18 de junho de 2012

The Mirror, de Marlys Millhiser

VIAGEM NO TEMPO

Às vezes eu acordo no meio da noite pensando em mim mesma no exato momento da minha morte, me perguntando se vou ter sentimentos e pensamentos, ou se vou apenas mergulhar no vazio.
Algumas vezes eu acordo sem saber exatamente quem sou, como se naqueles poucos segundos eu não tenha nenhuma memória armazenada. Ainda bem que são apenas poucos segundos.
Outras vezes me questiono se realmente sou quem eu penso que sou, ou se estou vivendo uma vida que não é minha, mas pertence a outra pessoa que não sou eu, uma vida não planejada por mim.
Por favor, vocês não precisam tentar ressuscitar Freud por causa disso. Garanto que não mordo!

Agora imagina como minha mente ficou durante a leitura de um livro que despertou todos esses sentimentos malucos e muito mais. Conseguiu imaginar?
Não que eu tenha vindo do passado (ou do futuro que seja) para habitar nesse corpo chamado Aline, mas que me fez pensar na possibilidade, isso fez.



Título: The Mirror
Autora: Marlys Millhiser
Editora: The Rue Morgue Press
Ano: 2008 (10° edição)
Ano de lançamento: 1978



A young woman in Colorado experiences time-travel and trades lives with her grandmother under the influence of a mysterious antique mirror. Shay Garrett leaves her 20th-century life and boyfriend (by whom she has discovered she is pregnant) and assumes the existence of her grandmother Brandy, in the frontier days of the late 1800s. At the same time, Brandy looks into the mirror just before she is to be married to a man she does not love, and wakes up to find herself in the body of a young woman surrounded by loud music, fast cars and unfamiliar codes of conduct.


Nem mesmo A Mulher do Viajante no Tempo foi tão complexo quanto esse livro. Complexo e triste. Porque, honestamente, a viagem no tempo involuntária de Shay e Brandy trouxe consequências não apenas para elas duas, mas para todos relacionados a elas em seus determinados tempos históricos. Elas querem voltar para seus corpos verdadeiros, mas infelizmente o "poder" está no espelho e não nelas.
Eu entitularia esse livro facilmente de "A maldição do espelho", em um estilo bem Stephen King.
A autora escreve uma fantasia tão real que chega a assombrar. Eu, a menina que sempre gostou de ler terror, fiquei horas e horas pensando no assunto e com medo.

Marlys amarra a história de forma quase perfeita, sem deixar de lado os detalhes históricos gerais e específicos. Nunca estive em Boulder no estado do Chapolin Colorado, mas o livro me levou pelas ruas e também pelos povoados vizinhos apenas com as imagens criadas pelas palavras que dão vida ao livro, tanto em 1900 quanto em 1978.
Além de todo o drama causado pela viagem no tempo das protagonistas, os momentos engraçados trazem leveza e realismo para a obra. Sabe a libertinagem sexual e as discotecas da década de 70? Shay acorda em 1900 com essa mentalidade (coitada!), e sabendo exatamente (ou quase, já que ela não prestava atenção nas aulas de História) o que vai acontecer no futuro. Já Brandy acorda em 1978 com a mentalidade e o comportamento do início do século XX.
Com toda essa confusão se não tivesse momentos hilários, não seria um livro bom.

Infelizmente não encontrei o livro em português, o que provavelmente significa que nunca foi traduzido. Uma pena, já que ele pode agradar aos fãs de fantasia, ficção científica e romances históricos. E se você não gosta de nenhum desses gêneros, ainda assim pode apreciar um livro bem escrito. Foi uma ótima surpresa ler The Mirror. Para a fila de compras agora.

Mas me digam uma coisa: O que vocês fariam se um dia acordassem no corpo de sua avó ou avô, 78 anos atrás???


Até a próxima leitura!
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