24 de dezembro de 2013

Dicas de sobrevivência para antissociais

Como sobreviver às festas familiares: Edição de Natal



1- Não entre em pânico!
2- Fique em seu quarto o máximo possível (se der para trancar a porta, melhor).
3- Se preferir, enfie a cara num livro.
4- Não seja pego de surpresa pelo parente que não entende o que é ser antissocial.
5- Quando alguém perguntar o que você está lendo, diga apenas "um livro".
6- Se a pessoa quiser saber mais, mostre a capa do Guia do Mochileiro das Galáxias.
7- Se a pessoa perguntar se é para a escola/faculdade, responda que sim.
8- Se a pessoa for muito maroca (curiosa) e quiser um resumo, faça-o da maneira mais lenta, pausada e chata possível. Ela vai se afastar.
9- Caso ela não se afaste imediatamente, peça licença para ir ao banheiro URGENTE.
10- É importante ignorar os olhares e comentários sobre você ser esquisito(a).
11- Ignore seus pais dizendo que não sabem mais o que fazer com você.
12- Ignore os apelidos que os primos vão colocar em você. Por exemplo: vampiro(a), morcego(a), entocado(a), etc.
13- Empiricamente comprovado que os filhos dos primos supracitados têm a tendência de se tornarem exatamente como você.
14- Caso você não possa se esconder no quarto, finja interesse na conversa ao seu redor.
15- Faça expressões faciais condizentes com o tipo de história sendo narrada. Exemplos: a) morte, doenças, bicho-do-pé e afins - expressão triste. b) casamentos, nascimento do primo n° 2837364 e afins - expressão alegre. c) outros assuntos - expressão neutra com pequenos movimentos e sons como "hein, hein".
16- JAMAIS entre em discussões sobre política, futebol e religião!
17- Outras discussões a serem evitadas: Quantos magos realmente foram ver Jesus? E  qual a verdadeira data do nascimento de Jesus?
18- Não faça comentários comprometedores que possam levá-lo a ter que pronunciar mais de três palavras em uma sentença.
19- Caso isso aconteça, não há manual nessa vida que possa te ajudar.

FELIZ NATAL!


LEIA TAMBÉM:
Pseudo-crônica de Natal - Free to be me

19 de dezembro de 2013

Redeeming Love* (Amor de Redenção), de Francine Rivers



Editora: Multnomah
Ano de lançamento: 1991
Ano da edição: 2013
Páginas: 464


California's gold country, 1850. A time when men sold their souls for a bag of gold and women sold their bodies for a place to sleep.

Angel expects nothing from men but betrayal. Sold into prostitution as a child she survives by keeping her hatred alive. And what she hates most are the men who use her, leaving her empty and dead inside.

Then she meets Michael Hosea. A man who seeks his Father's heart in everything, Michael obeys God's call to marry Angel and to love her unconditionally. Slowly, day by day, he defies Angel's every bitter expectation, until despite her resistance, her frozen heart begins to thaw.

But with her unexpected softening come overwhelming feelings of unworthiness and fear. And so Angel runs. Back to the darkness, away from her husband's pursuing love, terrified of the truth she no longer can deny: Her final healing must come from the One who loves her even more than Michael does ... the One who will never let her go.



Eu e "Redeeming" nos vimos pela primeira vez em meados de 2004. Ele estava sendo lido por uma americana durante uma viagem missionária que eu estava participando. Nessa época eu ainda não lia livros em inglês, mas mesmo assim eu queria aquele livro.

O primeiro reencontro só aconteceu em maio de 2011 graças à biblioteca. Li compulsivamente fazendo apenas as paradas obrigatórias para dormir, trabalhar e banhar (comer e usar o banheiro contam como tempo de leitura). Ao terminar não consegui escrever a respeito, não quis escrever, ele foi colocado na lista de "futuras compras". Por várias vezes, eu quase comprei, mas sempre algo acontecia e não dava certo.
Em setembro desse ano, fazendo a escolha que a editora me ofereceu para resenhas ao bater os olhos em "Redeeming" eu sabia que o segundo reencontro aconteceria.

Para quem não conhece a história de Oséias, eu aconselho a ler, já que ele é um dos profetas menores, então não demora tanto, mas não é obrigatório, você consegue entender Redeeming Love muito bem mesmo sem nunca ter lido o livro de Oséias. Porém, com esse contexto fica mais fácil compreender de onde o enredo vem.
Então, de forma superficial podemos achar que é só uma ficção baseada no casamento simbólico de Oséias e Gomer, uma história de amor que é praticamente uma novela com traição, perdão, traição de novo, e por aí vai. Se alguém já leu o Velho Testamento da Bíblia, vai entender essa analogia que representa o amor de Deus pelo povo de Israel.
Se trouxermos para a atualidade, podemos dizer que é a representação do amor de Deus pela humanidade. Um amor que nunca desiste e que sempre está disposto a perdoar e redimir.

Foi apenas nessa segunda leitura que percebi que eu poderia ser Angel. E também poderia ser Paul (que foi um personagem que odiei na primeira leitura). E aí me atingiu em cheio: O livro de Oséias e Redeeming Love também é uma representação do amor de Deus por Aline.
A Aline que acha que pode controlar sua própria vida. A Aline que é capaz de virar as costas para Ele para seguir sua própria vontade. A Aline que em sua busca por "amor" acabou abandonando o amor mais puro e real que alguém já teve por ela.

Depois de muito tempo e muita dor, Angel encontra o único amor capaz de redimi-la. Aline também espera ser redimida para que possa fazer da canção abaixo sua declaração de amor verdadeiro.




LEIA TAMBÉM:
Free to be me
Fechei com Ele
Belbellita




*Recebi esse livro gratuitamente do WaterBrook Multnomah Publishing Group para essa resenha. 

23 de novembro de 2013

Presente inesperado.

Não sei vocês, mas tem hora que ser gente grande me cansa e muito.
Decisões e mais decisões, coisas pra fazer, corre daqui pra lá e de lá pra cá, e ainda assim fica faltando tempo e sobrando muito pra fazer.
E as crises? Eu bem que tento, mas 80% das vezes eu sempre perco pra mim mesma. E apesar de puxar minha própria orelha, me sinto a pior das criaturas sobre a face da Terra.
Às vezes o negócio é tão sério que os dias entram em um ciclo interminável e repetitivo que quando você percebe, o pessoal já está colocando as decorações de Natal. E você até se assusta achando que o povo só pode tá ficando doido, só que não.

Quantas vezes alguém conseguiu parar tudo, absolutamente tudo, e só respirar e não pensar em nada só por 1 minuto que seja durante essa semana? E durante o mês? Quer tentar agora?
Difícil, né? Imagina se no meio disso tudo ainda vai sobrar tempo pra conversar com Deus, a não ser que você faça tipo como nesse vídeo AQUI.
Mas aí recebi um livro, pequeno, cabe na bolsa, não pesa, tem uma capa bonita, e é cheio de ilustrações... er... fofas. Daí comecei a ler e não consigo terminar, não porque o livro é ruim, muito pelo contrário, ele é tão bom que estou "saboreando" lentamente, lendo e relendo ao mesmo tempo, refletindo sobre o que estou lendo, o que seria quase impossível se eu decidisse ler em uma sentada (o que seria bem fácil).
É que a mensagem desse livrinho me atingiu em cheio e tenho certeza que foi um presente que eu nem estava esperando, mas que chegou na hora certa.


Título: His Treasure - Gems of Love from Your King*
Autora: Sheri Rose Shepherd
Editora: Tyndale Momentum
Ano: 2013
Páginas: 186
Comprar: Amazon / ChristianBook / Booksamillion


If you have ever struggled to find a way to connect your heart to your heavenly Father, His Treasure is the book for you. In the tradition of Sheri Rose Shepherd's bestselling His Princess series (with over one million in print) comes this book of beautiful "love letters" from God that will remind you of your priceless worth in Christ. Each scriptural love letter is written in language that speaks to the heart of every woman. You'll discover treasures of truth, real love, and wisdom from God's Word. Get ready for an amazing encounter with your King.


