30 de abril de 2012

Never Let Me Go (Não Me Abandone Jamais), de Kazuo Ishiguro

 ESCRITOR ORIENTAL

 
Tïtulo: Never Let Me Go
Título no Brasil: Não Me Abandone Jamais
Autor: Kazuo Ishiguro
Editora: Vintage Books
Ano: 2005
Páginas: 288


Às vezes nos deparamos com uma leitura tão devagar quase parando que não nos envolve, assim como aconteceu com o livro da minha resenha anterior. Mas às vezes, uma leitura lenta pode te segurar quando você menos espera.
Never Let Me Go é assim. Um livro melancólico e monótono que incrivelmente não foi tedioso. Minto, algumas vezes foi tedioso sim, mas eu queria, precisava saber o que aconteceria com Kathy, Tommy e Ruth.

Acredito que a "jogada de mestre" de Ishiguro foi a forma narrativa. Não estou me referindo à 1° pessoa que muitas vezes limita nossa interação com uma obra em totalidade. Não, o que percebi é que o autor, através de Kathy, "puxa" o leitor para dentro do enredo e sem querer querendo nos tornamos um personagem também.
Talvez eu estivesse apenas "viajando na maionese", mas toda vez que Kathy dizia: "Não sei como é onde você cresceu, mas em Hailsham era assim, etc etc"; ou então ela dizia algo como: "Você sabe como são os procedimentos, etc, etc"; eu me sentia um deles e era comigo que ela estava conversando, olho-no-olho, face-a-face, tomando um cafezinho, ou nesse caso chá, já que a história se passa na Inglaterra.

Quanto mais eu me aproximava do fim, mais eu me inquietava. O pior de tudo é que eu vi o filme antes de acabar o livro (não aconselho muito) e portanto, eu sabia o que viria. Mesmo assim não pude parar de questionar: Por que eles não se rebelam? Por que não lutam contra esse sistema? Por que eles não fazem nada para impedir esse destino cruel (pelo menos tentar)? Por quê? Por quê?

Sou o que está machucado
Sou o ferido
Sou o pobre
Tenho sido usado
(Song for the broken - BarlowGirl)

E quando finalmente Kathy e Tommy compreendem exatamente o que, quem eles são, minha vontade foi chorar. Chorar por aqueles que não têm chance de escolher, não têm chance de decidir, não têm chance de mudar e não podem transformar o mundo ao seu redor. Seja na ficção ou na realidade. 
Lembrei de um livro que resenhei no Desafio Literário 2011, A Titanium Smile. As pessoas nesse livro tinham suas memórias apagadas exatamente pelo mesmo motivo que Kathy e os outros existiam na Inglaterra, mas lá esse procedimento era necessário para que os "clones" não se rebelassem. Em Never Let Me Go é diferente, eles sabem exatamente o que são e para que existem e estão conformados com isso.
"(...) Vi um mundo novo chegando rapidamente. Mais científico, eficiente, sim. Mais curas para doenças antigas. Muito bom, mas um mundo severo, cruel. Vi uma garotinha, (...) segurando em seu peito o bondoso mundo antigo, um que ela sabia em seu coração que não poderia permanecer, e ela o estava segurando e implorando para não abandoná-la jamais." (Tradução livre. Pág. 272. Grifo meu)

NÃO DEIXE DE LER TAMBÉM:
Não Me Abandone Jamais - Free To Be Me

Até o próximo tema!

