31 de maio de 2012

Chasing Mona Lisa, de Tricia Goyer & Mike Yorkey

FATOS HISTÓRICOS NA FICÇÃO: Segunda Guerra Mundial.



Tïtulo: Chasing Mona Lisa
Autores: Tricia Goyer & Mike Yorkey
Editora: Revell
Ano: 2012
Páginas: 325



It is August 1944 and Paris is on the cusp of liberation. As the soldiers of the Third Reich flee the Allied advance, they ravage the country, stealing countless pieces of art. Reichsmarschall Hermann Göring will stop at nothing to claim the most valuable one of all, the Mona Lisa, as a post-war bargaining chip to get him to South America. Can Swiss OSS agents Gabi Mueller and Eric Hofstadler rescue DaVinci's masterpiece before it falls into German hands?
With nonstop action,
Chasing Mona Lisa is sure to get readers' adrenaline pumping as they join the chase to save the most famous painting in the world. From war-ravaged Paris to a posh country chateau, the race is on, and the runners are playing for keeps.


O livro se inicia no período que abrange o fim da ocupação alemã na França. Os Aliados estão prestes a chegar, e os nazistas começaram a se preparar. Porém os mais espertos já perceberam que uma guerra outrora dada como vencida, agora está praticamente metade-metade. Por isso mesmo, esses espertos, começam a se apossar do que podem; e é nesse ponto que entra toda a perseguição envolvendo a obra de arte mais famosa do mundo, Mona Lisa:
Eu sei o que vocês fizeram no verão passado.
Primeira pergunta que me ocorreu foi: Como uma pintura italiana tornou-se francesa?
Leonardo DiCaprio da Vinci foi trabalhar na corte do rei Francisco I na França e por lá o tal rei comprou o retrato (Por acaso não é esse período que é mostrado no filme Para Sempre Cinderela?). Depois da Revolução Francesa, o quadro passou a ser exposto no museu dos meus sonhos do Louvre em Paris. Fim.
De acordo com notas dos autores que confirmei com o não tão confiável Wikipédia, a obra foi REALMENTE roubada em 1911 por um italiano que queria levar A Gioconda de volta para casa, bella e cara Italia, mama mia.
De acordo com algumas outras pesquisas superficiais, parece que as pessoas têm umas reações bem estranhas em relação a esse quadro; e claro, a identidade da musa é um mistério apesar das muitas teorias (não me venham dizer que ela é andrógina, pelamor).

Mas o livro não gira em torno apenas do roubo do quadro, na verdade, o enredo nos dá uma visão geral da situação francesa em 1944.
De acordo com os próprios franceses retratados na história, a França estava de joelhos, completamente humilhada e aniquilada, o que não os impediria de lutar até o fim, claro. Com isso, temos o que ficou conhecido como La Résistance (Resistência Francesa).
Assim, os Aliados chegaram (os americanos desde sempre posando de "salvadores da pátria"), La Libertátion foi celebrada e nesse momento o governo precisava ser restabelecido. O general Charles De Gaulle chegou com pompa e circunstância, e se apossou do negócio; isso deixou a outra parte da Resistência (os comunistas), para dizer no mínimo, revoltados, já que De Gaulle tinha se estabelecido em Londres enquanto seus compatriotas lutavam em território francês.

Definitivamente fui cativada pelos romances históricos. Principalmente quando os autores fazem uma pesquisa completa e colocam esses detalhes que a gente jamais encontraria em outros meios. Tudo fica muito mais real. Ao terminar a leitura, fiquei com aquela vontade de saber mais sobre o período. Mas não o que o Google e o Wikipédia oferecem. Quero saber mais sobre os pequenos detalhes, talvez até insignificantes para alguns, como por exemplo: Se a Suíça era "neutra", por que existiam agentes secretos (espiões) suíços?  

Até o próximo tema!


28 de maio de 2012

Agosto, de Rubem Fonseca

FATOS HISTÓRICOS NA FICÇÃO: A morte de Getúlio Vargas.
Eu tive um ótimo professor de História no Ensino Médio. Eu não concordava com muitas coisas que ele dizia, mas, mesmo assim, ele foi um ótimo professor. Creio que consigo lembrar dele tão claramente porque ele foi o primeiro a "abrir" meus olhos para o fato de que a História oficial nem sempre é a História real. Pelo menos não do jeito como é contada nos livros didáticos.
Se você está se perguntando "e o Kiko?", não pare de ler esse post ainda. Meus devaneios fazem sentido, mesmo que seja apenas para mim. Durante a leitura de Agosto, eu lembrei desse professor constantemente. Espero que ele goste de saber disso.