O estilo é como devocional, cada capítulo é sobre uma determinada característica de Deus seguida por uma carta (um bilhete) de Deus pra você, mais um versículo bíblico e uma citação chamada de "Tesouro da Verdade".
Por exemplo, "Sua (de Deus) Perspectiva" é o título/tema da página, em seguida vem a carta que às vezes pode até fazer chorar (eu choro!), o verso é de João 16:33 e o "Tesouro da Verdade" é o seguinte (um dos meus favoritos até agora):
"Não olhe para as pessoas para ver Deus; olhe para Deus para ver as pessoas a partir de Sua perspectiva."
Faz a gente parar meio que no susto e pensar, não faz?

A grande questão do livro é que ele é escrito diretamente para mulheres. As cartas usam a expressão filha, princesa, amada, preciosa, etc; e acho que isso faz toda a diferença por conseguir realmente falar ao coração feminino como diz aí em cima na sinopse. Como eu disse, às vezes eu choro.
Nossas batalhas diárias, nossas dificuldades, nossas emoções, nossos corações, tudo o que constitui ser mulher pode ser confuso e problemático. "His Treasure" nos faz lembrar de quem somos nEle, de para que fomos criadas, e a quem nosso coração e amor pertencem.
Na correria diária a gente sempre esquece de parar tudo e simplesmente ouvir, entender e obedecer. Esquecemos que somos "Seus tesouros peculiares", e que não estamos aqui nesse mundo por acaso por causa de um acidente cósmico.

Que tipos de livros vocês lêem bem lentamente só pra não acabar logo?


*Tyndale House Publishers has provided me with a complimentary copy of this book.

30 de outubro de 2013

The Devil Has No Mother, de Nicky Cruz

Quando eu era professora de inglês lá na terrinha, uma das coisas que eu menos gostava era da última semana de outubro, especificamente do dia 31. Nas escolas grandes e cursos eu até conseguia me "livrar", mas em uma escola pequena, sendo a única professora de inglês do quadro de professores, a responsabilidade era toda e completamente minha de organizar a tal "Festa de Halloween". Essa é uma das coisas nessa vida com que realmente Não Sei Lidar.
Eu sei que as crianças ADORAVAM tudo aquilo, mas eu ficava com cara de tacho e nunca mesmo coloquei uma fantasia sequer. (Uma vez peguei duas professoras cochichando sobre mim, mas fingi que não ouvi). Eu explicava sobre a questão cultural americana bem superficialmente, e em menos de 5 minutos tudo que eles queriam eram os doces. Então, tá.
Tudo é uma questão bem pessoal, gente. Não vou relatar a origem e o significado do "Dia das Bruxas" (Wikipédia taí), mas para mim é algo que faço questão de não me envolver e participar, exatamente por não concordar com o conteúdo e o que tudo aquilo realmente significa.
Algumas pessoas acham que não tem problema algum, que é só uma festinha, que as crianças precisam se divertir, etc. Tudo bem, sem problema, mas tenho o direito de discordar.
E só para "jogar mais lenha na fogueira", gostaria que você deixasse SUA opinião nos comentários abaixo: Há algum problema em celebrar o "Halloween"? Por quê?

Tá, Aline, mas o que isso tem a ver com o livro que você leu?


Título: The Devil Has No Mother*
Autor: Nicky Cruz
Editora: Worthy Publishing
Ano:2013
Páginas: 256
Comprar: Amazon / ChristianBook


Nicky Cruz knows all about the power of the devil. Since his own dramatic conversion in the 1960's from a life of crime as a New York gang leader, he has met and heard the stories of suffering of many ordinary people, as well as some of the worst prisoners in high security prisons around the world.
Drawing on his spiritualist childhood, his life in New York, and his knowledge and experience of over four decades of spiritual warfare since that time, The Devil Has No Mother shares Nicky Cruz's hard-won understanding of how the devil will try everything possible to gain power in this world - but also shows clearly that it is God who will win the day.
THE DEVIL IS WORSE THAN YOU THINK, BUT GOD IS MUCH, MUCH GREATER.


Escolhi postar sobre The Devil Has No Mother hoje propositalmente por causa de amanhã. E também porque acredito que a temática do livro é pertinente e atual.
Desde sempre um dos temas sempre encontrado na Literatura é a luta entre o BEM e o MAL. Em alguns gêneros isso é mais claro do que em outros, mas é por isso que existem vilões e mocinhos. A Bíblia, por ser um conjunto de livros, está cheia dessa temática. Até Criminal Minds!
Enfim, mas saindo da literatura e afins, nossa vida é sempre uma luta entre o BEM e o MAL. E quer você acredite ou não, existe um mundo espiritual que cerca este mundo físico o tempo inteiro. Existe uma batalha entre o BEM e o MAL, e essa batalha está sendo travada pela nossa alma. 
Eu sei que tem gente que não acredita que o Diabo  existe e outros que acreditam até demais. Os dois extremos podem causar problemas.

O livro inicia questionando por que existe tanta maldade no mundo, o que/quem causa. A parte 1 fala sobre a batalha que citei acima. A parte 2 fala sobre quem é o Diabo (e o que ele pode e não pode fazer). A parte 3 fala sobre Deus e quem Ele é. E a parte 4 se concentra em nossa guerra espiritual.
Eu não tinha uma ideia exata do que eu estaria lendo quando escolhi esse livro, mas o título me chamou a atenção. Uma das coisas boas sobre essa leitura é que dá para perceber que o autor é centrado e bem equilibrado em suas colocações. E quando ele expressa uma opinião pessoal, ele deixa bem claro e explica seus motivos. Por exemplo, há uma parte  em que ele fala sobre coisas que acreditamos ser "inofensivas" e que estão presentes em nossa cultura, literatura, TV, etc. O autor cita alguns livros e autores (muitos que eu já sabia ou já tinha lido a respeito) e explica seu ponto de vista, afirmando que ele acredita ser um ataque direto às famílias e principalmente às crianças.

Outro ponto no livro é sobre como a Igreja se tornou apática e não está cumprindo seu papel e a mensagem cristã se tornou vazia. Gostamos de falar sobre bençãos, prosperidade, bondade de Deus, mas esquecemos que Ele não prometeu  uma vida aqui na Terra livre de conflitos e sofrimentos. Os ataques não estão limitados à certas pessoas. TODOS nós vamos ser atacados e sofrer oposição.
O livro também fala sobre a questão das doenças (uma questão que geralmente gera muita confusão.). Será que toda doença vem do Diabo como alguns defendem? (não vou responder nem compartilhar a resposta do autor). E ele faz a distinção entre opressão diabólica e depressão.
O autor oferece algumas soluções para que nossa batalha não seja tão mais difícil do que já é, sendo a oração uma das principais armas nessa guerra. "O Mal será derrotado por um exército de joelhos".
E pode até parecer que tudo isso não tem jeito, já que sabemos que essa luta vai ser travada por toda a vida, mas sabendo que o mais importante é "viver todos os momentos na graça e misericórdia de Deus, deixando que o Espírito nos leve onde podemos fazer o melhor." E a gente já sabe que no fim das contas, Deus é muito mais poderoso e a guerra já foi vencida.

SOBRE O TÍTULO: 
"Ese hombre no tiene madre" é uma expressão em espanhol usada para se referir a meninos inclinados para o mal e destruição. Por isso o autor escolheu essa expressão como título do livro para descrever quem o Diabo realmente é.


Deixem seus comentários sobre o assunto e não esqueçam de responder as perguntas que coloquei em negrito ao longo do texto (eu realmente quero saber o que vocês pensam).
A editora disponibilizou dois exemplares do livro, vou sorteá-los entre os comentaristas para comemorar o aniversário do blog (que é hoje!).




*Worthy Publishing provided me a copy of the book for free for this review.

25 de outubro de 2013

Cicatrizes

Quem tem alguma cicatriz levanta a mão o/. Você tem alguma história sobre como “ganhou” sua(s) cicatriz(es)?
Tenho uma cicatriz rosada na coxa esquerda de quando me queimei com café(!) em 2006.  Nessa mesma coxa tenho uma cicatriz de quando me cortei com arame farpado por volta dos 5 anos de idade. Tenho uma cicatriz na palma da mão direita de quando caí aprendendo a andar de bicicleta. Tenho outra na canela esquerda de quando me machuquei num dos brinquedos de um acampamento de dia das crianças. A cicatriz mais antiga que tenho é na sobrancelha esquerda. De acordo com minha mãe caí da cadeira quando tinha uns 3 anos. Vocês acham que são muitas? É porque não conhecem um dos meus irmãos. Ele quebrou a cabeça duas vezes (que eu lembro). Quebrou o dedo do pé jogando futebol. Ele perfurou o canto do olho com um lápis! Talvez a pior de todas foi quando ele cortou o antebraço em arame farpado num retiro. Todos esses machucados o levaram para o hospital e a maioria teve que ser ponteada. Eu só fui pro hospital por causa da queimadura, então ainda estou no lucro.
Essas cicatrizes que mencionei são aquelas que machucam temporariamente, mas depois elas curam e só ficam as marcas para a gente lembrar e comparar quem era mais teimoso na infância. 