26 de abril de 2012

Snow Country (O País das Neves), de Yasunari Kawabata

ESCRITOR ORIENTAL

Não tenho a mínima ideia do que as pessoas estão falando quando se referem a esse livro. Ou talvez eu seja inculta mesmo e não saquei qual foi a do autor. 
Pior que não, eu saquei qual foi a do autor, o problema é que não me prendeu, não me fez continuar virando as páginas para saber o que iria acontecer (ainda bem que é um livro com menos de 200 páginas), apenas continuei lendo só para acabar, mas sem nenhuma emoção para compartilhar com os personagens. O que é uma pena. 
O que mais me alarmou foi que eu quase abandonei! O.o 
Porém meu orgulho predominou. Como eu iria explicar para mim mesma o motivo de ter abandonado um livro tão pequeno? Já li coisas piores (com muito mais páginas até) e fui até o fim, mesmo que tenha sido para nunca mais dar outra oportunidade (seja ao livro e/ou autor).
Não estou aqui tirando o mérito desse autor específico nem de seu trabalho, mas como leitora inculta que sou, dificilmente eu vá ler de novo. Talvez eu tente uma outra obra... em um futuro distante.


Título: Snow Country
Título no Brasil: O País das Neves
Autor: Yasunari Kawabata
Editora: Vintage
Ano de lançamento: 1956
Páginas: 175



Shimamura is tired [Oo] of the bustling city. He takes the train through the snow to the mountains of the west coast of Japan, to meet with a geisha he believes he loves. Beautiful and innocent, Komako is tightly bound by the rules of a rural geisha, and lives a life of servitude and seclusion that is alien to Shimamura, and their love offers no freedom to either of them. Snow Country is both delicate and subtle, reflecting in Kawabata's exact, lyrical writing the unspoken love and the understated passion of the young Japanese couple. 


Shimamura e Komako é um casal que não me agradou, e confesso que é difícil compreender a ligação deles. Tá certo que tenho que olhar a questão cultural e as tradições, mas com licença, será que Shimamura iria gostar que a esposa dele saísse pelo país afora dormindo com outros homens??? 
Com isso, quem me conhece, já sabe que ele é o tipo de homem que eu mais desprezo. Ele é casado, tem filhos até, mas vive viajando... sozinho. Parece que ele herdou muito dinheiro e por isso não trabalha. Na verdade, em minha humilde opinião, ele não faz nada de útil na vida dele. #prontofalei
Komako é um mistério, e para completar tem tendência ao alcoolismo e transtorno obsessivo-compulsivo. Eu fiquei triste por ela, porque gostar de um homem como o Shimamura é roça e ninguém merece.

Eu já esperava pela melancolia que é tão presente na literatura asiática, mas a monotonia da história foi tão tediosa que, como já disse anteriormente, eu estive a ponto de abandonar a leitura. Eu também disse no SKOOB que até a paisagem gélida era mais interessante do que a interação entre os personagens; e quem conhece lugares extremamente frios sabe a desolação que é. Na verdade, agora que estou parando para organizar meus sentimentos em palavras escritas, quando o narrador mostra a paisagem, existe uma poesia muito forte, mesmo que seja apenas para descrever o frio e a neve. Essas foram as partes em que observei o lirismo dessa obra.

Ah, e sobre o título: na Introdução da edição que li (1996), explica que no inverno, fortes ventos da Sibéria captam umidade no mar do Japão que caem em forma de neve nas montanhas da Costa Oeste do país, e provavelmente essa região é a que mais neva no mundo inteiro, acumulando quase 5 metros de profundidade...

Bom, não vou dizer que não leiam, mas se o fizerem, gostaria de saber a opinião de vocês. E quem já leu???

Até a próxima leitura (ou tema)!

25 de abril de 2012

Blogosfera Antiplágio

Hoje nem dá mais pra inventar desculpas sobre esse assunto. Plagiar é que nem piratear, só é pior porque é se apropriar de uma ideia ou texto de outra pessoa e dizer que é seu. Isso é roubo e safadeza das grandes!!! 
Então, tome tento e junte-se a nós!


