois percebi que eu não tinha perguntado seu nome. 

Voltei a caminhar e comecei a orar por ela. E foi quando aquela sensação de leveza me invadiu.
A jovem desconhecida era quem estava enfrentando um dia difícil, mas fui eu que aprendi uma lição e me senti confortada.
Aprendi que, às vezes é bom diminuir o ritmo e olhar ao redor porque Deus manifesta-se nas pequenas coisas da vida. Com simplicidade.

Por que demoramos tanto para perceber?



*Crônica originalmente publicada na edição n° 249 do Jornal O Mensageiro 7.