 O corte é fundo, mas nunca profundo o bastante para mim
 Não machuca o suficiente para me fazer esquecer.
 Um momento de alívio nunca dura o bastante
 Para fazer com que as vozes na minha cabeça não roubem minha paz

Existem outras cicatrizes e machucados que são mais complicados. Certas cicatrizes não são visíveis, mas elas existem e podem causar muitos problemas emocionais e psicológicos.  Como é o caso da Kirsten.
Kirsten, assim como 99% da humanidade, sofre com culpa e vergonha. O leitor não consegue identificar logo de cara do que se trata exatamente, mas dá pra perceber que a garota tem muitos problemas emocionais que se acumulam até o fatídico dia em que seu namoro vai para as cucuias.

 Posso parecer louca
 Ou dolorosamente tímida
E essas cicatrizes não estariam tão escondidas
 Se você apenas me olhasse nos olhos
 Me sinto sozinha e fria aqui
 Mesmo não querendo morrer
 Mas é o único anestésico que me faz sentir algo morrer por dentro

Wes, o namorado, é completamente sem noção.  Mas a família (desestruturada) da Kirsten também não fica atrás.
O livro me fez pensar em quantas vezes carregamos tanta coisa dentro da gente, tanta culpa e vergonha por coisa que fizemos, que nos fizeram, e não conseguimos nos redimir, até que um dia tudo parece explodir e desabamos. 
Nunca cometi automutilação e nunca conheci pessoalmente alguém que sofresse com isso, mas como é algo tão profundo e pessoal, não acho que ficaria tão claro assim. Por exemplo, Kirsten não corta os braços como é comum para quem sofre desse distúrbio, ela escolhe partes do seu corpo que outras pessoas não vão ver facilmente, como as coxas, os ombros, a barriga. O que é mais perturbador talvez é que ela sabe exatamente quando e porquê ela fez cada corte.

 Não sou uma estranha
 Não, sou sua
 Com tanta raiva
E lágrimas dolorosas que ainda caem
 Mas não quero ter medo
 Não quero morrer por dentro só para conseguir respirar
 Estou cansada de não sentir nada
 Alívio existe e encontrei quando
 Me cortava

O livro me fez refletir sobre o fato de que somos capazes de criar outros métodos de “mutilação” para lidar com a culpa e a vergonha. Não apenas a automutilação.
E que um dos maiores problemas que essas pessoas sofrem é que ou elas são taxadas como suicidas ou como pessoas que só querem chamar atenção para si mesmas (como a mãe da Kirsten acredita). Eu acho que é mais uma forma de pedir socorro, mas sem saber como.
Kirsten inicia seu processo de restauração de uma forma bem inusitada, mas que serve de lição para todos nós. Enquanto ficarmos escondendo todos esses sentimentos sem encará-los de frente, somos nós mesmos e aqueles próximos a nós que se machucam. E claro, para Deus não existe nada, nada mesmo que não possa ser redimido.
“Tente ouvir o eco de Deus. É onde a terapia começa.” (p.126)

 Existiam cicatrizes antes das minhas
 O Amor escrito nas mãos que colocaram as estrelas no céu
 A Esperança vivendo no sangue que foi derramado por mim


Título: The Merciful Scar*
Autoras: Rebecca St. James & Nancy Rue
Editora: Thomas Nelson
Ano: 2013
Páginas: 355 
Comprar: Amazon / ChristianBook 


Kirsten has spent her life trying to forget. But mercy begs her to remember.
When she was in high school, a terrible accident fractured her family, and the only relief Kirsten could find was carving tiny lines into her skin, burying her pain in her flesh. The pain she caused herself was neat and manageable compared to the emotional pain that raged inside.
She was coping. Or so she thought.
But then, eight years later, on the night she expects her long-time boyfriend to propose, Kirsten learns he's been secretly seeing her best friend. Desperate to escape her feelings, she reaches for the one thing that gives her a sense of control in the midst of chaos.
But this time the cut isn't so tiny, and it lands her in the psych hospital. Within hours of being there she knows she can't stay--she isn't crazy, after all. But she can't go back to the life she knew before either.
So when her pastor mentions a treatment program on a working ranch, Kirsten decides to take him up on the offer and get away from it all. But the one thing she can't escape is herself--and her shame.
The ranch is home to a motley crew, each with a lesson to teach. Ever so slowly, Kirsten opens herself to embrace healing--even the scarred places that hurt the most. Mercy begs her to remember the past . . . showing her there's nothing that cannot be redeemed.

Músicas citadas (clique para ouvir):
Control – JJ Heller
Cut – Plumb  

Outros livros que tratam sobre o assunto (que já li):
Cut – Patricia McCormick
Handle with Care – Jodi Picoult.




* Recebi esse livro gratuitamente através do Programa BookSneeze®  especificamente para esta resenha.

14 de setembro de 2013

Faking Grace, de Tamara Leigh

Você já fingiu ser alguém que não é? Não no sentido de usar disfarce, mas agindo de uma maneira que não é quem você é de verdade?
Quem nunca fez isso, retire-se agora, por favor.
Às vezes a gente finge porque quer impressionar alguém, o menino que quer namorar a menina, ou a menina que quer mostrar pro menino que é inteligente. Entre amigos é comum querermos contar vantagem também.
Há aqueles que fingem simplesmente pelo prazer de mentir, de enganar outra(s) pessoa(s). E ainda há aqueles que fingem só porque está faltando uma pia de louça para lavar em casa.
Qualquer que seja o motivo para fingirmos ser alguém que não somos, em nossa cabeça conseguimos justificar isso, porém as consequências que nos esperam do outro lado são quase sempre desastrosas. Ninguém gosta de gente mentirosa e muito menos de fakes na internet.
Maizy Grace finge ser alguém que ela não é por um motivo extremamente "justificável", ela precisa desesperadamente de um emprego, e o único disponível para aceitá-la requer algumas regras de conduta que não fazem parte de sua rotina.
É engraçado ver alguém tentando incorporar uma vida cristã que ela nunca viveu. Sério! Maizy faz listas sobre as coisas, desde de como usar o cabelo, maquiagem, jóias, até os adesivos que ela vai colocar no carro, etc.
Maizy é aquele tipo de pessoa que no meio cristão é chamada de "crente só de nome". O problema é que para pagar as contas ela precisa de um segundo emprego, e uma editora cristã está oferecendo uma vaga para a qual ela é mais do que qualificada, só que eles querem alguém que "vive o que prega".

É interessante ver como a protagonista vai mudando lentamente ao longo das confusões que acontecem na história. Apesar do final previsível, a autora mostra seres humanos que acreditam em Deus e que querem seguí-lo, mas que continuam humanos com suas fraquezas e erros, pessoas que travam batalhas todos os dias contra coisas em si mesmas que não são boas. Isso dá um tom realista para o livro.
Gostei que o título tenha duplo sentido. Maizy tem que tanto fingir ser Grace, quanto fingir a "Graça" que é um dos fundamentos do Cristianismo. E que na prática não é tão simples assim de se fingir.

Eu sei que muita gente acha que crente é tudo chato, ou julgadores, ou idiotas, ou qualquer coisa dessa natureza; e provavelmente a culpa é nossa mesmo se as pessoas pensam isso de nós, já que essa é a imagem que temos passado. Quando na realidade, podemos resumir nossa vida no que Paulo disse em Romanos 7: "Sei que nada de bom habita em mim [...]. Porque tenho o desejo de fazer o que é bom, mas não consigo realizá-lo. Pois o que faço não é o bem que desejo, mas o mal que não quero fazer, continuo fazendo." (NVI)


Título: Faking Grace*
Autora: Tamara Leigh
Editora: Multnomah
Ano: 2008
Páginas: 380
Histórico de leitura
Comprar: Amazon / ChristianBook / BetterWorldBooks


All she wants is a job. All she needs is religion. How hard can it be?