Então é assim: você pega aquele seu livro bacana da estante. Abre, começa a ler. Presta atenção em todos os detalhes, cola post-its, faz anotações. Pensa em como aquela frase vai fazer o maior efeito na sua resenha. "Poxa, acho que os leitores vão gostar disso". Às vezes, você embarca na história. De outras, deixa até mesmo o seu prazer de lado para pensar em como vai apresentar sua opinião aos leitores do seu blog. Aí você, incauto blogueiro, termina a leitura. Pega seu livro, seu caderninho de anotações, seu arquivo com notas, o que seja; e vai para a frente do computador. Passa umas boas duas horas pensando em como irá traduzir em palavras o que sentiu durante a leitura. Se não usa a sinopse oficial do livro, gasta mais duas horas escrevendo uma sinopse personalizada, tomando aquele cuidado especial para não colocar nenhum spoiler.
Então vem a fase de revisão. Você lê, relê. Muda frases de lugar, ajusta conceitos. Reformula ideias. Talvez apague tudo e recomece. Afinal, você é um blogueiro responsável. Quer que seu texto saia o melhor possível, que os leitores puxem lencinhos e se emocionem com você, ou que leiam e riam porque você também riu lendo aquele livro. E você procura imagens. Capas de várias edições pelo mundo. Imagens em gif que traduzam seu surto ao ler aquela história. Trilhas sonoras que acompanharam sua leitura. Imagens que ilustrem o quanto você foi afetado pelo que o autor te contou naquelas páginas.

Quem sabe você não seja tão perfeccionista e só escreva seu texto, tomando o cuidado de ver se não tem nenhum errinho. Tudo bem. Deu trabalho do mesmo jeito escrever as coisas da melhor maneira que você sabia. Tudo isso te custou tempo. Aquele espaço entre seus dois empregos. Suas horas de folga que podiam ser empregadas em outras formas de lazer. Minutos e mais minutos madrugada adentro, em que você poderia estar dormindo. O drama pode parecer exagerado, mas muitos blogueiros deixam o lazer e o sono de lado pra manter o blog! Mas você ama ler. E ama seu blog. Ama escrever e ama o que faz  e é por isso que você está ali, persistente. Criando seu próprio conteúdo. ...Tudo isso para vir um babaca chupinhador e roubar seu trabalho suado de horas em alguns poucos segundos, postando aquilo que você deu o sangue pra criar como se fosse dele. SEM CRÉDITOS. Enganando a todos: aos leitores, que nem sempre sabem do que o kibador é capaz; às editoras e autores que inadvertidamente fecham parcerias com tais blogs... e a ele(a) mesmo(a), que anda por aí achando que ninguém percebe a grande e robusta mentira que é.

PLÁGIO É CRIME. É ANTIÉTICO. RESPEITE O TRABALHO DE QUEM CRIOU O CONTEÚDO. QUER MANTER UM BLOG? ESCREVA VOCÊ MESMO! (Ou fique na sua, que é melhor pra todo mundo. E mais respeitoso também.)
Esse post é parte de uma postagem coletiva contra o plágio na blogosfera. Acesse o site "Blogosfera Anti-Plágio", saiba mais sobre o assunto e veja quem mais apoia essa causa.

21 de abril de 2012

When Work & Family Collide, de Andy Stanley

VOCÊ SEMPRE VAI ENGANAR ALGUM DOS DOIS LADOS!
Isto dito, não entre em pânico!


Título: When Work & Family Collide*
Autor: Andy Stanley
Editora: Multnomah
Páginas: 145
Ano: 2011



Is Your Occupation Also Your Preoccupation?
Let’s face it.  With all the demands of the workplace and all the details of a family it’s only a matter of time before one bumps into the other.  And many of us end up cheating our families when the commitments of both collide.  In this practical book, Andy Stanley will help you...
• establish priorities and boundaries to protect what you value most.
• learn the difference between saying your family is your priority and actually making them your priority.
• discover tested strategies for easing tensions at home and at work.
Watch as this powerful book transforms your life from time-crunching craziness to life-changing success.
Includes a four-week discussion guide
Previously released as
"Choosing to Cheat".