Título: Agosto
Autor: Rubem Fonseca
Companhia de Bolso (Companhia das Letras)
Edição de 2005
Ano de lançamento: 1990
Páginas: 341


Um empresário é assassinado em seu duplex no Rio de Janeiro, na madrugada de 1° de agosto de 1954. Perto dali, Gregório Fortunato, chefe da guarda pessoal do presidente Getúlio, planeja um atentado contra o jornalista Carlos Lacerda - que geraria uma crise política sem precedentes. O ápice dessa trama, na qual Rubem Fonseca mistura realidade e ficção com maestria, acontece na madrugada do dia 24, quando Vargas se suicida no Palácio do Catete - o Palácio das Águias. Obra-prima de um dos maiores nomes da literatura nacional, Agosto relembra aquele que foi um mês marcante para a história do país.


Rubem Fonseca é cheio de veneno e sarcasmo, e sua narração lembra vagamente a de Jô Soares. Apenas vagamente. Geralmente o Jô desbanda para o absurdo, enquanto Rubem mantém um tom de realismo. Mas ambos fazem o dever de casa direitinho e trazem um enredo onde ficção e realidade se interpõe e se mesclam perfeitamente. 
"Todos os políticos eram corruptos e aqueles que não eram ladrões, se é que existiam, eram mentirosos. E os imbecis que saíam às ruas para dar vivas aos políticos mereciam era aquilo mesmo, porrada nos cornos." (pág. 176)
Em Agosto, as vozes narrativas podem confundir; em algumas cenas, o autor "pulou" de cabeça em cabeça e fiquei sem saber quem estava sentindo o quê. O que tenho aprendido é que é necessário manter o mesmo PDV (Ponto de Vista), pelo menos no mesmo parágrafo (ou cena). Talvez em 1990 essa não fosse a regra, não sei, mas que confunde, confunde.
De forma geral, os personagens são bem construídos. Bom, eu achei que as mulheres do livro são... sei lá, estranhas, não sei se Rubem Fonseca fez isso de propósito, mas aviso que algumas mulheres mais "esquentadinhas" talvez não gostem do retrato feminino feito pelo autor (pessoalmente não gostei de nenhuma delas, nem mesmo da Salete).
"A traição fazia parte do jogo político. Ainda mais agora, em que a grande imprensa, os militares, os políticos, os estudantes, as classes produtoras, a Igreja, contribuíam, todos, com ardor exaltado para a mazorca que começava a dominar o país."(pág. 236)
Cheguei à conclusão que na história política do nosso país, "quem menos anda, voa"; e como eu disse no meu histórico no Skoob: getulista e lacerdista eram "tudo farinha do mesmo saco". Cada qual "puxando brasa para sua sardinha" às custas de um povo que cometeu o erro de acreditar.
Um aviso: o livro tem uns palavrões bem cabeludos.
"Meu filho, não pense que você pode mudar o Brasil. Os franceses, que são um povo inteligente, inventaram esta máxima perfeita, que quanto mais velha, mais verdadeira: plus ça change, plus c'est la même chose [quanto mais as coisas mudam, mais elas permanecem as mesmas]." (pág. 293)
A Globo apresentou a minissérie homônima em 1993 com um elenco bem bacana. Não assisti ainda por isso não posso comparar com o livro. Se alguém já viu, o que achou?
Clique AQUI se quiser ver a chamada de 1995.

Alguém já leu o livro ou outro livro com a mesma temática? Qual sua opinião sobre esse período turbulento?


LEIA TAMBÉM:


Até a próxima leitura (ou tema)!

25 de maio de 2012

Praemortis, de Miguel Ángel Moreno

Depois de ler um livro de contos em espanhol e outro com histórias infantis, decidi que meu portuñol já dava pro gasto e que eu é que não iria ficar esperando 20 anos para começar a ler em espanhol assim como fiz com inglês. Procura daqui e dali, me deparei com esse título.
Nas primeiras linhas eu já estava assim Oo. "Ficção científica em espanhol, Aline? Pirou, né?"
Mas sou brasileira e não desisto quase nunca.