Maizy Grace Stewart dreams of a career as an investigative journalist, but her last job ended in disaster when her compassion cost her employer a juicy headline. A part-time gig at a Nashville newspaper might be her big break.

A second job at Steeple Side Christian Resources could help pay the bills, but Steeple Side only hires committed Christians. Maizy is sure she can fake it with her Five-Step Program to Authentic Christian Faith–a plan of action that includes changing her first name to Grace, buying Jesus-themed accessories, and learning “Christian Speak.” If only Jack Prentiss, Steeple Side’s managing editor and two-day-stubbled, blue-jean-wearing British hottie wasn’t determined to prove her a fraud.

When Maizy’s boss at the newspaper decides that she should investigate–and expose–any skeletons in Steeple Side’s closet, she must decide whether to deliver the dirt and secure her career or lean on her newfound faith, change the direction of her life, and pray that her Steeple Side colleagues–and Jack–will show her grace. 



  

*Recebi esse livro gratuitamente do WaterBrook Multnomah Publishing Group para essa resenha. 
Sei que nada de bom habita em mim, isto é, em minha carne. Porque tenho o desejo de fazer o que é bom, mas não consigo realizá-lo.
Pois o que faço não é o bem que desejo, mas o mal que não quero fazer, esse eu continuo fazendo.

Romanos 7:18-19
Sei que nada de bom habita em mim, isto é, em minha carne. Porque tenho o desejo de fazer o que é bom, mas não consigo realizá-lo.
Pois o que faço não é o bem que desejo, mas o mal que não quero fazer, esse eu continuo fazendo.

Romanos 7:18-19
Sei que nada de bom habita em mim, isto é, em minha carne. Porque tenho o desejo de fazer o que é bom, mas não consigo realizá-lo.
Pois o que faço não é o bem que desejo, mas o mal que não quero fazer, esse eu continuo fazendo.

Romanos 7:18-19
Sei que nada de bom habita em mim, isto é, em minha carne. Porque tenho o desejo de fazer o que é bom, mas não consigo realizá-lo.
Pois o que faço não é o bem que desejo, mas o mal que não quero fazer, esse eu continuo fazendo.

Romanos 7:18-19

21 de agosto de 2013

An0maly, de Krista McGee

"Acho que sempre soube que havia algo errado comigo." 

Essa é a primeira frase do capítulo um. Thalli sente que há algo errado com ela, mas não sabe explicar ou entender porque não existem explicações. Isto é, explicações conhecidas para as pessoas do mundo em que Thalli vive.
O mundo como conhecemos foi dizimado numa guerra nuclear algumas décadas antes. Com isso, um novo mundo foi contruído no subterrâneo graças à intervenção de dez cientistas que previram o que aconteceria com a terra e tomaram providências.

O começo do livro me deu a sensação de estar diante de uma mistura entre Admirável Mundo Novo e Jogos Vorazes. A estrutura social é completamente diferente da que conhecemos, não existe casamento, religião, etc, e os humanos são produzidos em laboratórios com genes que determinam suas funções específicas e que garantam a manutenção das castas obrigatórias para o bom funcionamento da sociedade.
Além disso, os novos humanos não possuem sentimentos ou doenças. Caso isso aconteça, eles são considerados anomalias e devem ser eliminados para não "infectar" os outros.

O livro é narrado pela nossa protagonista de 16 anos. A função dela é a da música, mas não para autosatisfação, e sim para garantir a eficiência de todos os outros adolescentes que fazem parte de seu complexo habitacional que mais parece um hospital-prisão.O problema todo é porque ela sente coisas que os outros não sentem e ela questiona, o que é considerado uma malformação genética.
O Estado é controlado por um grupo de cientistas que se chama, Os Dez. Eles são sobreviventes da guerra que decidiram criar o novo mundo retirando o que eles acreditam ser a causa da destruição da humanidade.

Claro que Thalli acaba não conseguindo esconder seus sentimentos por muito tempo e os cientistas têm que eliminá-la, mas com a ajuda de seu amigo, Berk, que está sendo treinado para se tornar cientista, ela acaba ganhando mais um tempo de vida. Com isso, ela é submetida à uma bateria de testes, e Thalli acaba descobrindo que os cientistas escondem mais segredos do que ela poderia imaginar, segredos que podem mudar a vida de todos os habitantes do novo mundo.

O epílogo é a única parte narrada em terceira pessoa e faz o gancho cheio de curiosidade para o segundo livro que será lançando em 2014.
Fiquei em dúvida se tudo o que acontece com Thalli foi planejado desde o início, ou se os cientistas apenas decidiram usar o que acontece no final do livro.

 Para quem já leu vários livros distópicos, An0maly é só mais do mesmo. A autora não criou nada espetacular que o diferencie de outros livros com o mesmo tema. A minha motivação cresceu à medida que fui conhecendo as personagens e me preocupando com elas e com seus destinos.


Título: An0maly*
Autora: Krista McGee
Editora: Thomas Nelson
Ano: 2013
Páginas: 312
Comprar: Amazon / ChristianBook



Thalli has fifteen minutes and twenty-three seconds to live. The toxic gas that will complete her annihilation is invading her bloodstream. But she is not afraid.
Decades before Thalli’s birth, the world was decimated by a nuclear war. But life continued deep underground, thanks to a handful of scientists known as The Ten. There they created genetically engineered human beings who are free of emotions in the hope that war won’t threaten the world again.
Thalli is an anomaly, born with the ability to feel emotions and a sense of curiosity she can barely contain. She has survived so far by hiding her differences. But then her secret is discovered when she’s overwhelmed by the emotion of an ancient piece of music.
The Ten quickly schedule her annihilation, but her childhood friend, Berk - a scientist being groomed by The Ten - convinces them to postpone her death and study her instead. While in the Scientists’ Pod, Thalli and Berk form a dangerous alliance, one strictly forbidden by the constant surveillance.
As her life ticks a way, she hears rumors of someone called the Designer - someone even more powerful than The Ten. What’s more, the parts of her that have always been an anomaly could in fact be part of a much larger plan. And the parts of her that she has always guarded could be the answer she’s been looking for all along.
Thalli must sort out what to believe and who to trust, before her time runs out.





* Recebi esse livro gratuitamente através do Programa BookSneeze®  especificamente para esta resenha.

6 de agosto de 2013

Ser popular vale a pena?

Como foi sua experiência no Ensino Médio? Você gostou, tem saudades? Ou não gosta nem de lembrar?
Independente das diferenças que possam ter existido entre sua experiência e a minha, acredito que, de certa forma, nós passamos por coisas parecidas.
Afinal, o colegial (sou do tempo do Segundo Grau) é a última travessia que fazemos antes de sermos considerados "adultos de verdade". Só considerados mesmo porque na prática...

E você provavelmente já assistiu pelo menos um filme ou série americana que retrata o high school, e deu graças a Deus que no Brasil não é tão ruim assim e tudo deve ser só um clichê mesmo.
Líderes de torcida, patricinhas, atletas, nerds, estranhos, etc... Esses adolescentes não são vistos como indivíduos, mas como estigmas.
O título Popular me levou ao passado e... na minha escola existia a seguinte divisão: os riquinhos ou patricinhas/mauricinhos (hum, sempre me perguntei o que eles estavam fazendo em escola pública), os CDFs (quem inventou essa sigla?), os babões (podia ser dos professores, coordenadores ou diretores), a galera do fundão (a maioria dos bagunceiros eram eles), os gazeadores (só apareciam em tempo de prova e olhe lá), etc. MAS no fim das contas, quase todo mundo falava com todo mundo (a não ser os arquiinimigos), os "grupinhos" interagiam entre si.
O que é raro de ver no Ensino Médio americano. É como se fosse uma "mini-sociedade" hierárquica que perdura enquanto você estiver por lá. Existem regras e "leis" de conduta que todos devem seguir, quer gostem ou não.
Lógico que anos mais tarde, esse povo vai perceber que isso é a maior perda de tempo.

