16 de julho de 2013

Casos da Vida Real IV

A querida e única repórter dessa humilde redação trouxe à nossa atenção um caso de atentado à sua identidade.
"Sempre começa quando eles perguntam meu nome", ela nos informou com lágrimas nos olhos. "Tudo piora se eu tento soletrar letra por letra. Não aguento mais isso! No ínicio eu sempre corrigia, mas depois de um tempo, deixei que me chamassem como eles entendiam."

De acordo com nossa investigação minunciosa, há alguns meses atrás nossa repórter precisou ser internada em uma clínica de recuperação para pessoas com crise de identidade. O tratamento foi rigoroso.
"Cheguei ao ponto de não conseguir lembrar qual era meu nome verdadeiro. Tive vários problemas legais porque eu hesitava ao assinar documentos e cheques sem fundos, o que fez com que as autoridades desconfiassem da minha autenticidade."

O estopim aconteceu quando nossa repórter foi encontrada vagando pelas ruas da cidade, repetindo: "Meu nome não é Aileen, nem Eileen, muito menos Helena. Meu nome não é Aileen, nem Eileen, muito menos Helena."
De acordo com o psiquiatra responsável pelo tratamento da mesma, essa síndrome é mais comum do que se imagina. "Os primeiros sintomas são sempre sutis. O nosso conselho é que ao detectar a possibilidade de um ataque, o paciente não entre em pânico, ligue para a emergência e permaneça em um local fresco e arejado até a chegada dos primeiros socorros."

Nossa repórter nos informou que já contactou sua advogada para processar a ONG que representa a Associação Gringos Têm o Direito de Pronunciar Seu Nome Errado.
"Se todos processassem as pessoas que não pronunciam seu nome corretamente, todos os dias seriam milhares de casos na justiça."
A representate da Associação se pronunciou com a seguinte nota: "Sempre aconselhamos as pessoas que sucumbem à essa síndrome que procurem uma alternativa, como um apelido, por exemplo, ou o uso de seu sobrenome."

Nossa repórter afirmou que esta técnica foi utilizada, mas que seus problemas se multiplicaram.
"Quando eu usava meu sobrenome Gomes /Gomis/, as pessoas entendiam Gomez /GomÊZ/, então até que eu conseguisse explicar que a origem do meu sobrenome era portuguesa e não espanhola, a fila da lanchonete já estaria dobrando o quarteirão."

Até o fechamento desta edição, as duas partes envolvidas no caso ainda não tinham chegado a um acordo. Mas qualquer que seja a decisão do Tribunal Superior de Causas Nominais Internacionais, esperamos que nossa repórter responda bem ao tratamento médico. Força! Torcemos por você! E sabemos que você não é Aileen, nem Eileen, muito menos Helena!


NOTA DE ESCLARECIMENTO:
Venho através desta apresentar meu pedido formal de desculpas a todos que, de uma forma ou de outra, no passado, no presente e até no futuro, eu tenha pronunciado seu nome erroneamente. Perdoe-me e espero não ter causado danos irreparáveis à sua saúde mental e à sua identidade.
Sinceramente,
Meu nome não é Aileen, nem Eileen, muito menos Helena.
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