Título: Praemortis* (Dioses de Carne #1)
Autor: Miguel Ángel Moreno
Editora: Thomas Nelson
Ano: 2011
Páginas: 319


¿Como seria nuestro mundo si cada ser humano supiera que destino le aguarda tras la muerte? En Praemortis los hombres han decidido olvidar cualquier promesa de vida futura que ofrecen las religiones y se centran en disfrutar su vida presente. El Dr. Veldecker, buscando una cura para su hijo, descubre una formula que hace que los pacientes traspasen la frontera de la vida mortal y descubran lo que les aguardara al morir. El doctor decide destruir la formula que ha llamado Praemortis pero su hijo Robert la conserva en secreto. Robert funda una corporacion donde su fin es controlar a la humanidad. Al parecer solo un ser sobrenatural y misterioso, no humano, que se hace llamar el "Golem" puede cambiar el futuro. La novela pretende adentrarse en las inquietudes existencialistas que todo ser humano posee. Estas son atemporales y ajenas a religiones o variaciones de la sociedad. Praemortis habla de esa inquietud, de la busqueda de respuestas en un mundo que avanza hacia su final.


Após um cataclismo que mudou a geografia da Terra, o mundo como conhecíamos não existe mais.
Por volta de 2269, Dr. Frederick Veldecker estava procurando a cura para a cefaléia que acometia seus filhos (por que ele só parece preocupado com o mais velho, Robert, não é explicado). Claro que o que ele acabou descobrindo foi algo bem mais profundo e assustador, uma droga que leva o ser humano ao outro lado da vida. Mas tudo isso foi antes. Antes de sua morte e de seu filho Robert se tornar o líder da corporação e controlar o Pináculo (o centro do governo).

A vida é bem mais fácil se comparada com a dos antepassados. Nesse novo sistema, as pessoas "trocam" seu trabalho pela oportunidade de ter o Néctar no fim da vida e dessa forma evitar o terror da Vorágine (???). Claro que, se você tiver dinheiro, e pra isso você tem que pertencer à uma das famílias nobres, você não precisa se preocupar porque seu Néctar está garantido.
Soa familiar? O uso de algo que vai prender as pessoas de tal forma que elas não conseguirão enxergar a verdade?

Como eu disse, nem tudo é explicado claramente (ou eu que não entendi mesmo), mas o autor decidiu terminar a história com um FIN DE LA PRIMERA PARTE que me fez quase dar um grito de frustração.
Se o Golem é importante, porque ele não foi explicado mais? (A minha teoria do mal é que ele representa o mesmo que Aslam nas "Crônicas de Nárnia"); mas pela descrição, ele parece com O Coisa do Quarteto Fantástico.
Do lado do Mal, tem o Haymin, que habita nas profundezas do mar, pelo menos é o que parece. O povo tem medo do mar. E até existe uma seita (teoricamente proibida) que adora esse ser.

Representando o exército temos os Confessores, homens treinados para defender o sistema e os nobres, além de servirem como "leitores" da condição das pessoas que estão prestes a morrer (são eles que aplicam o Néctar nos moribundos); além disso, eles lutam contra os "rebeldes".

O livro recebeu 3 estrelas porque eu fiquei "em cima do muro", eu gostei das partes de suspense, mas não gostei da falta de explicação. Claro que sendo um livro de série, as respostas virão (espero).
Valeu a pena deixar meu conforto de ler português/inglês e me arriscar nesse novo "território" linguístico.
Sí, voy leer más libros en español temprano. ;-)



*Recebi esse livro gratuitamente através do Programa BookSneeze®  especificamente para esta resenha.

22 de maio de 2012

One Tuesday Morning, de Karen Kingsbury

FATOS HISTÓRICOS NA FICÇÃO: 11 de setembro de 2001.


Título: One Tuesday Morning
9/11 series (livro #1)
Autora: Karen Kingsbury
Editora: Zondervan
Ano: 2003
Páginas: 352 



 The last thing Jake Bryan knew was the roar of the World Trade Center collapsing on top of him and his fellow firefighters. The man in the hospital bed remembers nothing. Not rushing with his teammates up the stairway of the south tower to help trapped victims. Not being blasted from the building. And not the woman sitting by his bedside who says she is his wife.
Jamie Bryan will do anything to help her beloved husband regain his memory, and with it their storybook family life with their small daughter, Sierra. But that means helping Jake rediscover the one thing Jamie has never shared with him: his deep faith in God.
Jake's fondest prayer for his wife is about to have an impact beyond anything he could possibly have conceived.
One Tuesday Morning is a love story like none you have ever read: tender, poignant, commemorating the tragedy and heroism of September 11 and portraying the far-reaching power of God's faithfulness and a good man's love.