Para sobreviver ao high school é preciso coragem e uma boa dose de autoconhecimento, o que infelizmente é raro para adolescentes.
A autora do livro nos conta como ela escolheu o caminho mais "fácil" para encarar esse período. Tudo que ela queria era ser cool e popular, mas para isso ela teve que comprometer seus princípios para disfarçar suas inseguranças  e fazer o que todos os "populares" faziam.
Minha adolescência não foi um mar de rosas, muito pelo contrário, mas toda vez que eu me sentia pressionada a fazer algo que eu sabia ser errado, "todo mundo" estava fazendo e era "legal" eu lembrava do que meus pais costumavam falar: "Só porque todo mundo tá comendo 'b*sta', você vai comer também?"

Como toda garota eu queria me enquadrar, fazer parte, ser aceita, pertencer, mas com uma baixa autoestima que deveria ter sido chamada de "baixa baixa-estima" e um complexo de inferioridade horrível, eu nunca senti que poderia ser como as outras meninas que pareciam ter tudo que eu não tinha, de beleza física a namorados. Sim, esses dois foram os grandes problemas da minha adolescência (e que me fizeram perder muito tempo): eu queria ser bonita e queria ter um namorado! 
Levou muito tempo e terapia para eu conseguir superar isso. Estou brincando sobre a terapia, mas o tempo foi essencial. Lógico que tive que aprender a me amar e me aceitar antes que os outros pudessem me amar e me aceitar. 
Aprendi que ser "diferente" nem sempre significa uma coisa ruim, mas que você pode fazer a diferença não apenas em sua própria vida, mas nas vidas das pessoas ao seu redor.

No caso do livro, além de ter tido os mesmos problemas que eu, Tindell quis mais, ela queria chegar ao topo da pirâmide. O problema foi que ela descobriu tarde demais que o "topo", na verdade, é um precipício e que muitos jovens continuam caindo nele o tempo todo.
Ela descobriu que as festas não conseguiam preencher o vazio que ela sentia. Que as bebidas alcóolicas e as drogas não conseguiam preencher o vazio dentro dela. Que a atenção temporária que os garotos ofereciam através de sexo também não conseguiam preencher o vazio. Na verdade, ela descobriu que tudo isso fez com que o vazio e toda a necessidade que ela sentia aumentassem muito mais.

O resto da história a gente consegue deduzir. Ela precisou ir ao fundo do poço para entender que ser popular não podia dar a ela o que ela mais queria: alegria genuína.
O livro é escrito para adolescentes (dividido em duas partes: "Escuridão" e "Luz"), mas os pais devem ler (fiquei imaginando o quanto os pais precisam sim se envolver na vida dos filhos adolescentes).
A linguagem é super direta, sem rodeios ou floreios, e ela relata não apenas sua redenção, mas também as consequências que carrega até hoje.
Todos nós cometemos erros. O que muda é nossa resposta a esses erros. Nos arrependemos de verdade? Aprendemos com eles? Lembrando que muitas vezes as consequências ficam conosco para sempre. O ideal é aprender com nossos erros e ensinar aos outros aquilo que aprendemos. Nem sempre todo mundo vai querer ouvir, mas uma pessoa que seja vale a pena.
No caso da autora, além de escrever um livro, ela trabalha com meninas dessa faixa etária em escolas.

Vocês acham que vale a pena um adolescente fazer qualquer coisa para ser popular?


Título: Popular*
Autora: Tindell Baldwin
Editora: Tyndale
Ano: 2013
Páginas: 256
Comprar: Amazon / ChristianBook


At fifteen, Tindell Baldwin weighed her options--continue to follow the path and the rules set by her Christian family, or find her place in the "popular" group and have some real fun. She decided to write God a good-bye letter and set out to live the life she thought she wanted.

In her memoir, she shares provocative, raw insights into her journey through high school that led to places she never intended to go. She writes vividly and honestly to help anyone thinking of taking a similar journey themselves. Tindell shares the often untold cost of emotional pain that comes as a result of the decisions many of us make to fit in.

Her story shows the temporary, shallow, and painful parts of living life on the wild side while shedding light on how she stumbled back to God and discovered grace.



*Tyndale House Publishers has provided me with a complimentary copy of this book.

24 de julho de 2013

Te vira nos 30: 118 dias

Não, hoje não vou reclamar. Só quero compartilhar mais uma música da trilha sonora "dos 30".
Mas antes, queria pensar um pouco sobre como eu achava que à medida que a gente envelhecia, amadurecia, crescia, os sentimentos fossem tornando-se completamente diferentes... Enfim, se alguém que está passando, ou já passou, por essas mudanças "drásticas" de idade, mas que por dentro se sente diferente de mim, FALE AGORA OU CALE-SE PARA SEMPRE!

Espera, mas não era exatamente sobre isso que queria falar. Eu queria falar sobre o desânimo que a gente sente quando chega nessa fase e... Vocês lembram quantos planos a gente faz antes, durante e depois da faculdade, por exemplo?
É como a Emma Morley de Um Dia, a gente acha que é quase invencível e que nada vai nos impedir de mudar o mundo, porque nós vamos ser diferentes dos outros...

Você era jovem, você era livre
E você se atreveu a acreditar que podia ser a garota
Que podia mudar o mundo

Mas como eu disse em outro post, a vida acontece e nem sempre as coisas saem como queremos ou planejamos. Não tem nada errado com isso, sério. Na verdade se fosse diferente ia ser mega chato, mas para pessoas que tem problemas com controle isso pode até causar "morte". Mas só um aviso para quem ainda acha que pode controlar a vida: Sinto muito te informar que não, ninguém tem o poder de fazer isso e viver plenamente.

Então sua vida sofreu uma reviravolta
E você caiu e se machucou
Mas você continua aquela garota

Sabe o que me enche de esperança? O que alguém me disse há quase 10 anos atrás: "Enquanto há vida, há propósito". Definitivamente minha vida não saiu do jeito que eu pensei e planejei, mas...

Às vezes a vida não acontece do jeito que você planejou
E todos nós temos dias que simplesmente não entendemos.
Procurar por significado nem sempre é fácil
Mas sua história não chegou ao fim, ainda está sendo contada
                                           Seu amanhecer vai chegar mais brilhante que ouro


16 de julho de 2013

Casos da Vida Real IV

A querida e única repórter dessa humilde redação trouxe à nossa atenção um caso de atentado à sua identidade.
"Sempre começa quando eles perguntam meu nome", ela nos informou com lágrimas nos olhos. "Tudo piora se eu tento soletrar letra por letra. Não aguento mais isso! No ínicio eu sempre corrigia, mas depois de um tempo, deixei que me chamassem como eles entendiam."

De acordo com nossa investigação minunciosa, há alguns meses atrás nossa repórter precisou ser internada em uma clínica de recuperação para pessoas com crise de identidade. O tratamento foi rigoroso.
"Cheguei ao ponto de não conseguir lembrar qual era meu nome verdadeiro. Tive vários problemas legais porque eu hesitava ao assinar documentos e cheques sem fundos, o que fez com que as autoridades desconfiassem da minha autenticidade."

O estopim aconteceu quando nossa repórter foi encontrada vagando pelas ruas da cidade, repetindo: "Meu nome não é Aileen, nem Eileen, muito menos Helena. Meu nome não é Aileen, nem Eileen, muito menos Helena."
De acordo com o psiquiatra responsável pelo tratamento da mesma, essa síndrome é mais comum do que se imagina. "Os primeiros sintomas são sempre sutis. O nosso conselho é que ao detectar a possibilidade de um ataque, o paciente não entre em pânico, ligue para a emergência e permaneça em um local fresco e arejado até a chegada dos primeiros socorros."

Nossa repórter nos informou que já contactou sua advogada para processar a ONG que representa a Associação Gringos Têm o Direito de Pronunciar Seu Nome Errado.
"Se todos processassem as pessoas que não pronunciam seu nome corretamente, todos os dias seriam milhares de casos na justiça."
A representate da Associação se pronunciou com a seguinte nota: "Sempre aconselhamos as pessoas que sucumbem à essa síndrome que procurem uma alternativa, como um apelido, por exemplo, ou o uso de seu sobrenome."

Nossa repórter afirmou que esta técnica foi utilizada, mas que seus problemas se multiplicaram.
"Quando eu usava meu sobrenome Gomes /Gomis/, as pessoas entendiam Gomez /GomÊZ/, então até que eu conseguisse explicar que a origem do meu sobrenome era portuguesa e não espanhola, a fila da lanchonete já estaria dobrando o quarteirão."

