28 de maio de 2012

Agosto, de Rubem Fonseca

FATOS HISTÓRICOS NA FICÇÃO: A morte de Getúlio Vargas.
Eu tive um ótimo professor de História no Ensino Médio. Eu não concordava com muitas coisas que ele dizia, mas, mesmo assim, ele foi um ótimo professor. Creio que consigo lembrar dele tão claramente porque ele foi o primeiro a "abrir" meus olhos para o fato de que a História oficial nem sempre é a História real. Pelo menos não do jeito como é contada nos livros didáticos.
Se você está se perguntando "e o Kiko?", não pare de ler esse post ainda. Meus devaneios fazem sentido, mesmo que seja apenas para mim. Durante a leitura de Agosto, eu lembrei desse professor constantemente. Espero que ele goste de saber disso.


Título: Agosto
Autor: Rubem Fonseca
Companhia de Bolso (Companhia das Letras)
Edição de 2005
Ano de lançamento: 1990
Páginas: 341


Um empresário é assassinado em seu duplex no Rio de Janeiro, na madrugada de 1° de agosto de 1954. Perto dali, Gregório Fortunato, chefe da guarda pessoal do presidente Getúlio, planeja um atentado contra o jornalista Carlos Lacerda - que geraria uma crise política sem precedentes. O ápice dessa trama, na qual Rubem Fonseca mistura realidade e ficção com maestria, acontece na madrugada do dia 24, quando Vargas se suicida no Palácio do Catete - o Palácio das Águias. Obra-prima de um dos maiores nomes da literatura nacional, Agosto relembra aquele que foi um mês marcante para a história do país.


Rubem Fonseca é cheio de veneno e sarcasmo, e sua narração lembra vagamente a de Jô Soares. Apenas vagamente. Geralmente o Jô desbanda para o absurdo, enquanto Rubem mantém um tom de realismo. Mas ambos fazem o dever de casa direitinho e trazem um enredo onde ficção e realidade se interpõe e se mesclam perfeitamente. 
"Todos os políticos eram corruptos e aqueles que não eram ladrões, se é que existiam, eram mentirosos. E os imbecis que saíam às ruas para dar vivas aos políticos mereciam era aquilo mesmo, porrada nos cornos." (pág. 176)
Em Agosto, as vozes narrativas podem confundir; em algumas cenas, o autor "pulou" de cabeça em cabeça e fiquei sem saber quem estava sentindo o quê. O que tenho aprendido é que é necessário manter o mesmo PDV (Ponto de Vista), pelo menos no mesmo parágrafo (ou cena). Talvez em 1990 essa não fosse a regra, não sei, mas que confunde, confunde.
De forma geral, os personagens são bem construídos. Bom, eu achei que as mulheres do livro são... sei lá, estranhas, não sei se Rubem Fonseca fez isso de propósito, mas aviso que algumas mulheres mais "esquentadinhas" talvez não gostem do retrato feminino feito pelo autor (pessoalmente não gostei de nenhuma delas, nem mesmo da Salete).
"A traição fazia parte do jogo político. Ainda mais agora, em que a grande imprensa, os militares, os políticos, os estudantes, as classes produtoras, a Igreja, contribuíam, todos, com ardor exaltado para a mazorca que começava a dominar o país."(pág. 236)
Cheguei à conclusão que na história política do nosso país, "quem menos anda, voa"; e como eu disse no meu histórico no Skoob: getulista e lacerdista eram "tudo farinha do mesmo saco". Cada qual "puxando brasa para sua sardinha" às custas de um povo que cometeu o erro de acreditar.
Um aviso: o livro tem uns palavrões bem cabeludos.
"Meu filho, não pense que você pode mudar o Brasil. Os franceses, que são um povo inteligente, inventaram esta máxima perfeita, que quanto mais velha, mais verdadeira: plus ça change, plus c'est la même chose [quanto mais as coisas mudam, mais elas permanecem as mesmas]." (pág. 293)
A Globo apresentou a minissérie homônima em 1993 com um elenco bem bacana. Não assisti ainda por isso não posso comparar com o livro. Se alguém já viu, o que achou?
Clique AQUI se quiser ver a chamada de 1995.

Alguém já leu o livro ou outro livro com a mesma temática? Qual sua opinião sobre esse período turbulento?


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Até a próxima leitura (ou tema)!

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