Vou começar falando sobre o que não gostei: o tamanho da fonte foi diminuída, quase imperceptivelmente, mas um astigmático percebe essas coisas. Comparei com todos os outros livros da mesma editora e no mesmo formato porque achei que tivessem colocado espaçamento simples, mas não, é o tamanho da fonte mesmo. Isso me agoniou e muito. He-llo, Zondervan, isso não se faz!

Lendo a sinopse, talvez você se lembre do livro/filme Para Sempre (sobre a esposa que sofre um acidente, perde a memória e não reconhece o marido quando acorda). Eu diria que é mais ou menos isso. Mais ou menos.
Chegou em um ponto em que achei tudo muito mirabolante pro meu gosto, mas acabei lembrando de algo que aconteceu com minha mãe. SPOILER/: Alguns meses após a morte do meu pai, minha mãe entrou em um ônibus e de repente ficou paralisada quando viu um homem sentado que parecia exatamente com meu pai. Ela ficou olhando para ele até perceber as diferenças, mas ela me disse que mesmo assim ele poderia ser um irmão gêmeo do meu pai (o que não era, claro). /FIM DE SPOILER.

Eric Michaels, um homem de negócios em ascensão, visa ganhar o lugar mais alto na corporação para qual ele trabalha, mesmo que isso signifique negligenciar a própria família; Laura, sua esposa, e Josh, seu filho. 
Eric está no escritório da empresa no 64° andar da torre sul do World Trade Center, quando os aviões atingem os prédios.
Jake Bryan, um bombeiro de NY, é o marido que toda mulher pediu a Deus, Jamie que o diga. Eles têm uma filha de 4 anos, Sierra, que é muita fofa e a responsável por eu ter chorado no último capítulo.
Jake, assim como praticamente todos os bombeiros da cidade naquele dia, faz parte do grupo que adentra os prédios para ajudar na evacuação e resgate de pessoas feridas.

Em sonhos agitados caminhei sozinho
Em ruas de pedras estreitas
Sob a auréola do poste
Virei meu colarinho contra o frio e umidade
Quando meus olhos foram apunhalados 
Pelo brilho da luz de néon
Que partiu a noite
E tocou o som do silêncio.

O que acontece, todos sabemos, já que isso faz parte da História recente. E a autora consegue descrever essas partes mais complicadas com tanta veracidade, que por alguns momentos eu me achei no meio daquelas pessoas descendo aquelas escadas infinitas, ou tentando entender o que tinha acabado de acontecer de dentro de seus escritórios.
 O livro me fez pensar e reforçar a ideia de que não importa o que a gente faça nessa vida ou quantos zeros nossa conta no banco possui; no fim, na hora da morte, somos todos iguais e não tem como fugir.
Por exemplo, eu nunca tinha parado para pensar nos viciados em trabalho (e dinheiro) que provavelmente continuaram trabalhando mesmo com a ordem de evacuação dada. Ou em como muitos deles, acreditavam que os prédios tinham sido construídos de tal forma que jamais desabariam (qualquer semelhança com Titanic...). Em menos de uma hora, Nova York sentiu na pele o que Hiroshima e Nagasaki sentiu décadas antes. A diferença entre as duas catastrófes é imensa, porém toda vez que penso naquela manhã de terça, eu lembro da bomba atômica. Quem pagou o preço nas duas tragédias é quem não tinha nada a ver com a história.

E na luz nua eu vi
Dez mil pessoas, talvez mais
Pessoas conversando sem falar
Pessoas escutando sem ouvir
Pessoas escrevendo músicas que vozes nunca compartilham
E ninguém ousou
Perturbar o som do silêncio.


 Música: The Sound of Silence, versão (linda) de Brooke Fraser.

Até a próxima leitura (ou tema)!

15 de maio de 2012

Lançamento do livro "Tesouro Compartilhado"

No domingo, 29 de abril, aconteceu o lançamento do livro Tesouro Compartilhado na Igreja Batista Brasileira Metro em Nova York.


Uma das autoras. Cof, cof.
 Tá bom, eu confesso, só escrevi UM artigo que faz parte do livro, mas ei, eu posso dizer que já ajudei a escrever um livro, não é?