Falando sério: Aparentemente, esse livro é para pessoas que já têm família (cônjuge, filhos e agregados) e ao mesmo tempo tem uma carreira "sugadora" de forças e energias...
Como eu disse, aparentemente. O livro serve para quem quer que seja que precisa aprender a usar seu tempo de forma inteligente e saudável. Porque não são apenas os recém-casados ou os pais com filhos recém-nascidos que enfrentam a temível pergunta: Como podemos ser bem sucedidos sem sacrificarmos nossos relacionamentos com aqueles mais próximos de nós (lê-se: família)???

Se ele apenas pudesse fazer tudo de novo
E trocar todas as longas noites que ele desperdiçou atrás da mesa de trabalho
Por tudo que ele perdeu.
Ele diz para sua esposa, eu queria que esse momento nesse quarto
Não fosse eu morrendo, mas apenas passando um pouco de tempo com você.

O que mais gostei sobre esse livro (e que prova que auto-ajuda, em 90% dos casos, é balela) foi o fato de que o autor é bem sincero ao afirmar que muitas vezes não é desorganização, ou uma agenda que precisa ser seguida à risca, ou que sua família exige muito tempo de você. Não! O fato é que não existe tempo suficiente para fazermos tudo aquilo que acreditamos (ou nos fizeram acreditar) que precisa ser feito. Por isso não tem como evitar: trabalho e família vão colidir mais cedo ou mais tarde, de uma forma ou de outra. CABUM!!!

Você só tem uma oportunidade para viver
Você só tem uma chance nisso
Uma chance de descobrir o que você não quer perder
Um dia quando tudo for dito e feito
Espero que você veja que foi o suficiente
Essa única caminhada, única tentativa
Uma vida para amar.

Ele fala sobre algumas estratégias utilizando exemplos reais de pessoas que conseguiram salvar seus casamentos e famílias antes que fosse tarde demais. E também, exemplos daqueles que não conseguiram porque os rancores e as mágoas criaram raízes tão profundas que foi impossível removê-los.
As estratégias não são uma "lista do que fazer" nem nada disso, são apenas mudanças de atitudes e comportamentos.
Como eu disse no início, não tem como fugir da pedra no caminho de Drummond, as mudanças que precisam ser feitas não são fáceis, porém o que realmente interessa é o que vai valer mais quando chegarmos ao fim das nossas vidas.
"Ninguém chega ao fim da vida e deseja que tivesse passado mais tempo no escritório. Você não vai ser o primeiro." (pág. 132)

E você? O que você quer alcançar/conseguir quando chegar ao fim de sua caminhada nessa vida? Como você lida com as ocupações do dia-a-dia e como sua família se relaciona com isso?

Música: One Life to Love - 33 Miles.

Deixe sua nota abaixo. Obrigada!

*Recebi este livro gratuitamente da WaterBrook Multnomah Publishing Group para esta resenha.

14 de abril de 2012

Vale a pena conferir: "October Baby"

Clique AQUI para detalhes
Não vou tentar adivinhar qual vai ser o título desse filme no Brasil, já que Sarah's Choice virou Decisão de Uma Vida. Mas só para esclarecer o título "Bebê de Outubro" faz sentido ao assistir o filme. Porque eu estava me perguntando qual era a razão de lançarem um filme de Outubro em Março...

Agora vamos conversar sobre um negócio muito sério: isso de alguns pais adotivos não contarem a verdade para os filhos adotados sempre dá confusão e não é diferente com a família Lawson. Segredos escondidos mais cedo ou mais tarde vêm à tona e então a falta de confiança, as brigas, a raiva e os ressentimentos só se acumulam. Vai tentar desfazer essa confusão e você vai ver que é muito difícil. Concordam?

Assim começa o filme: Hannah descobre que é adotada e que seus problemas de saúde estão relacionados com o fato de que ela nasceu prematuramente após uma tentativa de aborto. Só que ela NÃO sabia de nada disso! Se fosse Aline estaria pirando nessa parte.
Então Hannah parte numa viagem em busca da verdade e das respostas sobre seu passado obscuro, porém mais do que isso, ela quer se encontrar. E ninguém pode negar isso a outra pessoa, né?

"Eu quero me encontrar!"
"Já achou o endereço?"

