9 de maio de 2012

Yellow Crocus, de Laila Ibrahim

FATOS HISTÓRICOS NA FICÇÃO: Pré-Guerra Civil Americana.


O dia está raiando e você precisa se levantar porque daqui a pouco eles vão te chamar e você não tem outra escolha senão obedecer. Você gostaria de ter o poder de parar o tempo e permanecer ao lado do seu filho, seu primeiro filho, por mais tempo. Mas você não tem escolha, você não pode escolher. Você é uma escrava, portanto, você não tem poder nenhum sobre sua vida. Você é apenas uma propriedade.
Por que não escolheram outra pessoa? É o que você se pergunta quando chega o momento de você se apresentar na casa grande. Seu filho só tem 3 meses e precisa de você.
Mas você vai. De cabeça baixa, arrastando os pés. Você adentra a casa grande e aguarda as ordens. A senhora está em trabalho de parto por isso ainda não precisam de seus serviços. Eles te ordenam que fique quieta em algum canto. Enquanto tudo que você queria era ter tido mais tempo para ficar com seu filho na senzala.
Quando o bebê branco nasce, é para você que eles entregam. O bebê precisa ser amamentado e a partir de agora você será ama de leite dessa criança que não é sua, nem mesmo tem a cor de sua pele. Seu filho vai ter que ser alimentado por outra escrava, longe de você, porque agora você foi "elevada" à condição de escrava da casa grande.
Você odeia essa criança que é a responsável pelo seu afastamento do seu próprio filho. Você a odeia até que você aprende a amá-la. E sua vida e a dessa criança estarão conectadas para sempre.

É assim que Mattie se sente naquela manhã de 1837 na fazenda em que ela é escrava na Vírginia, Estados Unidos.



Título: Yellow Crocus*
Autora: Laila Ibrahim
Editora: Flaming Chalice Press
Ano: 2010
Páginas: 238



Mattie was never truly mine. That knowledge must have filled me as quickly and surely as the milk from her breasts. Although my family ‘owned’ her, although she occupied the center of my universe, her deepest affections lay elsewhere. So along with the comfort of her came the fear that I would lose her some day. This is our story...

So begins Lisbeth Wainwright’s compelling tale of coming-of-age in antebellum Virginia. Born to white plantation owners but raised by her enslaved black wet nurse, Mattie, Lisbeth’s childhood unfolds on the line between two very different worlds. Growing up under the tender care of Mattie, Lisbeth adopts her surrogate mother’s deep-seated faith in God, her love of music and black-eyed peas, and the tradition of hunting for yellow crocuses in the early days of spring. In time, Lisbeth realizes she has freedoms and opportunities that Mattie does not have, though she’s confined by the societal expectations placed on women born to privilege. As Lisbeth grows up, she struggles to reconcile her love for her caregiver with her parents’ expectations, a task made all the more difficult as she becomes increasingly aware of the ugly realities of the American slavery system. When Lisbeth bears witness to a shockingly brutal act, the final vestiges of her naiveté crumble around her. Lisbeth realizes she must make a choice, one that will require every ounce of the courage she learned from her beloved Mattie. This compelling historical novel is a richly evocative tale of love, loss, and redemption set during one of the most sinister chapters of American history.


As vidas de Mattie e Elizabeth Wainwright (Lisbeth Salander) encontram-se pela primeira vez naquela manhã descrita anteriormente. Mattie, a escrava africana que nasceu e foi criada na fazenda a qual ela pertence. Lisbeth, a primogênita de um casal que precisa de filhOs como herdeiros.
Mattie acaba gostando de Lisbeth da mesma forma que ela gosta de seu filho, o que torna o relacionamento das duas singelo e profundo.
Enquanto acompanhamos os dramas dessas duas personagens, temos o pano de fundo histórico sendo construído, o que nos dá uma visão mais aguçada sobre a realidade dos estados escravagistas americanos às vésperas da Guerra Civil.

Sobre o título: Crocus é a flor de açafrão, como vemos na foto abaixo:
Por que é roxo na capa???
E eu não entendo nada de flores por isso não tenho explicações a dar. Mas a ligação do título com o enredo acontece porque Mattie ensina Lisbeth a procurar por essas flores no início das primaveras. Uma espécie de tradição entre elas; e que mais tarde Lisbeth vai recordar com carinho.

A minha maior dificuldade em ler livros assim, é que fico com raiva e dá vontade de entrar na história e quebrar as caras de uns e outros. Não se trata um ser humano assim, não importa a cor da pele dele. Nesse livro até criei um pouco de compaixão pelas mulheres brancas. A única diferença entre elas e a forma como os escravos eram tratados, era só porque ninguém as maltratavam em público, mas o abuso emocional e físico era tão real quanto o tronco. O pior de tudo? Ser mulher e negra. Elas é que acabavam sofrendo muito mais...

Agora uma pergunta: Vocês acham que a Guerra Civil Americana serviu para mudar a situação dos escravos no país? Ou foi só mais uma guerra sem sentido como todas as guerras são, onde os inocentes são os que pagam o preço mais caro?

Até a próxima leitura!

*Recebi este e-book gratuitamente através do programa NetGalley.
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