Girl in Translation (Garota, Traduzida), de Jean Kwok

ESCRITOR ORIENTAL

Você deve saber disso, mas não custa nada repetir: Existem DUAS Nova Yorks. Isso mesmo.
Existe aquela Nova York dos filmes e seriados, cheia de glamour; a Nova York das boutiques de grife da Madison e Quinta avenidas; a Nova York dos prédios de luxo da Park Avenue; a Nova York da Times Square e do Central Park; A Nova York que muita gente diz, "É meu sonho de consumo" e "Ai que chiqueza!"; ah, claro, a Nova York da Estátua da Liberdade (símbolo da tão sonhada "vida melhor" oferecida pelo Novo Mundo ao imigrante).
Da outra Nova York quase não se ouve falar, é a Nova York do trabalho semi-escravo, do trabalho infantil, do tráfico humano, do mendigo e do sem-teto; é a Nova York do imigrante (legal e ilegal) que trabalha mais de 12 horas por dia para juntar dinheiro e ajudar a família; é a Nova York da violência, da pobreza, da miséria; a Nova York que tem que ser escondida e jamais revelada porque nos Estados Unidos não existe dessas coisas, isso é invenção de comunista.

É nessa segunda Nova York que vamos encontrar Kimberly Chang e sua mãe (que a narradora não revela o nome e só chama de Ma). Elas vieram de Hong Kong (legalmente que fique bem claro) sem um tostão no bolso e já estão endividadas até o pescoço com os custos da viagem, e para piorar, elas não sabem inglês. Mas elas chegaram em Min-hat-ton e tudo vai ficar bem, afinal essa é a terra onde os sonhos se realizam, onde as pessoas encontram uma vida melhor, elas vão trabalhar e vão conseguir se adaptar. Sim, sim, sim...
Não. Não quando elas são colocadas em um prédio abandonado (pelo qual elas pagam aluguel!), um prédio sem aquecimento, infestado por ratos e baratas e cheio de lixo.
Mas elas tem trabalho, elas vão sair desse azar logo, logo, né? O trabalho é numa fábrica de roupas em Chinatown onde o salário é de alguns centavos por peça. Aham, você entendeu bem, CENTAVOS! Elas só precisam se esforçar bastante e economizar tudo. Claro, e não podem esquecer das contas!

Mas nossa Kim pode não saber inglês muito bem, mas ela sabe a linguagem dos números, ela sabe a linguagem que pode livrá-la desse futuro incerto e sem esperança.
E é através dos estudos que Kim vai conhecer o outro lado americano (ou a outra Nova York), que apesar de estar ao seu alcance ela não pode tomar posse, que apesar de se tornar parte de seu outro cotidiano, ela não pode pertencer a ele porque ela tem que esconder a verdade sobre sua realidade.
Ela é a Kim da escola e a Kim que trabalha na fábrica de roupas. A Kim super-dotada que tem que evitar amizades e a Kim que precisa se vestir com restos de tecidos de urso de pelúcia encontrados no lixo porque o inverno é congelante.
Ela é a Kim que faz você sorrir quando descreve os negros do Brooklyn e os brancos da escola particular. Ela é a Kim que te faz chorar quando seu coração se despedaça, quando ela sente falta do pai falecido, quando ela sonha como qualquer criança e quando ela quer ser livre como adolescente (e que comete seus erros).
Ela é a Kim humana que representa não só a comunidade asiática, mas todos os que abandonaram a vida dura de seus países de origem e partiram em busca do "sonho americano" que às vezes pode se tornar um pesadelo.
Ela é a Kim que nos ajuda a "traduzir" o que significa ser diferente em um país que não é nosso.

Causa desidratação


Título: Girl in Translation
Título no Brasil: Garota Traduzida
Autora: Jean Kwok
Editora: Riverhead
Ano: 2010
Páginas: 303



"Com o tempo, Kim consegue traduzir não apenas sua linguagem, mas a si mesma nas idas e vindas entre os dois mundos aos quais ela pertence, entre dificuldades e triunfos, sofrimento e amor, e tudo o mais que se perde na tradução."


SOBRE A AUTORA:
Jean Kwok  e sua família imigraram de Hong Kong para Nova York quando ela era criança.
O livro não é uma autobiografia, mas traz muitas experiências vividas pela autora. Para maiores informações, clique AQUI (em inglês).
Você gosta de checar as capas dos livros em outros países? (copiando a Cíntia na cara dura em 3, 2, 1):
Brasil (u.u) / Holanda / Finlândia / Noruega & Dinamarca (oi?)

Itália / Suécia / Reino Unido / Reino Unido (letra grande)
Espanha / Rússia / Holanda (capa dura) / Estados Unidos (letra grande)
 Senti falta dos nossos amigos portugueses, gosto das traduções deles (hehehehe). Provavelmente eles ainda estão traduzindo (bom entendedor...)

 Alguém já leu esse livro? Gostou? Não gostou? Por quê?
(Ju está convocada a deixar um comentário já que foi indicação dela)

Até a próxima leitura!

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