Essas são as coisas
Que nos fazem sentir vivos
Esses são os tempos
Que nos fazem perceber
A vida é bela


Amei a inclusão das histórias paralelas no filme, tem o relacionamento entre Hannah e Jason (apenas amigos ou algo mais?), tem namorada ciumenta e antipática, tem um núcleo cômico com a participação de um clone mais novo do Luciano Huck e outro do Hugo "Hurley" de Lost, tem praia e tem uma kombi!!!
Ah, tá, tem o pai do Clark Kent de Smallville e tem o Javier de Courageous (pra ninguém ficar com ciúme).
Pronto. Citei tudo que queria?

Não vou jurar nem prometer, mas eu nem sabia que esse assunto estava sendo tratado no Brasil quando comecei a escrever esta resenha (acho que mais ou menos há um mês atrás). Coincidência?
E aqui não interessa se você é pró-vida ou a favor do aborto. Se os bebês pudessem falar e se defender, eu até me calaria (e até já escrevi isso em outro post), MAS até que nosso mundo vire uma ficção científica para que isso aconteça e os bebês possam se comunicar com seus pais antes de nascerem; é necessário lembrar que em uma discussão sobre o assunto (que muitas vezes se transforma em brigas e ofensas de cunho pessoal e religioso - vide o que aconteceu (ou está acontecendo. sei lá) no twitter durante a votação do STJ) os bebês não-nascidos são os únicos que não podem opinar. E é malzão, já que tem pai que dá cada nome estranho pros filhos e eles só podem trocar na maioridade, tadinhos, até lá já sofreram tudo que tinham que sofrer.

Meu povo, apenas lembrem que um "Eu te perdôo" é muito poderoso quando é verdadeiro. Depois de muita dor e mágoa, a Hannah do filme vai aprender isso. A gente aqui de fora com outras dores e mágoas também pode aprender.
Ah, e quando puderem ver esse filme, não desliguem antes dos créditos rolarem ;-)

O trailer oficial no Youtube AQUI (não encontrei legendado ainda).

11 de abril de 2012

Georgic Stories, de Mariko Nagai

ESCRITOR ORIENTAL




Título: Georgic Stories
Autora: Mariko Nagai
Editora: BKMK Press
Ano: 2010
Páginas: 163



Os autores asiáticos que tive oportunidade de ler, assim como os filmes de mesmo cunho que vi até hoje, possuem uma melancolia tão dolorosa que me arrancam lágrimas e deixam minha alma pesada, sofrendo e angustiada.
Não foi diferente com o livro de Nagai. Georgic é composto por narrativas curtas, mas que carregam todo um peso emocional difícil de esquecer.
A temática variada, possui uma invariável: a relação do homem com a terra em diferentes Eras da História Japonesa.

O título do livro vem da expressão Geórgicas, quatro livros que foram escritos por Virgílio e se caracterizam pelo tema da agricultura. Em outras palavras (as minhas), sabe Os Lusíadas? Uma história em poemas? Pois é, essa é uma das principais características dessa forma de narração.

A autora não utiliza o mesmo recurso o tempo todo, e nem são prosas poéticas quase impossíveis de  ler. As histórias são rápidas e muitas vezes não providenciam nem mesmo o nome dos personagens, mas você sabe que eles são reais, e que até mesmo poderiam ser você mesmo.

