11 de agosto de 2012

As Pequenas Coisas*

Simplicidade.
Gosto dessa palavra, do seu significado e do que ela representa. Porém, a simplicidade corre risco de extinção, talvez não dos dicionários, mas definitivamente das nossas vidas.
Viver em nosso século, é viver no mundo da correria, do instantâneo e do descartável.
“Não tenho tempo”, é o que mais sai de nossos lábios.
Viver em Nova York – assim como em qualquer outra cidade grande do mundo – nos transforma porque estamos sempre correndo.
Correndo de casa para o trabalho, do trabalho para casa. Correndo contra o relógio. Correndo (e empurrando) para pegar o metrô. Correndo, correndo, correndo sem tempo.
Sem mencionar o mal humor que apossa-se de nós já nas primeiras horas da manhã, entre tantas outras coisas.

Mas, um dia, entre tantas faces desconhecidas que vejo na minha correria diária, a dela me chamou a atenção, me fez olhar pela segunda vez.
Ela, uma desconhecida esperando por um táxi. Eu, uma estranha que se aproximou.
As lágrimas que caíam dos olhos daquela jovem me prenderam e tive que fazer a pergunta rasa, “Você está bem?”
Surpresa e honestidade em sua resposta, “Não.”
De repente, meus braços estavam ao redor dela. Um abraço rápido e silencioso, porém verdadeiro.
O que eu poderia ter dito?
Nada. Eu não a conhecia e não fazia ideia de qual seria o problema.
O que eu tinha a oferecer?
Apenas um abraço simples (talvez insignificante para alguns), uma coisa pequena.
Agora éramos duas desconhecidas surpresas por causa do que tinha acabado de acontecer.
“Eu realmente estou tendo um dia ruim.” Ela disse, enxugando as lágrimas. “De onde te conheço?”
Eu sorri, “Eu nunca te vi antes.”
Mais surpresa em seu rosto, “Você parece tão familiar.”
Um táxi finalmente parou e ela agradeceu. Eu disse que Deus a abençoasse. Depois percebi que eu não tinha perguntado seu nome. 

Voltei a caminhar e comecei a orar por ela. E foi quando aquela sensação de leveza me invadiu.
A jovem desconhecida era quem estava enfrentando um dia difícil, mas fui eu que aprendi uma lição e me senti confortada.
Aprendi que, às vezes é bom diminuir o ritmo e olhar ao redor porque Deus manifesta-se nas pequenas coisas da vida. Com simplicidade.

Por que demoramos tanto para perceber?



*Crônica originalmente publicada na edição n° 249 do Jornal O Mensageiro 7.
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