Tudo começou com um desafio de leitura bíblica em 2009. A cada domingo, uma pessoa escrevia um artigo/testemunho que aparecia no boletim do culto.
Então um sonho germinou no coração do nosso organizador, Osvaldo de Morais; e rapidamente todos os demais foram contagiados também: por que não juntar esses textos e publicá-los em um livro?

Como ele mesmo disse, foi pior que um parto, mas valeu a pena. Imagina você ter um parto que dura uns dois anos? [Oo] Não é legal nem imaginar.
Apesar da tiragem baixa (o que, infelizmente, elevou o valor do exemplar consideravelmente), ainda temos alguns exemplares disponíveis. Se por acaso alguém tiver interesse, é só usar o formulário de contato ali na barra superior.

Eu queria deixar esse momento registrado aqui para a posteridade. Pena que nossa repórter para assuntos especiais "perdeu" as outras anotações feitas sobre o coquetel de lançamento.
Porém, de acordo com informações extra-oficiais, parece que tem uma surpresa para outubro quando o blog completa 5 anos [Oo] no ar. Aguardem!

$15.00 (frete incluso)



Esta obra contém quarenta e nove textos entre testemunhos, artigos e explanações bíblicas, com experiências de brasileiros que, há alguns anos, vivem em Nova York e participam ou já participaram da Igreja Batista Brasileira Metro, em Manhattan. Conquanto narrados de forma simples, são textos objetivos, práticos e bíblicos. Compartilham a marca inconfundível da pluralidade da riqueza e do conhecimento de Deus. 







 

9 de maio de 2012

Yellow Crocus, de Laila Ibrahim

FATOS HISTÓRICOS NA FICÇÃO: Pré-Guerra Civil Americana.


O dia está raiando e você precisa se levantar porque daqui a pouco eles vão te chamar e você não tem outra escolha senão obedecer. Você gostaria de ter o poder de parar o tempo e permanecer ao lado do seu filho, seu primeiro filho, por mais tempo. Mas você não tem escolha, você não pode escolher. Você é uma escrava, portanto, você não tem poder nenhum sobre sua vida. Você é apenas uma propriedade.
Por que não escolheram outra pessoa? É o que você se pergunta quando chega o momento de você se apresentar na casa grande. Seu filho só tem 3 meses e precisa de você.
Mas você vai. De cabeça baixa, arrastando os pés. Você adentra a casa grande e aguarda as ordens. A senhora está em trabalho de parto por isso ainda não precisam de seus serviços. Eles te ordenam que fique quieta em algum canto. Enquanto tudo que você queria era ter tido mais tempo para ficar com seu filho na senzala.
Quando o bebê branco nasce, é para você que eles entregam. O bebê precisa ser amamentado e a partir de agora você será ama de leite dessa criança que não é sua, nem mesmo tem a cor de sua pele. Seu filho vai ter que ser alimentado por outra escrava, longe de você, porque agora você foi "elevada" à condição de escrava da casa grande.
Você odeia essa criança que é a responsável pelo seu afastamento do seu próprio filho. Você a odeia até que você aprende a amá-la. E sua vida e a dessa criança estarão conectadas para sempre.

É assim que Mattie se sente naquela manhã de 1837 na fazenda em que ela é escrava na Vírginia, Estados Unidos.



Título: Yellow Crocus*
Autora: Laila Ibrahim
Editora: Flaming Chalice Press
Ano: 2010
Páginas: 238



Mattie was never truly mine. That knowledge must have filled me as quickly and surely as the milk from her breasts. Although my family ‘owned’ her, although she occupied the center of my universe, her deepest affections lay elsewhere. So along with the comfort of her came the fear that I would lose her some day. This is our story...

So begins Lisbeth Wainwright’s compelling tale of coming-of-age in antebellum Virginia. Born to white plantation owners but raised by her enslaved black wet nurse, Mattie, Lisbeth’s childhood unfolds on the line between two very different worlds. Growing up under the tender care of Mattie, Lisbeth adopts her surrogate mother’s deep-seated faith in God, her love of music and black-eyed peas, and the tradition of hunting for yellow crocuses in the early days of spring. In time, Lisbeth realizes she has freedoms and opportunities that Mattie does not have, though she’s confined by the societal expectations placed on women born to privilege. As Lisbeth grows up, she struggles to reconcile her love for her caregiver with her parents’ expectations, a task made all the more difficult as she becomes increasingly aware of the ugly realities of the American slavery system. When Lisbeth bears witness to a shockingly brutal act, the final vestiges of her naiveté crumble around her. Lisbeth realizes she must make a choice, one that will require every ounce of the courage she learned from her beloved Mattie. This compelling historical novel is a richly evocative tale of love, loss, and redemption set during one of the most sinister chapters of American history.