  • Grafting (Enxerto): Uma vila sofrendo com a falta de chuvas e consequentemente a falta de alimentos tem que abandonar os idosos nas montanhas para que a comida possa render para os que ainda podem trabalhar. (Baseado no conto popular japonês "Ubasute-ya-ma" (A Montanha Onde Você Abandona Sua Velha Mãe).
  • Autobiography (Autobiografia): O desespero de uma mãe que numa tentativa de salvar a vida da filha, a vende na fronteira. (Baseado nas condições de vários colonos da Manchúria no fim da Segunda Guerra Mundial, quando a União Soviética quebrou seu tratado com o Japão e atacou a fronteira da região, e esses colonos foram abandonados à própria sorte).
  • Bitter Fruit (Fruto Amargo): A única protagonista do livro que tem um nome, Macaca, é uma jovem feia vendida à prostituição pelos pais para escapar da miséria de sua vila natal.
  • Confession (Confissão): Uma mãe viúva é presa por um crime que ela não faz ideia qual é. (Baseado nos julgamentos de crimes de guerra após a derrota do Eixo. Mais de mil pessoas foram executadas por crimes cometidos contra soldados Aliados tanto na Alemanha quanto no Japão quando a guerra terminou).
  • How we touch the ground, how we touch (Como tocamos o chão, como tocamos): Retrata um grupo de cristãos japoneses que precisa trair sua fé para que os mesmos se mantenham vivos. (Baseado na história dos cripto-cristãos japoneses que tiveram que se ocultar quando o Cristianismo foi banido no Japão no século XVII).
  • Georgic: O que uma pessoa é capaz de fazer para não morrer de fome? O que você é capaz de fazer para não morrer de fome?
  • Fugue (Fuga): O mais "poético" dos textos, retrata duas realidades, os pobres famintos por comida e os ricos famintos por amor verdadeiro.
  • Love Story (História de Amor): Três pequenas histórias independentes compõem essa narrativa: O amor de dois jovens separados pela morte; o amor de um garoto pela menina da família de leprosos que não pode se misturar com as outras pessoas da vila; o amor impossível de um rapaz de uma casta inferior por uma mulher considerada superior.
  • Song (Canção): A crueldade e realidade da guerra, onde soldados executam indiscriminadamente homens, mulheres e crianças.
  • Drowning Land (Terra Afogada): Um garoto dorme e sonha por três anos. Ele vai encontrar a resposta necessária para salvar sua vila quando ele acordar? (Baseado livremente em um conto de fada japonês chamado "Sannen Netarou" [Taro Que Dormiu Por Três Anos], sobre um menino que dorme por 3 anos e ao acordar vai da pobreza à riqueza).

SOBRE A AUTORA:
Mariko Nagai nasceu em Tókio e foi criada na Europa e América. Obra publicada anteriormente: Histories of Bodies (Poemas).


Até a próxima leitura!

8 de abril de 2012

Reflexões "Pascoalinas"

Não sei se foi sonho ou se eu estava refletindo sobre o assunto enquanto dormia (isso não acontece com vocês?). Como Jesus se comportaria se ele vivesse em nossa Era? Como Ele trataria as pessoas da nossa geração?

Honestamente, pelo que leio nos Evangelhos, eu não o vejo fazendo campanha anti-gay e anti-aborto. Mas para o arrependido, eu tenho certeza que Ele diria, "Vá e não peques mais". 

Enquanto nós, ditos cristãos, estaríamos torcendo o nariz, puxando os cabelos, gritando, batendo o pé e dizendo, "Quem é esse que se diz Messias e está jantando com esses 'viados'?"

Ele se voltaria para nós e diria, "Vocês não entenderam nada, mesmo depois de dois mil anos! Raça de víboras, vocês só sabem julgar e se acham superiores, mas seus corações estão podres e doentes."

"Tua Palavra nos diz que esses daí (gentalha, gentalha) não tem parte no Teu Reino", rebateríamos.

"A mesma Palavra diz, e foi eu que disse, amem, apenas amem uns aos outros e o mundo vai ver e desejar a diferença que existe na vida de vocês. Se vocês só tivessem seguido essa pequena palavra, o mundo não teria visto guerras, escravidão, e coisas assim." Ele diria mansamente, movimentando a cabeça.

"Mas, mas, mas..."

"E tem mais," Ele completaria, "O que eu disse foi 'ide e fazei discípulos', e não 'ide e fazei cristãos'. Nem lembro dessa palavra no nosso vocabulário. Quando a palavra surgiu para designar a igreja primitiva, era com um sentido extremamente pejorativo. Vocês do século XXI não sabiam disso, né?"