Até o fechamento desta edição, as duas partes envolvidas no caso ainda não tinham chegado a um acordo. Mas qualquer que seja a decisão do Tribunal Superior de Causas Nominais Internacionais, esperamos que nossa repórter responda bem ao tratamento médico. Força! Torcemos por você! E sabemos que você não é Aileen, nem Eileen, muito menos Helena!


NOTA DE ESCLARECIMENTO:
Venho através desta apresentar meu pedido formal de desculpas a todos que, de uma forma ou de outra, no passado, no presente e até no futuro, eu tenha pronunciado seu nome erroneamente. Perdoe-me e espero não ter causado danos irreparáveis à sua saúde mental e à sua identidade.
Sinceramente,
Meu nome não é Aileen, nem Eileen, muito menos Helena.

1 de julho de 2013

Wishing on Willows, de Katie Ganshert

Quem nunca esperou (ansiosamente) pela continuação de um livro ou filme? Ou pelo menos desejou que aquele livro favorito tivesse uma continuação? Nos apegamos à personagens que existem apenas nas páginas e imaginamos que são de carne e osso como nós. E por favor, continue contando a história deles.
Por isso depois de ler Wildflowers of Winter e saber que a autora estava escrevendo uma continuação, eu esperei. Esperei sem ansiedade porque minha lista de leituras nunca tem menos de 10 livros mesmo.
Até que chegou o dia em que Wishing on Willows chegou e pude acompanhar aqueles personagens novamente, quatro anos depois de onde o primeiro livro terminou. 
E sim, tem planta no meio de novo. Enquanto no outro livro eram as flores do campo, neste são os salgueiros (willows), na verdade um salgueiro específico que fica perto de um lago. Robin, a protagonista da vez, tem uma relação especial com esse salgueiro porque embaixo dele é para onde ela vai quando precisa pensar, chorar, etc (Alguém pensou em Meu pé de laranja lima?) 

Robin se divide entre seu filho e seu café, mas a dor da perda ainda a envolve como um cobertor grosso e grande, às vezes é difícil sair de debaixo dele. Porém, para muitas pessoas, já está passando da hora pra Robin reconstruir sua vida ao lado de um outro homem. Ah, as boas intenções das pessoas, elas sempre sabem o que é melhor pra você mais do que você mesmo.                                              
Se eu fosse viúva, tivesse um filho pequeno e um café que está quase no vermelho, a última coisa na minha lista de prioridades seria arrumar um namorado, mas aparentemente muita gente não pensa assim.
Ian é o outro protagonista que vem de uma família tradicional, filho do empresário que ganhou a licitação pra construir condomínios na cidade. Meninas, ele tem descendência italiana e sabe cozinhar! Um homem bonito que sabe cozinhar! Tinha que ser num livro mesmo!
Dessa vez o ponto de vista é dividido entre Robin e Ian, com uma pequena participação de Amanda (cunhada da Robin) cujo namorado foi embora pra África, aparentemente sem nem perguntar se ela queria ir junto. Amanda é aquela amiga extrovertida que te coloca em muitas situações constrangedoras só porque quer te ajudar.

O ponto dramático no livro gira em torno das construções na cidadezinha que afetam Robin e seu café diretamente. Como ela pode abrir mão do sonho que fez com que ela tivesse vontade de viver novamente? Ela deve vender seu café só porque ele está no vermelho e reconstruir em outro local ou ela deve continuar lutando por aquilo que é dela? Até que ponto uma cidade pode ir com o objetivo de melhorar seu turismo, comércio e qualidade de vida para os habitantes?



Título: Wishing on Willows*
Autora: Katie Ganshert
Editora: Multnomah
Ano: 2013
Páginas: 320
Comprar: Amazon / ChristianBook


Does a second chance at life and love always involve surrender? A three-year old son, a struggling café, and fading memories are all Robin Price has left of her late husband. As the proud owner of Willow Tree Café in small town Peaks, Iowa, she pours her heart into every muffin she bakes and espresso she pulls, thankful for the sense of purpose and community the work provides. So when developer Ian McKay shows up in Peaks with plans to build condos where her café and a vital town ministry are located, she isn’t about to let go without a fight. As stubborn as he is handsome, Ian won’t give up easily. His family’s business depends on his success in Peaks. But as Ian pushes to seal the deal, he wonders if he has met his match. Robin’s gracious spirit threatens to undo his resolve, especially when he discovers the beautiful widow harbors a grief that resonates with his own. With polarized opinions forming all over town, business becomes unavoidably personal and Robin and Ian must decide whether to cling to the familiar or surrender their plans to the God of Second Chances.




*Recebi esse livro gratuitamente do WaterBrook Multnomah Publishing Group para essa resenha.

19 de junho de 2013

Vítima, eu?

Quando usamos a palavra vítima, ela nunca é usada em um sentido positivo. Basta perguntarmos pro nosso amigo Aurélio, deem uma olhada.
Por isso quando nos deparamos com a expressão “vítima da Graça”, ela nos causa estranheza. A gente não consegue ou não gosta de se imaginar como vítimas porque é como se isso denotasse fraqueza. E ninguém gosta de ser fraco. Vítima pode ser relacionada à violência também.
Porém, existe uma frase que se tornou tão enraigada em nosso subconsciente que é difícil mudá-la. “Somos vítimas das circunstâncias.” Nascemos, crescemos, vivemos e morremos acreditando que as circunstâncias são responsáveis por quem somos, por quem nos tornamos e até pelo que fazemos.
Mas será que é isso mesmo? Será que somos vítimas das nossas circunstâncias?

E é a partir desse questionamento que Robin Jones Gunn inicia seu  mais novo livro de não-ficção misturado com semiautobiografia (pelo que entendi das novas regras, tenho que escrever assim, alguém mais achando estranho?). 
Na verdade, de todos os livros em que ela fala um pouco de si, esse é o que mais possui autobiografia. A cada capítulo ela inicia contando uma situação real, e em seguida ela usa uma mulher da Bíblia para exemplificar o tópico e fazer a aplicação prática.
O livro é bem abrangente, incluindo assuntos pertinentes à vida feminina, mas sem alienar os possíveis leitores masculinos.
E claro, a “assinatura” Robin de qualidade (às vezes ela é um pouco Pollyanna, vocês não acham?)

Quem de nós não tem um sonho "morto", frustrado, nunca realizado?
O da autora? Ir para a África (mais precisamente lavar roupa em um rio da África Oo). Ela jamais imaginou que alcançaria muitos outros países através daquilo que ela considerava ser uma vergonha (seu talento para contar histórias).
Algumas passagens falaram comigo mais do que outras, mas o livro como um todo se tornou favorito porque tem tanta coisa nessa vida que a gente não consegue entender e é difícil aceitar. Mas quando paramos para compreender que somos humanos limitados e que Deus é ilimitado, isso traz uma perspectiva diferente. E então percebemos que sempre seremos "vítimas" da graça e do amor de Deus simplesmente porque Ele nunca desiste de nós.

Tudo é uma lição, a gente tem que aprender
O Mestre usa a vida, a vida usa tudo.
Será que oramos tanto sem nunca compreender
Que aquilo contra o que lutamos
Poderia ser o caminho que quer ensinar a viver o futuro.
(Errando e Aprendendo – Banda Resgate)



Título: Victim of Grace*
Autora: Robin Jones Gunn
Editora: Zondervan
Ano: 2013
Páginas:2005
Comprar: Amazon / ChristianBook



Robin Jones Gunn reveals poignant truths from her life as well as from the lives of women in the Bible as she flips the notion that we are at the mercy of circumstances. She asks, what if God has dreams for you? What if he is accomplishing those dreams in the midst of shattered hopes? When life doesn't go as expected, it's easy to feel like a victim. We look at the events that have gone wrong and view our lives as impaired. What if we could see our future as God sees it? Would our view radically change if we understood we are indeed victims rather than of happenstance? God, the Relentless Lover, has vigorously sought you. He has instilled dreams in your heart that are grander than you can imagine. But the route to their fulfillment often is through a path you wouldn't seek. What if God wants to take the hopes that tug at your heart and enliven them? Are you ready to live inside the mysterious joy of being a victim of grace?



* Recebi esse livro gratuitamente através do Programa BookSneeze®  especificamente para esta resenha.