As vidas de Mattie e Elizabeth Wainwright (Lisbeth Salander) encontram-se pela primeira vez naquela manhã descrita anteriormente. Mattie, a escrava africana que nasceu e foi criada na fazenda a qual ela pertence. Lisbeth, a primogênita de um casal que precisa de filhOs como herdeiros.
Mattie acaba gostando de Lisbeth da mesma forma que ela gosta de seu filho, o que torna o relacionamento das duas singelo e profundo.
Enquanto acompanhamos os dramas dessas duas personagens, temos o pano de fundo histórico sendo construído, o que nos dá uma visão mais aguçada sobre a realidade dos estados escravagistas americanos às vésperas da Guerra Civil.

Sobre o título: Crocus é a flor de açafrão, como vemos na foto abaixo:
Por que é roxo na capa???
E eu não entendo nada de flores por isso não tenho explicações a dar. Mas a ligação do título com o enredo acontece porque Mattie ensina Lisbeth a procurar por essas flores no início das primaveras. Uma espécie de tradição entre elas; e que mais tarde Lisbeth vai recordar com carinho.

A minha maior dificuldade em ler livros assim, é que fico com raiva e dá vontade de entrar na história e quebrar as caras de uns e outros. Não se trata um ser humano assim, não importa a cor da pele dele. Nesse livro até criei um pouco de compaixão pelas mulheres brancas. A única diferença entre elas e a forma como os escravos eram tratados, era só porque ninguém as maltratavam em público, mas o abuso emocional e físico era tão real quanto o tronco. O pior de tudo? Ser mulher e negra. Elas é que acabavam sofrendo muito mais...

Agora uma pergunta: Vocês acham que a Guerra Civil Americana serviu para mudar a situação dos escravos no país? Ou foi só mais uma guerra sem sentido como todas as guerras são, onde os inocentes são os que pagam o preço mais caro?

Até a próxima leitura!

*Recebi este e-book gratuitamente através do programa NetGalley.

4 de maio de 2012

Cenas da Vida Real IV

Garanto que sou antissocial!
E toda vez que tento ser mais "animadinha" e falar com todo mundo, acabo pagando mico.
Bato com a mão para alguém que não vê. Falo "oi" para alguém que não ouve e, consequentemente não responde.
E eu? Fico com a cara no chão. Ou cara de banana. Ou o que seja.

Fala comigo quando eu falar com você, tá?

Mas o que acontece quando completos estranhos puxam assunto, como a jovem na fila do Starbucks???

Peguei o CD da trilha sonora do The Hunger Games para checar as músicas.
- Adoro os CD's daqui, eu sempre compro um - ela disse.
Olhei na direção da voz.
- Ah...
Eu não, claro.
- Gosto de checar - olhei para os outros CD's.
[silêncio constrangedor]
 - Essa cantora aqui é boa - disse e apontei para o CD de Esperanza Spalding.
- Sério? - ela ficou com uma cara animada enquanto analisava o CD.
- Quer dizer, - eu disse - eu acho a voz dela muito boa...
Só ouvi uma vez na cerimônia do Oscar.
- Nunca ouvi falar dela. Vou levar. Obrigada pela dica.
- OoOo Ah... Hummm, okay. - tive que acrescentar algo mais - Ela cantou na cerimônia do Oscar. A música foi Somewhere Over the Rainbow.
- Thanks alot a lot.

E ela realmente comprou o CD!!!
Enquanto isso, me senti mal e decidi que iria ouvir algo dessa cantora para confirmar o que eu tinha dito baseado em uma única música que ouvi. Eu nem sabia que tipo de música ela cantava!!!
Claro que esqueci, então adivinha o que estou fazendo enquanto digito esse post???
OH, MEU PAI!!! Eu ainda disse a música errada. Esperanza cantou What a Wonderful World!!!

2 de maio de 2012

Segundo bimestre de 2012: eu li!

Mais um post da série "sai da frente do computador e vai ler um livro".
Sério! Enquanto meu Mestrado fica só me enrolando cobrando o olho da cara eu vou lendo o que aparece, quer dizer, quase tudo que aparece...


PS¹: A mesma quantidade do primeiro bimestre.

PS²: E vocês? Quantos livros leram nesses 2 últimos meses?