"Mestre," uma jovem que carrega no corpo e na mente o peso de tantos abortos perguntaria, "Não entendo por que existem tantas igrejas diferentes. Não é o mesmo Deus?"

"Ser cristão pode significar o que quer que seja que você queira, por isso a existência de tantas denominações diferentes" Ele responderia calmamente. "Agora, ser discípulo requer muito mais, requer tudo de você, requer que você ame." Ele olharia para nós, os religiosos, os cristãos, com nossa Bíblia debaixo do braço. 

Eu não conseguiria encará-lo. Por que Ele está olhando diretamente para mim como se... como se Ele conseguisse ler meus pensamentos? Ele pode? Pensei que isso era coisa de ficção, tipo aquele vampiro purpurinado e tal...
Oh, não! Eu afastaria aquela memória, mas a outra viria rapidamente. Não! Ele não pode ver isso... Colocaria o peso do meu corpo na outra perna, ainda olhando para o chão. Eu sei que Ele ainda estaria olhando para mim, "lendo" meu coração e minha alma. 
De repente, Ele estaria falando, falando dentro da minha cabeça, "Mostre-me tua história, mostre-me tuas feridas e eu vou te mostrar o que o Amor vê quando olha para você."¹
Para surpresa de todos ao meu redor, eu começaria a chorar. Não qualquer choro, mas daqueles que doem até nas pessoas que ouvem.
"Por quê? Por quê eu?" eu perguntaria. Logo eu que. se pudesse, apedrejaria esses aí que estão sentados na mesa com Ele, mas... mas eu sei que sou um deles também.

Eu sou um deles também...






Esse texto é livremente baseado em uma pregação sobre Cristianismo do pastor Andy Stanley. Completa e total responsabilidade por esse post cai sobre os ombros (e dedos) da autora desse blog.

¹ When Love Sees You (Jesus) do CD "The Story".

6 de abril de 2012

Resultado do sorteio: "The Resignation of Eve"

Uma boa notícia para o feriado de quem tem feriado hoje ^^

Lembram que nesse post AQUI eu falei que a Editora Tyndale estava disponibilizando um exemplar do livro resenhado para sorteio? E que eu também disse que o sorteio seria entre os comentaristas do post?
Finalmente o livro chegou às minhas mãos, então vamos ver como ficou.
Where am I going?

Tivemos 5 participantes, e coloquei a numeração de acordo com postagens mais antigas primeiro:
1- Vanessa Carneiro
2- Annie Adelinne
3- Lais Ferreira
4- Ruiva
5- Cíntia Mara


O Random.Org escolheu o número...


















 RUIVA (quem quer que você seja), envie seu endereço completo (não esqueça o CEP) para um dos emails a seguir: liline.gomes@hotmail.com OU aline@alinemgomes.com
Você tem até o dia 20 de abril para reclamar seu livro, caso contrário outro sorteio será realizado.

4 de abril de 2012

Girl in Translation (Garota, Traduzida), de Jean Kwok

ESCRITOR ORIENTAL

Você deve saber disso, mas não custa nada repetir: Existem DUAS Nova Yorks. Isso mesmo.
Existe aquela Nova York dos filmes e seriados, cheia de glamour; a Nova York das boutiques de grife da Madison e Quinta avenidas; a Nova York dos prédios de luxo da Park Avenue; a Nova York da Times Square e do Central Park; A Nova York que muita gente diz, "É meu sonho de consumo" e "Ai que chiqueza!"; ah, claro, a Nova York da Estátua da Liberdade (símbolo da tão sonhada "vida melhor" oferecida pelo Novo Mundo ao imigrante).
Da outra Nova York quase não se ouve falar, é a Nova York do trabalho semi-escravo, do trabalho infantil, do tráfico humano, do mendigo e do sem-teto; é a Nova York do imigrante (legal e ilegal) que trabalha mais de 12 horas por dia para juntar dinheiro e ajudar a família; é a Nova York da violência, da pobreza, da miséria; a Nova York que tem que ser escondida e jamais revelada porque nos Estados Unidos não existe dessas coisas, isso é invenção de comunista.