12 de junho de 2013

O silêncio

Por que nos sentimos desconfortáveis com o silêncio? Por que precisamos preencher o silêncio com palavras?
E esse desconforto só aumenta quando nos deparamos com a morte. Já perceberam os diferentes tipos de conversas que acontecem em velórios? É como se todo mundo ficasse desconfortável com o silêncio da morte.
Mas se pararmos para pensar, a morte é uma das coisas para a qual não existem palavras.
"Nem sei o que dizer."
"Não existem palavras para descrever..."
Bem assim.

Hoje fiquei sabendo que uma senhora, jovem senhora, da minha igreja no Brasil perdeu a batalha contra o câncer. A família vai ouvir o silêncio sendo preenchido por todo tipo de palavras. Sei que na maioria, são palavras bem-intencionadas, mas mesmo assim não vão fazer muita diferença nesse primeiro momento. 
A verdade é que não sabemos o que fazer diante da morte, por isso abrimos nossa boca e tentamos encaixar palavras em espaços, buracos, mas elas não cabem lá, não são suficientes.
"Vocês podem contar comigo sempre."
"Vamos cuidar de vocês pra sempre."

Sempre é uma palavra muito forte. Forte e mentirosa.
Gente, a vida acontece. Em outras palavras, a vida continua. No começo sim, quase todo mundo ajuda e está presente, mas aí o tempo passa, a vida acontece e um dia, as pessoas em luto vão acordar e ter que encarar aquele dia sozinhas, sem ninguém e com certeza sem o tão prometido sempre. Isso é normal! É a vida! Por isso sou defensora de quanto menos se falar é melhor. E nada de promessas.

Confesso que depois de tantos anos, o que mais me lembro do velório do meu pai não são as tantas palavras proferidas pelas mais diferentes pessoas. O que mais lembro é o silêncio. Algumas pessoas compartilharam o silêncio comigo e essa é uma das memórias mais vívidas que tenho daquele dia.
Só para citar um exemplo, nunca esqueci quando meu amigo Renato se aproximou de mim naquele dia ao lado do caixão, colocou uma mão no meu ombro e não disse nada. Apenas silêncio e lágrimas.
Até hoje aquele foi um dos gestos que mais me marcaram. Houve outras coisas, claro, mas o silêncio de um amigo valeu mais do que mil palavras que ele poderia ter dito.
(Renato tinha perdido a mãe dele alguns anos antes).

Então para a família da Dilene: Não tenho palavras para oferecer a vocês. Só tenho um abraço e o silêncio.

5 de junho de 2013

Enfrentando meus medos

Já ouvi várias pessoas dizerem que me admiram porque sou forte. Nunca sei exatamente de que força eles estão falando, e isso me assusta porque...
Gente, sou medrosa! Pronto, confesso! Sinto medo, pavor, pânico. Acho que sei disfarçar bem, só isso. Sério, eu sei rir da minha própria desgraça.

Recentemente li um livro sobre isso, sobre ter medo e o que fazer e não fazer com esse medo.  Mas eu não gostava (gosto) de pensar nesses medos específicos. Eles assustam demais e me paralisam. Por que não posso ficar na minha zona de conforto? Por que as coisas não podem acontecer de uma forma não-dramática na minha vida?
Muitas coisas têm acontecido e daí lembrei dessa poesia e música que vou escrever abaixo. Elas falam exatamente do que estou passando, pensando e sentindo nesse exato momento. 
Decidi enfrentar meus medos e não tenho a mínima ideia do que vai acontecer agora. Estou morrendo de medo, mas aqui dentro do meu coração existe um pedacinho de mim (minúsculo) que acredita que tudo vai dar certo, não sei como ou quando, mas eu sei que vai.

SUBINDO O MORIÁ
Myrtes Mathias

Eu queria tanto que quando o amor chegasse
Fosse um sentimento lindo,
Que nos permitisse seguir sorrindo,
De mãos dadas, em direção ao céu.
Sei que fostes testemunha, Senhor,
da minha luta contra qualquer sentimento
que viesse me afastar de Ti.
No entanto, aconteceu.
E já não é um simples caso de opção:
É uma batalha!

Se me chamas, Senhor,
Por que não também a ele?
Minha causa entrego aos cuidados Teus:
Sou frágil demais para decidir
Entre o amor de um homem
E a sedução de Deus.

Tu que me amaste ao ponto de morrer por mim,
Que me elevaste ao posto de representante Tua;
Tu, para quem o futuro é um eterno presente,
Vê, julga e decide, não me obrigues a escolher.

Um Senhor jamais consulta a vontade de uma escrava,
Apenas estende a mão e ordena:
Vai - Vem - Faze.
Age comigo assim.

Mas já que vês o que vai dentro de mim,
Se me queres distante daquele que me quer,
Por piedade, lembra-Te que sou mulher:
Liberta-me, mas de forma
Que eu não venha sofrer demais.

Não sei como isto pode ser feito,
Se alguém consegue perder uma parte de si mesmo
Sem quase enlouquecer de dor.
Por isso apelo ao Teu poder, Senhor.

Se ao abandono, o meu caminho se cobrirá
De lágrimas e saudade.
Se fujo à Tua ordem e o aceito e o acompanho,
Jamais serei feliz, porque ninguém Te desobedece
Sem pagar o preço.

Não apelo à Tua justiça, porque nada mereço:
À Tua misericórdia entrego o meu problema.

“Obedecer é melhor do que sacrificar”
É um bonito tema,
Mas, quando a obediência envolve um sacrifício,
Que é preciso fazer?
Se pudesse unir ao meu amor o Teu querer,
Minha paixão ao dever...

Mas se esta não é a Tua vontade,
Eis-me aqui a subir o Moriá,
Trazendo como lenha os meus sonhos de moça,
Como holocausto, o meu pobre amor,
Como esperança: “O Senhor proverá”.

Cada momento que passa
A escolha se faz mais difícil.
Se tem que haver uma ferida,
Que seja feita agora, que sejas Tu o Autor,
Porque só Tu tens o poder de fechá-la
Com o Teu cuidado, com o Teu amor.

É difícil subir o Getsêmane para tomar o cálice,
Não é fácil subir o monte para sacrificar.
Posso sentir agora a profundidade do
“Seja feita a Tua vontade”
ao depor meu coração em Teu altar.

Aceita-o Senhor, e faze-me uma bênção,
Um caminho para a Tua luz:
Que minha dor ajude aos que esperam em mim,
Aos que depositam em mim confiança e amor
Que a renúncia tenha como fim
Trazer muitas vidas aos Teus pés, Jesus.


ENTREGUE-SE*
Surrender - BarlowGirl
Minhas mãos guardam meus sonhos em segurança
Segurando bem para que nenhum deles caia
Levei tantos anos pra formar cada um deles
Eles refletem meu coração, mostram quem eu sou
Agora Você pede pra eu mostrar
O que estou segurando com tanta força
Não posso abrir as mãos, não posso soltar
É importante? Devo mostrar?
Você não pode me deixar ir embora?
Entregue-se, entregue-se
Você sussurra suavemente
Você diz que serei livre
Eu sei, mas você não vê
Meus sonhos em mim?

Você diz que tem um plano pra mim
E que quer o melhor para minha vida
Disse que o mundo ainda vai ver
O que Você pode fazer com alguém
Comprometido com Seu chamado
Claro que sei o que devo fazer
Não posso segurar esses sonhos para sempre
Mas se eu entregá-los a Você agora
Você vai levá-los embora para sempre?
Ou posso sonhar novamente?



*Nota: Parte da tradução feita por Annie no Com Tudo O Que Sou.

24 de maio de 2013

Com todo respeito, mas...


Título: All Due Respect*
Autora: Vicki Hinze
Editora: Bell Bridge Books
Ano: 2012
Páginas: 258
Comprar: Amazon


Uma professora de primeira série de Grace, Alabama, pode parar um grupo terrorista de finalizar sua missão mortal?
Ela pode confiar em seu próprio coração novamente?
A ex-cientista das Forças Aéreas, Dra Julia Warner-Hyde teve que fugir e se esconder três anos atrás para escapar de seu ex-marido abusivo. Sua vida nova como uma professora de uma cidadezinha é segura e pacífica até o dia em que seu antigo companheiro de laboratório, Dr. Seth Holt aparece.
Terrosristas roubaram o sistema de mísseis que Seth e Julia projetaram e eles decididamente planejam usá-lo. Seth precisa da ajuda de Julia para achar, ser mais esperto e pará-los, mas ambos não se separaram de forma amigável. Ele não sabe que Julia tem um inimigo secreto que pode matá-los. Ela pode lutar contra esse perigo e os terroristas sem precisar contar a verdade para Seth? Como ela pode recusar tentar com milhões de vidas em risco? 


