6 de agosto de 2013

Ser popular vale a pena?

Como foi sua experiência no Ensino Médio? Você gostou, tem saudades? Ou não gosta nem de lembrar?
Independente das diferenças que possam ter existido entre sua experiência e a minha, acredito que, de certa forma, nós passamos por coisas parecidas.
Afinal, o colegial (sou do tempo do Segundo Grau) é a última travessia que fazemos antes de sermos considerados "adultos de verdade". Só considerados mesmo porque na prática...

E você provavelmente já assistiu pelo menos um filme ou série americana que retrata o high school, e deu graças a Deus que no Brasil não é tão ruim assim e tudo deve ser só um clichê mesmo.
Líderes de torcida, patricinhas, atletas, nerds, estranhos, etc... Esses adolescentes não são vistos como indivíduos, mas como estigmas.
O título Popular me levou ao passado e... na minha escola existia a seguinte divisão: os riquinhos ou patricinhas/mauricinhos (hum, sempre me perguntei o que eles estavam fazendo em escola pública), os CDFs (quem inventou essa sigla?), os babões (podia ser dos professores, coordenadores ou diretores), a galera do fundão (a maioria dos bagunceiros eram eles), os gazeadores (só apareciam em tempo de prova e olhe lá), etc. MAS no fim das contas, quase todo mundo falava com todo mundo (a não ser os arquiinimigos), os "grupinhos" interagiam entre si.
O que é raro de ver no Ensino Médio americano. É como se fosse uma "mini-sociedade" hierárquica que perdura enquanto você estiver por lá. Existem regras e "leis" de conduta que todos devem seguir, quer gostem ou não.
Lógico que anos mais tarde, esse povo vai perceber que isso é a maior perda de tempo.

Para sobreviver ao high school é preciso coragem e uma boa dose de autoconhecimento, o que infelizmente é raro para adolescentes.
A autora do livro nos conta como ela escolheu o caminho mais "fácil" para encarar esse período. Tudo que ela queria era ser cool e popular, mas para isso ela teve que comprometer seus princípios para disfarçar suas inseguranças  e fazer o que todos os "populares" faziam.
Minha adolescência não foi um mar de rosas, muito pelo contrário, mas toda vez que eu me sentia pressionada a fazer algo que eu sabia ser errado, "todo mundo" estava fazendo e era "legal" eu lembrava do que meus pais costumavam falar: "Só porque todo mundo tá comendo 'b*sta', você vai comer também?"

Como toda garota eu queria me enquadrar, fazer parte, ser aceita, pertencer, mas com uma baixa autoestima que deveria ter sido chamada de "baixa baixa-estima" e um complexo de inferioridade horrível, eu nunca senti que poderia ser como as outras meninas que pareciam ter tudo que eu não tinha, de beleza física a namorados. Sim, esses dois foram os grandes problemas da minha adolescência (e que me fizeram perder muito tempo): eu queria ser bonita e queria ter um namorado! 
Levou muito tempo e terapia para eu conseguir superar isso. Estou brincando sobre a terapia, mas o tempo foi essencial. Lógico que tive que aprender a me amar e me aceitar antes que os outros pudessem me amar e me aceitar. 
Aprendi que ser "diferente" nem sempre significa uma coisa ruim, mas que você pode fazer a diferença não apenas em sua própria vida, mas nas vidas das pessoas ao seu redor.

No caso do livro, além de ter tido os mesmos problemas que eu, Tindell quis mais, ela queria chegar ao topo da pirâmide. O problema foi que ela descobriu tarde demais que o "topo", na verdade, é um precipício e que muitos jovens continuam caindo nele o tempo todo.
Ela descobriu que as festas não conseguiam preencher o vazio que ela sentia. Que as bebidas alcóolicas e as drogas não conseguiam preencher o vazio dentro dela. Que a atenção temporária que os garotos ofereciam através de sexo também não conseguiam preencher o vazio. Na verdade, ela descobriu que tudo isso fez com que o vazio e toda a necessidade que ela sentia aumentassem muito mais.

O resto da história a gente consegue deduzir. Ela precisou ir ao fundo do poço para entender que ser popular não podia dar a ela o que ela mais queria: alegria genuína.
O livro é escrito para adolescentes (dividido em duas partes: "Escuridão" e "Luz"), mas os pais devem ler (fiquei imaginando o quanto os pais precisam sim se envolver na vida dos filhos adolescentes).
A linguagem é super direta, sem rodeios ou floreios, e ela relata não apenas sua redenção, mas também as consequências que carrega até hoje.
Todos nós cometemos erros. O que muda é nossa resposta a esses erros. Nos arrependemos de verdade? Aprendemos com eles? Lembrando que muitas vezes as consequências ficam conosco para sempre. O ideal é aprender com nossos erros e ensinar aos outros aquilo que aprendemos. Nem sempre todo mundo vai querer ouvir, mas uma pessoa que seja vale a pena.
No caso da autora, além de escrever um livro, ela trabalha com meninas dessa faixa etária em escolas.

Vocês acham que vale a pena um adolescente fazer qualquer coisa para ser popular?


Título: Popular*
Autora: Tindell Baldwin
Editora: Tyndale
Ano: 2013
Páginas: 256
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At fifteen, Tindell Baldwin weighed her options--continue to follow the path and the rules set by her Christian family, or find her place in the "popular" group and have some real fun. She decided to write God a good-bye letter and set out to live the life she thought she wanted.

In her memoir, she shares provocative, raw insights into her journey through high school that led to places she never intended to go. She writes vividly and honestly to help anyone thinking of taking a similar journey themselves. Tindell shares the often untold cost of emotional pain that comes as a result of the decisions many of us make to fit in.

Her story shows the temporary, shallow, and painful parts of living life on the wild side while shedding light on how she stumbled back to God and discovered grace.



*Tyndale House Publishers has provided me with a complimentary copy of this book.
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