É nessa segunda Nova York que vamos encontrar Kimberly Chang e sua mãe (que a narradora não revela o nome e só chama de Ma). Elas vieram de Hong Kong (legalmente que fique bem claro) sem um tostão no bolso e já estão endividadas até o pescoço com os custos da viagem, e para piorar, elas não sabem inglês. Mas elas chegaram em Min-hat-ton e tudo vai ficar bem, afinal essa é a terra onde os sonhos se realizam, onde as pessoas encontram uma vida melhor, elas vão trabalhar e vão conseguir se adaptar. Sim, sim, sim...
Não. Não quando elas são colocadas em um prédio abandonado (pelo qual elas pagam aluguel!), um prédio sem aquecimento, infestado por ratos e baratas e cheio de lixo.
Mas elas tem trabalho, elas vão sair desse azar logo, logo, né? O trabalho é numa fábrica de roupas em Chinatown onde o salário é de alguns centavos por peça. Aham, você entendeu bem, CENTAVOS! Elas só precisam se esforçar bastante e economizar tudo. Claro, e não podem esquecer das contas!

Mas nossa Kim pode não saber inglês muito bem, mas ela sabe a linguagem dos números, ela sabe a linguagem que pode livrá-la desse futuro incerto e sem esperança.
E é através dos estudos que Kim vai conhecer o outro lado americano (ou a outra Nova York), que apesar de estar ao seu alcance ela não pode tomar posse, que apesar de se tornar parte de seu outro cotidiano, ela não pode pertencer a ele porque ela tem que esconder a verdade sobre sua realidade.
Ela é a Kim da escola e a Kim que trabalha na fábrica de roupas. A Kim super-dotada que tem que evitar amizades e a Kim que precisa se vestir com restos de tecidos de urso de pelúcia encontrados no lixo porque o inverno é congelante.
Ela é a Kim que faz você sorrir quando descreve os negros do Brooklyn e os brancos da escola particular. Ela é a Kim que te faz chorar quando seu coração se despedaça, quando ela sente falta do pai falecido, quando ela sonha como qualquer criança e quando ela quer ser livre como adolescente (e que comete seus erros).
Ela é a Kim humana que representa não só a comunidade asiática, mas todos os que abandonaram a vida dura de seus países de origem e partiram em busca do "sonho americano" que às vezes pode se tornar um pesadelo.
Ela é a Kim que nos ajuda a "traduzir" o que significa ser diferente em um país que não é nosso.

Causa desidratação


Título: Girl in Translation
Título no Brasil: Garota Traduzida
Autora: Jean Kwok
Editora: Riverhead
Ano: 2010
Páginas: 303



"Com o tempo, Kim consegue traduzir não apenas sua linguagem, mas a si mesma nas idas e vindas entre os dois mundos aos quais ela pertence, entre dificuldades e triunfos, sofrimento e amor, e tudo o mais que se perde na tradução."


SOBRE A AUTORA:
Jean Kwok  e sua família imigraram de Hong Kong para Nova York quando ela era criança.
O livro não é uma autobiografia, mas traz muitas experiências vividas pela autora. Para maiores informações, clique AQUI (em inglês).
Você gosta de checar as capas dos livros em outros países? (copiando a Cíntia na cara dura em 3, 2, 1):
Brasil (u.u) / Holanda / Finlândia / Noruega & Dinamarca (oi?)

Itália / Suécia / Reino Unido / Reino Unido (letra grande)
Espanha / Rússia / Holanda (capa dura) / Estados Unidos (letra grande)
 Senti falta dos nossos amigos portugueses, gosto das traduções deles (hehehehe). Provavelmente eles ainda estão traduzindo (bom entendedor...)

 Alguém já leu esse livro? Gostou? Não gostou? Por quê?
(Ju está convocada a deixar um comentário já que foi indicação dela)

Até a próxima leitura!