Apenas com as informações acima, como você classificaria esse livro? Você acha que a classificação de um livro em gêneros é importante? Por quê?
Gostaria de começar com essas perguntas porque, confesso, que me senti enganada com esse livro.
Deixa eu explicar melhor. Já li dois livros da autora antes e gostei bastante (mais de um do que do outro, mesmo assim gostei do estilo). Essa foi a primeira razão pela qual eu me interessei por esse ebook. A segunda razão é que ele estava listado em dos gêneros que gosto de ler, literatura cristã. Uma coisa levou à outra.

Porém, sabe quando você inicia a leitura de um livro e parece que não é o mesmo autor que você já conhece que escreveu? Até aí tudo bem, eu não me importaria com isso porque, na verdade, acho muito legal quando qualquer autor consegue escrever de formas diferentes e não fica preso à mesma "receita" com a qual ele já está acostumado (cof, Sparks, cof). 
Mas foram as palavras que começaram a surgir no texto que passaram a me incomodar. De novo, eu não me importaria porque leio gêneros diferentes, já li livros que os personagens xingavam praticamente a cada duas linhas. Só que o GRANDE incômodo foi que esse livros com xingamentos não estão classificados como literatura cristã.
Isso não quer dizer que cristãos não xingam, MAS quando eu pego um livro desse gênero existe uma razão: quero ler algo que seja inspirativo na minha vida espiritual e não um monte de xingamento que já escuto todo dia.

Se All Due Respect estivesse classifcado apenas como suspense romântico, eu teria me relacionado com ele melhor, eu teria aceitado as "bocas sujas" também, porque eu não teria tido as expectativas que sempre tenho quando leio um livro cristão. 
Não sei se estou conseguindo me explicar bem. Não vejo problema com o autor que escreve literatura cristã e não-cristã ao mesmo tempo, meu problema foi apenas com a classificação feita. Tenho certeza que o livro ganharia um público-alvo muito maior se a editora tivesse classificado o livro pelo o que ele realmente é: apenas um suspense (quase romântico).

E gente, Julia é uma cientista do governo! Como assim ela vem dizer que não sabia que alguns maridos batem na esposa? Por mais que os pais dela a protegessem, por mais ingênua e inocente que ela fosse, mesmo assim, ela não vivia na bolha do Jimmy. Sério, isso foi um grande furo na história.

Enfim, o suspense foi bom, mas com todo respeito o livro não me cativou nem me convenceu muito.



*Recebi este ebook gratuitamente através do programa NetGalley exclusivamente para esta resenha.


15 de maio de 2013

Mudança fail: a saga continua

Há dois anos atrás, eu e as meninas que moram comigo encontramos o apartamento quase perfeito: mais espaço, aluguel mais barato (veja AQUI). Não era exatamente uma cobertura com suíte e cinco quartos, mas era adequado, aconchegante, no térreo, como eu disse, quase perfeito. Achei que finalmente tinha encontrado o lugar do qual só sairia quando eu me casasse ou comprasse minha casa.

HAHAHAHAHAHA

Até que algumas semanas atrás a dona do prédio (Mrs. Murphy) pediu o apê de volta. A gente achou que ela estivesse miguelando, querendo alugar mais caro pra outra pessoa, etc, porém não, ela realmente não tem mais onde morar e precisa do nosso lugarzinho. 

Lá fomos nós à procura de outro local e nos deparamos com preços exorbitantes (inflação de mais de 200%, O.o), isso porque o nosso bairro nem é em Manhattan onde uma caixa de sapato custa $1000 e um APERtamento custa mais de $3000!!! Sim, isso mesmo, por mês!
Os bairros mais baratos são aqueles lá onde o vento faz a curva que é o mesmo lugar onde o Judas perdeu as botas.
Primeiro dilema foi o que pesaria mais: pagar o dobro ou viajar mais de 1h pra chegar ao trabalho?

Enfim, decidimos pagar o dobro e mudarmos para o terceiro andar (sem elevador) no mesmo prédio. 
E isso me levou ao dilema número 2: tenho mais livros do que consigo carregar escada acima. Quais manter e de quais me desfazer? 

Enquanto isso, preciso de repouso porque nessa batalha chamada mudança, eu sempre levo a pior (hematomas de novo e corpo com sensação de dengue).

Agora entendo porque algumas mulheres querem um marido rico =P

30 de abril de 2013

The Sky Beneath my Feet, de Lisa Samson

Título: The Sky Beneath my Feet*
Autora: Lisa Samson
Editora: Thomas Nelson
Ano: 2013
Páginas: 320
Histórico
Comprar: Amazon / ChristianBook


Being married to a saint isn't what it's cracked up to be.

Beth's husband won't be joining the family on vacation at the beach this year. He's not even joining them in the house. Instead, Rick has holed up alone in the backyard shed. Nobody knows exactly what he's up to. Maybe he's immersing himself in prayer. Maybe he's lost his mind. Maybe he's even the modern-day prophet or the saint the neighborhood artist imagines him to be. But while "St. Rick" waits for an epiphany, Beth will have to figure out what to do with herself and their teenage sons, possibly for the rest of her life.

What happens next is both uproarious and bittersweet: a peace march turns violent, her son is caught with drugs, and she embarks on an ambitious road trip that turns into something nearly surreal. Will Beth rediscover the idealistic woman she used to be, once upon a time? Can her marriage survive Rick's backyard vigil? Will anything ever be the same? And should it be?



Iniciando esse livro, eu decidi que é um saco ser mãe de adolescentes. Tenho que dar os parabéns pra minha mãe por ter passado por isso três vezes.
A história é sobre uma mulher de meia-idade que começa a se questionar sobre quem ela seria se tivesse seguido o plano que ela tinha traçado antes de tudo mudar. Quem ela teria se tornado?
Engraçado que uns dias antes de começar a ler esse livro, eu também estava pensando a mesma coisa. Quem eu teria me tornado se tivesse tomado outra decisão, se tivesse feito outra escolha? O assustador? É que aparentemente essas perguntas não querem esperar eu completar 50 anos.
Nesses quase 30 anos, tenho a sensação de que já poderia ter vivido pelo menos cinco vidas diferentes da que estou vivendo, mas... e se em cada dessas vidas eu continuasse me perguntando a mesma coisa?

Pois é, no fim das contas Beth compreende que o que ela se tornou é quem ela é, e que ficar paralisada com medo de sair da zona de conforto poderia atrofiar os sonhos que porventura nasceriam da vida que ela estava vivendo. Claro, levou um livro inteiro pra ela aprender isso da mesma forma que para nós, "personagens da vida real" pode levar muitas décadas, uma vida inteira, ou até nunca percebermos a verdade e morrermos insatisfeitos.

"Quando você envelhece, quando sua memória começa a falhar, você olha pra trás e percebe que todos aqueles anos que você gastou em antecipação foram na verdade os melhores anos da sua vida. Enquanto você estava esperando por coisas melhores, elas já eram as melhores, e que a partir daquele momento em diante a vida só iria descer ladeira abaixo." (tradução livre, p.91)

O livro também explora a dificuldade dos relacionamentos familiares e do relacionamento com Deus. Assim como um casal acaba se acostumando um com outro com o passar dos anos, o que pode causar monotonia e enfado, o mesmo pode acontecer no nosso relacionamento com Deus. Beth e Rick, seu esposo, estão buscando a reconexão com Deus de maneiras diferentes, o que causa muito mais complicação do que solução na primeira parte do livro. E consequentemente, eles se afastam mais um do outro do que se unem.
A forma como a autora tratou os assuntos centrais do Cristianismo foi interessante, ela mostrou as falhas no nosso sistema religioso e o que realmente significa ser cristão no mundo que com certeza não é apenas colocar um "peixinho de Jesus" no carro (piada interna da história).

Então, gente, vocês acham que a vida é sobre ter um senso de propósito/objetivo desde de sempre OU fazer o melhor com as oportunidades que surgem à nossa frente?




* Recebi esse ebook gratuitamente através do Programa BookSneeze®  especificamente para esta resenha.